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4 Qual é a identidade nacional brasileira? Século XIX, Indianismo

Atualizado: 28 de jul. de 2021


A Identidade Nacional é um tipo de discurso de unificação de grupo, que vai fazer com que ele se sinta parte do mesmo grupo. Este discurso pode ser baseado na realidade ou não. É o discurso que faz com que pessoas se unam em torno de um ideal. As nações nascem de maneira semelhante, nascem e dissolvem: Nascem a partir do momento que existe um sentimento de pertença de uma comunidade humana ampla com leis, ordem, cultura, filosofia, cosmovisão, religião e etc. Se dissolvem quando perdem estas características, perdem a sua liga espiritual. Elas se perdem justamente quando sua Alta Cultura já não se identifica mais com a cosmovisão nacional. Curiosamente no Brasil nunca existiu um Alta Cultura que tivesse de acordo com a cosmovisão popular, ela sempre foi elitista, limitada às rodinhas dos importantes, nunca foi adentrada no seio da sociedade. Aqueles membros que vinham do povo e de sua cosmovisão, ajudavam-nos na sua linguagem, geralmente estes intelectuais eram relegados ao ostracismo, isto na história do Brasil foi uma constante; perseguir aqueles que possuem algum talento genuíno, que não esteja afim de conseguir apenas um cargo, um fetiche, uma relação elitista, prosaica e retórica de puxa-saquismo.

Quando o Brasil se tornou independente, houve uma ruptura, porque adotando um antilusismo, e buscando um novo caminho de nação independente, a cosmovisão teria de ser forjada. Mas o Brasil começou com a coexistência de duas forças antagônicas, duas classes intelectuais, duas Altas Culturas: Maçonaria e Igreja Católica. O primeiro liderado por José de Bonifácio e Pedro I, e a segunda pela Igreja Católica precisamente. Ambas possuíam visões completamente distintas, ora era uma, ora era a outra que forjava esta identidade nacional. E foi esta duplicidade em disputa que fomentou ideologias e movimentos distintos, resultado disto é que não houve nenhuma identidade nacional, exceto por uma terceira via que foi surgindo ao longo do Império que estava ligado a este. No seu movimento interno incluem-se os abolicionistas, por exemplo. Entre estes movimentos internos do Império para forjar a identidade nacional surge o Indianismo, que era a busca da valorização do Índio como arquétipo, aquele singular representante genuíno da brasilidade, o índio seria a fonte da brasilidade, sendo assim, devia-se abandonar tanto a cosmovisão católica ou a maçônica. Dentro deste contexto imperial, buscou-se a valorização do índio como a raiz de todo o Brasil. Com o indianismo o índio é colocado como um profeta, herói, e sacerdote, é praticamente a cosmovisão cristã, mas transplantada para a figura do índio.

Nisto o Brasil torna-se nesta terra mítica, exótica, selvagem e pura, pura e amoral. Uma terra mítica que vai se desenvolvendo em torno do índio da aldeia.

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