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Superpopulação e mitos cap. 1.1

1.1 Comparação de área agrícola

Agora precisamos levar em conta os fatores da produtividade da terra: quanto de terra é necessária para sustentar um homem; qual alimento é mais produtivo, mais nutritivo, mais necessário para sustentar maior população? Fatores como clima, solo, instrumentos de labor, recursos naturais como água potável, aragem, fertilizantes, altitude do terreno, rotatividade do solo, manejo e técnicas agroflorestais, aproveitamento da mata nativa para múltiplas atividades de potencialização do cultivo (muitos ignoram este último fato, por falta de conhecimento de que são os insetos, habitantes miúdos das matas brasileiras de que o Brasil é o reino megadiverso colossal, os principais fomentadores da produtividade agrícola, as abelhas e formigas, além de cupins, de maneira especial. Apesar disto, são tratados ainda como inimigos por falta de instrução dos agricultores!); todos estes e outros fatores menos óbvios ao senso comum são levados em conta para maior produção de alimentos numa plantação e sustentar mais pessoas pelo mundo. Outros fatores que já estão na parte de infraestrutura como armazenamento, escolha de sementes adequadas e que rendam mais num determinado terreno (área de estudo pouco avançada pelo mundo, apesar da máxima importância), modal de transporte e diminuição do desperdício (que é significativo) são outros fatores que colaboram para a diminuição da perda (porque sempre há) do que já se produziu e colheu e que pode empenhar na sustentabilidade de maior população a nível nacional e global.

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A partir de agora, faremos comparação de estudos de áreas agrícolas, que nos apontarão um norte maior de horizonte desta relação terra/homem num espaço produtivo determinado. A NASA e a EMBRAPA possuem dados importantes e similares que devemos usar para a nossa abordagem[9]:


De acordo com a NASA, são 1.87 bilhão de hecateres ou 18.7 milhões de km² destinados à produção agrícola pelo mundo, uma área superior à Rússia, maior país do mundo, e à América do Sul, que inclui o Brasil, Argentina, Colômbia, Peru, Venezuela e outros países! Portanto é uma grande área pelo mundo inteiro. Mas esta área não é toda igualmente produtiva e muito menos igualmente distribuída pelo mundo. Esta área é destinada para a produção de alimentos para homens e animais. Em média, um hectare alimenta 4 pessoas, mas isto pode variar desde menos de 1/3 de hectare por pessoa até vários hectares para uma única pessoa. Esta imensa variação é tida por vários fatores, alguns deles já apontados neste estudo anteriormente. Por isso, em um local específico, pode ser necessário uma grande área para alimentar "pouca gente", enquanto noutras, uma pequenina área alimenta muita gente. É só nos lembrarmos dos casos já citados neste estudo; Bangladesh, país que é metade de São Paulo, com população, contudo, 4 vezes maior que a paulista, e boa parte de sua população a viver em aldeias pequeninas, cuja produção agrícola é de subsistência, quer dizer, para alimentar a própria casa e as pessoas da aldeia, e o excedente para as grandes cidades, onde vive boa parte dos miseráveis; citarmos ainda Java, ilha pouco maior que Santa Catarina, com população de 160 milhões de habitantes, em que boa parte da populaçao vive em aldeias ao longo de rios, com exceção da grande e compacta Jacarta, metrópole à Tóquio em que vive uma massa de pessoas dependentes desta mesma agricultura de subsistência. Poderíamos citar ainda a China, onde apesar de ser um país maior que o Brasil, apenas 1/3 do seu território é onde há maior ou menor propicialidade de cultivo e agropecuária, é onde vive mais de 90% da população, é onde a economia das grandes cidades depende totalmente da população camponesa que ainda é a maior parte da população chinesa! O mesmo se dá na Índia, Paquistão, Nigéria, Congo e outros países ditos muito populosos, pobres e rurais. Nestes países, apesar da economia "fraca", do ponto de vista capitalista, conseguem se sustentar e alimentar sua gente, com exceção das grandes cidades em que uma massa de miseráveis não tem onde e com quem comprar comida, justamente pela pobreza de sua economia e pela rusticidade da agricultura que não os alcança nas grandes cidades.


O Brasil que é extremamente fértil em boa parte de seu território, mesmo em áreas que antes eram consideradas pobres, como Cerrado e Caatinga, ou mesmo Amazônia, hoje são agricultáveis e são a fonte de produção agropecuária que exporta para alimentar quase 1/4 da população mundial. No entanto, menos de 2% de seu território é destinado à agricultura permanente. 550 mil km² são de agricultura temporária (que pode ser aumentada a sua produtividade), formam uma área do tamanho da França.O sistema inovador de plantio direto na palha avança em 330 mil km², ou menos que 4% do território. Sistema agroflorestal que mescla agropecuária, florestamento e agricultura correspondeu a menos de 2% do território. Florestas plantadas para vários fins são 1% do território. Boa parte dos agricultures sequer receberam financiamento ou usaram agrotóxicos em sua produção (sem que se estabeleça críticas quanto ao seu uso). E se ainda fôssemos considerar a agropecuária propriamente e isoladamente, teríamos no total 1.6 milhão de km² destinados a ela que é hoje fonte de alimentação de proteína animal para 2 bilhões de pessoas. Em suma, o Brasil produz alimento para quase 2 bilhões de pessoas cultivando menos de 8% do território, destinando ou mesclando com outros menos de 6%, com a agropecuária direta, há mais 19%. No total são 1/3 do território nacional, que dentro deste mesmo espaço, há muita capacidade para aumentar a produtividade.


Para se ter uma ideia, há 40 anos atrás, início dos anos 1980, o Brasil comprava alimentos de outros países porque não tinha produção o suficiente, a produtividade da terra era de uma tonelada de grãos por hectare, hoje o país produz quase 4 toneladas por hectare em média. Este valor médio, contudo, não manifesta que esta produção pode ser ainda maior.


Comparando a área agrícola do Brasil com outros países mais antigos e de uma agricultura já desenvolvida há tempos, vemos, por exemplo, que a Dinamarca, país do tamanho do estado do Rio de Janeiro, tem 76,8% de sua área cultivada, este percentual é quase 9 vezes maior que do Brasil (9% de acordo com o censo agropecuário do IBGE). Se com tal área o Brasil alimenta 1 bilhão de pessoas, se tivesse na mesma proporção (não que deva) de área cultivada que a Dinamarca, produziria, em tese de área, nove vezes mais que atualmente, ou seja, para 9 bilhões de pessoas, mais do que toda a população de 8 bilhões conforme estatísticas para 2022. A Alemanha cultiva 56,9% do seu território. A Índia utiliza 60,5% do seu território, ou 180 milhões de hecateres; o triplo da área brasileira, se fosse o Brasil, com esta área, alimentaria 3 bilhões de pessoas, ante o um bilhão atual. A China tem 165 milhões de hectares, a Rússia 156 milhões; França 32 milhões de hectares. Os Países Baixos cultivam 66% do território e a Irlanda 74,7%.


Tudo isto, mesmo desconsiderando que boa parte da área agrícola brasileira ainda está em baixa potência, mesmo a área atual, com baixa área irrigada, menos da metade utiliza de cultivo direto na palha, que garante maior produção e preservação dos solos, além de que boa parte são lavouras temporárias, além dos fatores como peste e seca que ainda assolam vezes por outra uma ou outra região do Brasil com frequência. Isto mostra que não é de todo necessário expandir a fronteira agrícola, antes requer modernizá-la, expandir sua capacidade produtiva possui tanta potência que ultrapassa a de qualquer nação e terra sobre o mundo. Mas sobretudo, deixa claro que a área agrícola brasileira está longe do colapso ecológico, com exceção de terras degradadas por falta de usos técnicos melhor adequados, todo fazendeiro quer que sua fazenda produza mais em menos, porque isto significa maior produtividade e lucro, mas também sustentabilidade de sua propriedade. Acima de tudo isto, mostra que não há, ainda que toda a pressão de produção de alimentos recaísse sobre o Brasil exclusivamente, qualquer proximidade catastrófica por uma superpopulação no mundo, é um mito total e fábula contada pelos dirigentes políticos, midiáticos e estatísticos demográficos ou de quaisquer cientistas que hoje perambulam pelo mundo com suas conferências abundantes e determinadas.


O Brasil sozinho é capaz de alimentar mais do que todo o mundo hoje tem de gente, baseando-se nas tecnologias que hoje dispõe, bem como território e as técnicas aliadas, mesmo sabendo que a agricultura brasileira enfrenta muitos problemas graves que o impedem de produzir ainda mais e melhor, um destes problemas é a falta de expansão das técnicas científicas como a fertilização do solo, preservação dos alimentos, polenização das plantas, intercruzamente de subsespécies mais resistentes a doenças, controle de pragas, combate à seca e má infraestrutura modal fortemente dependente das rodovias, em vez de hidrovias e principalmente ferrovias.

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