O peso da agricultura familiar no sustento de uma "superpopulação" Cap. 1.2
- Thiarles Sosi
- 2 de fev. de 2023
- 2 min de leitura
1.2 O peso da agricultura familiar no sustento de uma "superpopulação"
Como podemos ver, o fato chave a se investigar é a relação de êxodo rural/diminuição da produtividade local/maior dependência do mercado externo com a urbanização precoce/má industrialização e pujança de mercado circulativo local/subsalário.
O mais importante é a capacidade de Bangladesh de alimentar a si mesma, bem como o Brasil e outros países com sua agricultura própria. Em todos estes países citados anteriormente, é a agricultura familiar que alimenta grande parte de suas respectivas e grandes populações. Não somente estes países, como os ricos: Estados Unidos, Rússia, China e Japão, são do mesmo modo, e em todos eles há grande população e autossuficiência agrícola, porém, forte mecanização e modernização de sua agricultura e exportação para outros países de seu excedente que supera e muito sua necessidade interna.
O Brasil atual sustenta em menos de 8% do seu território toda a agricultura de que produz para alimentar não duzentos, mas 1.5 bilhão de pessoas ao redor do mundo[1], além de animais e commodities para indústria, é, talvez, considerando outros alimentos, especialmente os de consumo local e de pecuária, o maior do mundo; mesmo se desconsiderássemos todo este alimento produzido pelo Brasil, estas centenas de milhões de pessoas sustentadas pelo alimento brasileiro estariam em fome ou subnutridas, se não fosse pela produção da agricultura brasileira crescente nas últimas décadas. Mesmo assim, boa parte dos alimentos que os brasileiros consomem vem da agricultura familiar rústica e que produz localmente, e é a alternativa para os excessivamente tratados por agrotóxicos de parte das grandes monoculturas. Estas últimas, no entanto, já estão se fundindo com a arte do manejo sustentável (conceito de sustentável ver em nota) e ganhando primazia e liderança pelo mundo.
O Brasil muito conseguiu driblar os desafios de aumento da produtividade com o incremento do plantio direto na palha, que fez o país alcançar não só a autossuficiência, como de ser dos maiores produtores mundiais, e futuro celeiro do mundo a passos largo.
Apesar da mecanização e modernização da agricultura, os desafios de um população rural que cai é preocupante, porque as máquinas podem ajudar, mas não substituem o homem do campo, além disto, pelo mundo, prova-se que é a agricultura familiar, rústica ou não, a grande capacitante de sustentação de uma grande população em qualquer país. E, um país pode ser pobre e ter uma pujante agricultura capaz de alimentar a si mesmo, e se modernizar e se potencializar, em concomitância, mas o oposto, mostrou-se não ser verdade: uma nação muito urbana, tende a sobrecarregar a agricultura familiar, e mesmo a mecanização é limitada para sustentar uma grande população.
Mas vemos que se o Brasil alimentasse hoje o que consegue manter de população, seria o país mais populoso do mundo, mais do que China e Índia, e conseguiria sustentar muito mais, visto sua potencialidade natural, sem, no entanto, sobrecarregar a natureza, o que indica que há, para o Brasil, muito espaço para se tornar numa grande nação. A preocupação com uma "superpopulação brasileira", e por isso urgindo uma necessidade de controle demográfico coletivo, como política de estado, é falsa e sem fundamento científico. Ao contrário, o incentivo a atual cultura de não ter filhos, típica dos países desenvolvidos, pode acarretar uma grande perigo econômico para o Brasil, conforme veremos mais a frente.



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