Superpopulação e mitos cap.1
- Thiarles Sosi
- 3 de dez. de 2022
- 10 min de leitura
Atualizado: 3 de dez. de 2022
Série de artigos corrigidos e atualizados de um estudo autoral feito em 2019 sobre a questão da superpopulação e a capacidade da Terra de suportar o crescimento populacional humano, baseada na disponibilidade e/ou capacidade de alimentos, no que concirna principalmente ao Brasil.
(Nota preliminar: Há estimativas que em meados de Novembro de 2022 o mundo alcançará o número de 8 bilhões de pessoas, e discussões como estas são levantadas pelos organismos internacionais e governos nacionais como questão urgente de saúde pública. O problema moral e ético destas discussões levou e leva a formas odiosas de tomada de decisão que dizem respeito ao direito básico de viver)
Parte 1 - Superpopulação e mitos
Nesta primeira parte, abordaremos a questão de se existe uma superpopulação, e se tal superpopulação é o problema da escassez alimentar ou econômica hoje pelo mundo.
1. Brasil e comparação com outras nações semelhantes
Neste estudo abordaremos um assunto que desde o último século tem se tornado tabu questionar, mas que está no cerne das discussões políticas nacionais e globais: a questão do crescimento demográfico. Há um ponto de concordância e unanimidade entre as autoridades políticas e intelectuais, mas que se apoia em falácias. Este ponto é a associação entre crescimento populacional e a capacidade da Terra de suportar um contingente crescente, e seu respectivo envelhecimento populacional e longevidade, podendo trazer o colapso econômico, resultando na necessidade de controle de natalidade e de recursos para sustentar o ser humano na Terra. Mas, por outro lado, temos questões de ordem objetiva que ninguém interpõe entre estas discussões: o que deve ser feito para uma nação se tornar grande economicamente? Qual é o segredo de uma grande nação de ser? O segredo se chama "gente", o segrego é que quanto mais gente, melhor.
Poucas políticas conquistaram tanta harmonia de opiniões quanto a necessidade de controle populacional e de natalidade: Liberais, Conservadores, Centralistas, Esquerdistas, Estatistas, todos, enfim, defendem abertamente esta necessidade. Até nas correntes religiosas ou ditas desta maneira concordam sobre a necessidade de "responsabilidade social" com a procriação, que o nascimento de filhos não mais diz respeito ao casal, mas à aceitação social que hoje, no Brasil, é de dois ou três filhos no máximo. As únicas objeções significaticas no mundo atual são os católicos e os muçulmanos, os primeiros defendem a abertura para a vida, os segundos, conquistam mundialmente pela sua crescente prole. Mas mesmo entre os católicos, nem a Providência Divina, nem a Cruz que cada cristão deve carregar, nem doutrina ou benção bíblica à família numerosa e ao homem que 'jovem enche sua aljava', é capaz de colocar em uma grande massa de fieis a ideia de ter uma prole numerosa agraciada por Deus; mesmo entre os católicos há contestação desta doutrina e há aceitação de controle demográfico, de natalidade e redução de famílias para "melhor viver neste vale de lágrimas que não cabe mais tanta gente sofrendo". Resta, então, os muçulmanos, únicos verdadeiramente conscientes da força que o crescimento populacional tem; eles sabem o segredo de uma grande nação que é um povo numeroso e crescente. Todas as sociedades, absolutamente todas, estão condenadas a desaparecerem, incluindo os católicos, com exceção exclusiva e sumamente vitoriosa da comunidade islâmica mundial que continua a ter filhos. O Islã será o rosto de amanhã sobre a face da Terra. Os demais grupos humanos, o que acontecerá com eles? Se tornarão em grupos isolados espalhados pelo mundo, em subculturas, vivendo a mercê da cultura dominante.
A preocupação com o crescimento populacional tem como eixo politicamente correto o fato de que a Terra possui recursos limitados, e por isto, o controle do aumento populacional se faz necessário, para não esgotá-los. Mas isto é uma afirmação muito débil, levando-se em conta que não basta saber que os recursos são limitados, mas quais são os recursos e quais são limitados, e em quais quesitos de aplicação eles são ou serão limitados para o homem no futuro. Outra questão é se o simples aumento populacional prejudica a manutenção dos recursos ou determinado tipo de consumo se esgota. Ora, sabemos que um homem estadunidense não consome o mesmo que um bengali ribeirinho, qual deles esgota a Terra? Porém, quando se evoca o argumento de recursos limitados, geralmente o exemplo mais bem citado é o da produção agrícola, assim sendo, segundo esta ideia malthusiana, não há terra o suficiente para alimentar uma quantidade crescente de pessoas, mas ninguém arriscaria dizer, sem cometer equívocos, o quanto de gente a Terra suportaria, pois inúmeros fatores devem ser considerados e enumerados para se fazer uma boa avaliação, por exemplo:
Quanto de terra agricultável há na Terra; quanto pode ser recuperada;
Qual a capacidade produtiva máxima de alimento em cada área, objetivando alimentos básicos da alimentação humana como cereais e tubérculos;
O quanto come cada pessoa; quanto é necessário para um homem adulto e robusto viver;
Quais produções alimentares demandam mais recursos e quais menos;
Formas de se armazenar alimentos para temporadas de maior produção natural;
Quanto há de variabilidade aproveitada entre subespécies mais produtivas de alimentos para determinados tipos de solo[¹].
O trabalho minucioso de se investigar isto demanda não um ou dois, mas inúmeros trabalhos científicos, porque são inúmeras lacunas de investigação ao redor do mundo. Várias hipóteses poder-se-iam ser levantadas como o surgimento melhorado de novos alimentos, a criação de novas tecnologias potencializadoras da produção agrícola, e as próximas fronteiras do milênio a serem conquistadas, como espaço sideral e desertos da Terra. São inúmeras questões que não foram e nem serão resolvidas, categoricamente em pouco tempo. Sabemos que existe um limite e está latente na própria essência de - 'o ser terrestre', quer dizer, ser matéria limitada, mas quão limitada é? Então afirmações e preocupações quase histéricas e grosseiras por parte das classes midiáticas, políticas e até científicas, exigindo a tomada urgente de decisões para ontem a respeito de controle demográfico por causa da limitação de recursos terrestres é no mínimo injustificável, do ponto de vista da mesma ciência e mesmo da ética.
Para citarmos um exemplo bobo, mas ignorado, pensemos num país grande como o Brasil; este país possui 200 milhões de habitantes; existe um país tão grande quanto o Brasil com uma população maior? Sim, há dois: Estados Unidos e China. Os EUA possui uma população de 300 mihões de habitantes, ou seja, 50% maior que a do Brasil, isto significa de imediato que o Brasil pode abrigar 100 milhões de pessoas a mais? Bem mais do que isto, e veremos logo a frente. A China possui 1.4 bilhão de pessoas, ou seja, 7 vezes mais que o Brasil, 700% maior que a do Brasil. Só com estes dois exemplos já bastariam para anular a tese de que o Brasil tem uma grande população ou quase em excesso, e que por isto necessitaria de uma política ambiental de controle de natalidade urgente. Mas o Brasil poderia abrigar não só 1.4 bilhão como a China, como poderia abrigar bem mais, logo se verá.
Demos continuidade comparativas; o segundo país é a Indonésia que possui 270 milhões de habitantes e uma área 4,5 vezes menor que a do Brasil; este país, assim como o Brasil, é tropical e de solo fértil, florestal, úmido, portanto, uma comparação mais próxima da realidade brasileira. Se a Indonésia fosse do tamanho do Brasil com a mesma população, teria mais de 1,2 bilhão de pessoas. Mas vamos mais longe, este país possui uma grande concentração populacional numa única ilha que é menos de 10% do território nacional, Java, que possui quase 150 milhões de habitantes em uma área de 125 mil km², ou seja, metade do Estado de São Paulo. Grande parte dos javaneses, no entanto, vivem na zona rural, ao longo de pequenos rios e em pequenas propriedades, é uma ilha de camponeses, com exceção da capital indonésia, Jacarta que possui de 30 a 40 milhões de pessoas em sua região metropolitana, uma outra Tóquio em franca ascensão. Alguém poderia citar que a Indonésia passa por sérios problemas de desmatamento e que a razão disto é a superpolução, mas não é, os problemas ambientais da Indonésia, especialmente desmatamento, são causados principalmente por causa das grandes indústrias estrangeiras que nela se instalaram e compram sua madeira, plantam monoculturas como dendê, e caça de animais exóticos, e a recente industrialização agressiva dos últimos trinta anos, como várias nações asiáticas[³].
Demos continuidade comparativas; o segundo país é a Indonésia que possui 270 milhões de habitantes e uma área 4,5 vezes menor que a do Brasil; este país, assim como o Brasil, é tropical e de solo fértil, florestal, úmido, portanto, uma comparação mais próxima da realidade brasileira. Se a Indonésia fosse do tamanho do Brasil com a mesma população, teria mais de 1,2 bilhão de pessoas. Mas vamos mais longe, este país possui uma grande concentração populacional numa única ilha que é menos de 10% do território nacional, Java, que possui quase 150 milhões de habitantes em uma área de 125 mil km², ou seja, metade do Estado de São Paulo. Grande parte dos javaneses, no entanto, vivem na zona rural, ao longo de pequenos rios e em pequenas propriedades, é uma ilha de camponeses, com exceção da capital indonésia, Jacarta, que possui de 30 a 40 milhões de pessoas em sua região metropolitana, uma outra Tóquio em franca ascensão. Alguém poderia citar que a Indonésia passa por sérios problemas de desmatamento e que a razão disto é a superpopulação, mas não é, os problemas ambientais da Indonésia, especialmente desmatamento, são causados principalmente por causa das grandes indústrias estrangeiras que nela se instalaram e compram sua madeira, plantando monoculturas como dendê, e caça de animais exóticos, e a recente industrialização agressiva dos últimos trinta anos, como várias nações asiáticas passaram[³].
O próximo exemplo é o Paquistão; este país possui área menor que Minas Gerais e São Paulo juntos, e uma população que já superara a brasileira nos últimos anos, 225 milhões de habitantes, mais de dez milhões a mais que o Brasil, esta diferença equivale a uma cidade de São Paulo num país mais de dez vezes menor que o Brasil, com um detalhe a mais, além de bem menor, é constituído em grande parte por desertos e montanhas rochosas escarpadas, fazendo a divisão entre o Oriente Médio e a Índia. Banhado pelo vale do Rio Indo, é ao longo deste rio e num alcance médio de 100 a 150 quilômetros de um extremo fértil a outro, onde se desenvolvem as culturas e a maior parte das cidades ao longo de 3 mil quilômetros do curso hídrico. Metade das terras paquistanesas são desertos puros, e a outra metade é em grande parte terras inapropriadas ou inutilizadas para a agricultura e pecuária. A hidrografia rica pujante da bacia do Rio Indo corrobora para que a agricultura familiar, as pequenas propriedadas e as aldeias sejam prolíferas e consigam se sustentarem sozinhas em grande parte. Desertos, rochas, montanhas, tempestades, neve, extremismos da natureza de topo tipo, são o que predominam e fazem parte do dia-a-dia da população paquistanesa, e mesmo assim, superaram e muito a população brasileira. O Paquistão é a evidência de que é o trabalho no solo pelo trabalhador rural o que faz a produtividade e, sua população continuará a crescer sem se preocupar com a questão de superpopulação.
Outro país é a Nigéria; além de ser o país mais populoso da África, superou o Brasil em população, numa área do tamanho do Sudeste do Brasil (Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo), é como se pegássemos toda a população do Brasil e colocássemos dentro do Sudeste ou Mato Grosso, e ainda aumentássemos esta população. Além de tudo isto, e apesar destes dados, a Nigéria possui uma das maiores taxas de crescimento populacional do mundo e de fertilidade, 5 ou 6 filhos por mulher, ou seja, tal como a geração dos avós brasileiros atuais. Mas também a Nigéria possui uma população pobre em grande parte, e é um dos alvos preferidos pelos burocratas internacionais que desejam controlar a natalidade[4]. Se o Brasil fosse proporcionalmente populosos como a Nigéria, teria hoje em torno de 1.9 Bilhão de pessoas, isto é, 9 vezes mais do que tem hoje, 900% maior. Poder-se-ia objetar pela pobreza de seu povo, e a ideia de que esta pobreza é causada por falta de espaço para a produtividade, mas já vimos que, em Java, uma ilha sete vezes menor que a Nigéria e com 3/4 da população nigeriana, é em boa parte de pessoas pobres e agricultores, bem como os paquistaneses que também vivem numa área bem diminuta e desértica, além de terras bem menos férteis que as nigerianas, o que deixa claro que não é a terra e nem o espaço, e sim as políticas da Nigéria que não favorecem o seu desenvolvimento socioeconômico aliado ao ambiental[5].
O último exemplo é Bangladesh, um país banhado pelos rios caldalosos do sul indiano, recebendo mirífica água das montanhas do Himalaia. Sua área um pouco menor que 150 mil quilômetros quadrados, o faz semelhante ao Ceará, ou pouco mais da metade do Estado de São Paulo, ou ainda pouco maior que o Estado de Nova York, EUA. Sua população é de 170 milhões de habitantes, ou seja, semelhante a população brasileira nos fins da década de 1990. Grande parte dos bengalis vivem em pequenas aldeias rurais, cultivando em pequenas propriedades, provavelmente uma cultura de subsistência e cujo excedente é vendido em mercados locais e para suas grandes cidades como Daca, que já ultrapassa grandes megalópoles como São Paulo em população.
Boa parte dos bengalis vivem em aldeias rurais com plantações e corredores de florestas que circundam as vilanias, cerca de 60% da população. Devido ao aumento da urbanização, especialmente em Daca, este país enfrenta cada vez mais a escassez de alimentos e a subnutrição.
Se o Brasil fosse habitado proporcionalmente como Bangladesh, teria hoje 9.7 bilhões de pessoas, em grande parte vivendo em pequenas propriedades rurais, tal como era o Brasil há sessenta anos atrás! Para se ter uma ideia, a Terra possui hoje (atualizando os números para novembro de 2022) 8 bilhões de pessoas, e o Brasil sozinho conseguiria sustentar mediante uma agricultura familiar rústica mais do que todo o mundo atual possui. Só isto basta para quebrar com o mito de superpopulação a nível nacional brasileiro e a nível global. É verdade que eu estou desconsiderando vários fatores que corroboram para piorar ou aumentar esta capacidade de sustento de uma superpopulação, mas antes continuemos o raciocínio.
O Brasil poderia abrigar mais que toda a população da Terra apenas baseando-se em agricultura familiar sem tecnologias e outros meios mais modernos potencializadores da agricultura! Mas é certo que não se deve ignorar fatores como meio-ambiente, água potável, terra agricultável, sustentabilidade do solo, que por sua vez remete à rotatividade, mineralidade, salubridade, tecnologia, pressão ambiental, além da utilidade do bioma local para a manutenção da vida no planeta. Todos estes e outros fatores devem ser levados em conta.
Em todos estes países citados (menores que o Brasil com população semelhante ou superior), podemos mapear características em comum:
População rural;
Pouca industrialização;
Êxodo urbano e aumento da subnutrição da população destas cidades, justamente por falta de mão de obra no campo, e este ser de subsistência e primitivo, não mecanizado;
Desemprego, miséria, subssalariado, nas grandes metrópoles;
Infraestrutura escassa e mal-elaborada;
Desequilíbrio econômico nos centros comerciais;
Presença de fortes comunidades tradicionais familiares e rurais autossuficientes;
Comunidades sustentáveis, já que a terra consegue produzir para alimentar toda a comunidade, produzir excedentes e vender em mercados locais, além do que a natureza é preservada pelo contato dos corredores ecológicos, rios e ilhas de parques naturais estabelecidos por estas comunidades[6];
Surgimentos de cidades como Daca, Lagos, Jacarta, Nova Délhi, Mumbai e Karachi, insustentáveis por criarem forte desequilíbrio entre as áreas tangentes ao homem moderno e suas necessidades.
Porém, notemos o paradoxo entre crescimento urbano e crescimento da pobreza e miséria, ao passo que a cultura rural, por mais primitiva que seja, sempre capaz de sustentar uma população muito maior que a mesma população em urbana não conseguiria[7]. O mundo rural é autossuficiente, o mundo urbano é inteiramente dependente daquele. Isto merece um estudo mais profundo posteriormente[8].
Continua nas próximas publicações, acompanhe-nos.



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