Superpopulação e mitos: cap. 1.7: O Crescimento do Brasil em risco
- Thiarles Sosi
- 28 de set. de 2023
- 3 min de leitura
Atualizado: 12 de abr. de 2024

A questão que se nos aparece, não é como o Brasil se desenvolverá como potência mundial, e sim se deixará de existir mesmo como nação, já que comprometeu seu futuro no seu eixo mais basilar, isto é, o de crescimento populacional? O custo de vida para uma família que não seja de classe econômica alta tornou-se tão alta, e a rotina de vida daqueles que ganham mais de cinco salários por mês tornou-se tão cheia de compromissos, sobretudo com o trabalho, que o dinheiro que ganham, é compensado inversamente pela falta de tempo para família, casamento, educação e lazer, sobrecarregando os jovens casais e postergando ao máximo a vinda de um primeiro filho, e depois, mais ainda, a de um segundo filho. Assim, não há espaço para a família, como não há tempo para o próprio indivíduo na sociedade contemporânea, especialmente a industrial, e a que se segue em mor parte da sociedade urbana de todo o mundo, em vias de franca uniformização político, cultural e econômica.
Uma possível questão de solução não passa só pela busca de salários ideais, visto que mesmo em profissões de altos salários, é necessário tempo e dedicação para se conseguir, e o salário alto cobra alto preço do trabalhador que tem de diminuir o tempo para o restante.
Numa sociedade pobre e em vias de empobrecimento, como ocorre no Brasil, falta dinâmica de bons empregos e de boa rotatividade nos empregos. A rotatividade que há para a maior parte dos empregos são de empregos sem mudança real de qualidade, um jovem vai disputar emprego com um velho, um novato com um veterano, um inexperiente com um experiente, nos mesmos empregos e nos mesmos moldes, fazendo com que os empregos fiquem engessados, não só nas baixas camadas, mas nas altas também. Isto impede o dinamismo econômico, pois seria natural que empregos de alta rotatividade cedesse espaço para aqueles que necessitam mais urgentemente de emprego.
Um outro fato intrigante é que os salários para o setor privado no Brasil são pequenos e engessados em comparação com os empregos do funcionalismo público; é muito mais vantajoso ser empregado do Estado do que ser empregado numa empresa, em todos os aspectos econômicos, e não só salariais, mas em perspectiva mesmo de carreira e profissionalismo. O Brasil na prática é um país estatal, em que o setor privado funciona como base instável, temporária, e quase informal.
As famílias de funcionários públicos com altos salários possuem maior vantagem e condições, não só econômicas, mas também educacionais e de bem-estar para ter e cuidar de filhos do que as famílias do setor privado.
Como não dá para todos serem funcionários públicos, mas apenas alguns, então o Brasil já corre grave risco de ser inviável o sustento de suas famílias, não para o futuro, mas desde já, para as atuais gerações capazes de ter filhos, justamente porque se tornou peso excessivo tê-los, e não só pelo débil poder econômico, mas pela falta de tempo. As pessoas esquecem que para o crescimento familiar é necessário, antes de tudo, crescimento afetivo de laços, entre o casal, e depois entre os próprios filhos1.
1 Filhos mal educados pelos pais, geram filhos traumatizados, que por sua vez traumatizam os próprios pais, que não querem saber de mais, pois lhes causa esgotamento psicológico e mesmo físico, pois filhos demandam energia por parte de adultos.



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