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Reflexão sobre o livro "Signos da Paixão: Peixes x Gêmeos"

Quando comecei a escrever o livro "Signos da Paixão: Peixes x Gêmeos" há um anos atrás, não fazia ideia do quanto que colocaria nele o tema dos mitos gregos, seu simbolismo e força poética e ao mesmo tempo colocar tudo isso num drama adolescente cuja estória é baseada num jovem adolescente do nosso século, pois eu acreditava que misturando as duas coisas, a grandeza dos mitos gregos e a mediocridade do jovem moderno estaria, talvez, empobrecendo o potencial do enredo. Mas eu me consolei de escrevê-lo mesmo assim por dois motivos: Primeiro que é um livro boboca feito por alguém boboca, segundo, porque não tive a ambição de dar o meu melhor nele, pois para escrevê-lo eu tive que recorrer ao meu eu mais infantil, mais pueril, mais adolescente, mais medíocre, portanto medíocre também seria o enredo e o livro em si. Fiquei pasmo, porém, quando notei que havia muito de mim nesta mesma adolescência, nesta infância medíocre que teimava em não amadurecer (alguns psicólogos falam duma Síndrome de Peter Pan, mas não chega a tanto, o problema desta infantilidade é outra, cuja base creio que recaia pelo fato do brasileiro não ser provido de muitas figuras heroicas, assim, o próprio homem nesta terra cresce com uma adolescência prolongada como bem explica autores como Olavo de Carvalho no seu Curso Online de Filosofia, fica preso na quarta ou quinta camada da personalidade, cuja teoria é de sua autoria), no entanto percebi também que havia um outro eu na maturidade, e este convivia e ensinava a aquele meu eu adolescente remanescente. Por essa razão este livro é na verdade uma confissão de incapacidade de compreender o cerne do homem, o seu drama pessoal, a sua vocação para o amor que por sua vez exige a maturidade sobre a infância. O meu eu maduro tornou-se ele mesmo o professor a ensinar à criança do meu eu passado e adolescente preso em várias preocupações medíocres que enxergava apenas o próprio umbigo. Assim sendo, escrever tal livro foi como ser um mestre de mim mesmo, como se a minha parte adulta educasse a minha parte juvenil e infantil, e como ainda convivem-se ambas mutuamente!


Na estória, Eros foi alguém que ensinou o jovem Ian sobre os mistérios do outro. Durante a própria escrita deste livro, o outro, o Ian da vida real que servira de inspirações contínuas, era ao mesmo tempo eu mesmo enquanto adolescente e ao mesmo tempo o arquétipo de herói defeituoso porque carente daquela virtude própria dos heróis, ao mesmo tempo símbolo da juventude brasileira atual que carente da figura heroica, vive uma eterna adolescência e umbigo-centrismo. É daí que Eros entra em ação curando o coração do herói ferido por esta adolescência prolongada. Desconhecia este fenômeno, isto é, o da escrita ensinar o escritor mais do que ele ensinaria a si mesmo se não escrevesse uma linha sequer! Que tipo de coisa é essa? É o poder da escrita, mas não de qualquer escrita, é a escrita da alma, aquela mesma (creio eu) que Deus tenha usado sobre os homens inspirados para que escrevessem dignamente as letras das Sagradas Escrituras (sim, meu amigo, as Escrituras Sagradas não caíram do Céu, mas foi o próprio Céu que desceu para falar aos homens sobre a realidade de Deus, do Homem, do Mundo, do Amor, etc.).


Eros, o deus do amor, diz ao garoto Ian que ele o protegia, e que ele deveria vencer o medo de si mesmo, do mundo e por fim o medo de amar. Estes foram e são os meus medos, os medos que perseguiram-me por toda a minha juventude, e no entanto, foram eles mesmos que fizeram-me permanecer na minha adolescência prolongada, porque a mediocridade e nanismo espiritual existe quando o homem não assume-se a sua capacidade interior de vencer a si mesmo, o mundo e o medo de amar. Este medo de amar é o medo de descobrir no outro o mesmo medo, o medo de si mesmo, do mundo e o medo de amar. Também Joana, outra personagem protegida por outros deuses, os Gêmeos Pólux e Castor, tinha esses mesmos medos, mas ela foi levada a outras consequências, porque a adolescência prolongada causada pelo medo da maturidade causa danos diferentes nas almas diferentes. Os gêmeos representam assim a duplicidade, o paradoxo essencial que existe em quase todas as coisas e existe precisamente para isso, para crescer a maturidade dos seres inteligentes. Este atrito entre Céu e Terra quando não administrado pelo Amor, e este se conquista por meio da vitória contra aqueles medos, torna-se num macabro sonho de submundo, já não é a vida humana que ocorre, é um submundo infernal guiado pelo Hades e condenado ao esquecimento de um rio Aqueronte ou quando pior ainda, a criação e nutrição de um monstro terrível na alma chamado Tifão que luta pelo seu oposto, ao invés de realizar a sua vocação máxima, a alma humana padece do seu monstro interior. Tifão é o montros apresentado como tendo muitas cabeças de serpentes e dragões, porque são muitas as paixões que deslocam o amor para lá e para cá, e o medo é um dessas paixões. Isto seria também a criação contrária do herói, ao invés de cultivá-lo dentro de si aquelas virtudes necessárias, cultiva-se o monstro que depois destruirá tudo e a todos mediante a realização de seus anseios e caprichos. Este é o cerne da batalha entre Peixes x Gêmeos narrada no livro e que serve de subtítulo, é o conflito do amor profundo contra a superficialidade do Pisciano, e o conflito de desequilíbrio da Terra contra o Céu do Geminiano, ambos devem buscar o seu equilíbrio, e este obtém-se pela perda do medo de amar o outro. Novamente vence a ti mesmo, vence o mundo, vence o medo de amar!


Importante descrever o papel significativo que o mestre tem sobre o aprendiz não apenas neste enredo em particular, como na realidade para tudo na vida. Se o homem é aprendiz dos deuses, a quê ele é destinado a ser e viver? Como deuses, evidentemente! Assim é em todas as culturas humanas, são as entidades superiores a ensinar aos homens o caminho do crescimento, e este crescimento é sempre (imanente ou transcendentemente) para uma ordem superior de realidade da qual o homem está inserido e na qual ele deve ser provado.


Aristóteles dizia que o jovem não pode ser sábio porque o jovem está determinado a ser guiado pelas paixões, e adivinhe! O cara estava certíssimo. Eu achava um exagero quando Aristóteles dizia isto, na minha arrogância eu dizia comigo: "Ele não me conhece". Mas de fato o jovem está determinado a realizar as suas paixões e por isso mesmo impressionei-me positivamente e negativamente quando ao escrever o meu livro boboca descobri o quanto que na minha juventude até hoje (e ainda sou jovem), o quanto que a força das paixões são fortes e me impulsionam a querer realizá-las! Aristóteles estava certo, o jovem não pode ser sábio porque para isso teria que transcender as sua paixões, e tirar as paixões do jovem é como tirar-lhe o gosto por viver. Então talvez não seja porque o jovem não possa ser sábio, mas a própria natureza da juventude é diferente da natureza do sábio, e reconhecer que ambos são distintos já é o começo de sabedoria providencial. Se o jovem não pode ser sábio, cabe que ele seja guiado por sábios, e é aí que entra o papel do Mestre e o seu Aprendiz na vida do homem, e sobretudo na vida do herói. Aborreço-me de vez em quando por ver aquelas imagens sacras dos 12 apóstolos ao lado de Cristo, todos eles como velhos ao lado de um jovem adulto em plena idade de ação. Ora, quem não sabe, e de vez em quando é bom lembrar, que os 12 apóstolos eram jovens? Eles foram chamados por Cristo em sua juventude, talvez alguns ali não fossem adolescentes, mas para a reflexão do que escrevo, poderíamos considerá-los como tais sim, adolescentes determinados a realizar as suas paixões. Cristo com toda a sua paciência divina chama estes jovens, pesca-os, e pescar homens significa fisgar as suas almas naquilo que delas é passivelmente captável, apreensível. Mas como eu havia dito, os apóstolos eram jovens quando Cristo chamou-os, e continuaram jovens quando Cristo subiu aos Céus, então que raios de louvor a velhice é esta que é colocada ao lado de Cristo na Santa Ceia? Ora, esta velhice é o símbolo da sabedoria alcançada por aqueles jovens de carne e osso que um dia só quiseram atender as suas paixões e viu-as realizadas no servir a Cristo, o Mestre com o Pleno Saber. O mestre ensina ao seu aprendiz por meio de exemplos que remetem às suas próprias experiências, muitas vezes passionais e frutos dos sabores da juventude, das quais muitas vezes o jovem aprendiz depara-se diante do mesmo como que vendo-se a si mesmo diante de um espelho para o eu do futuro. É realmente verdade verdadeira, como se diz na minha terra, que o jovem não pode ser sábio enquanto jovem, porque pela própria natureza da sabedoria humana, ela necessita de tempo e espaço para crescer. É verdade verdadeira também que vendo o sábio, o jovem aprendiz cria o desejo de ser como ele deve ser, alguém que busca a sabedoria. Mas a sabedoria é antes aí uma predisposição a querer compreender algo bom em si mesmo, a verdade das coisas, para daí obter as respostas para o seu eu juvenil. É justamente isto que significa o drama existencial de Ian e Joana no enredo, ambos são dois jovens que querendo levar a cabo suas paixões, acabam que orientados pelos deuses a buscarem a verdade de si mesmos para além das mesmas paixões. Se existe finalidade nas paixões, é que são por meio delas que o homem é impulsionado a entender isto ou aquilo, se não quiser entender, estará fadado a ser um animal sofredor que não sabe porque sofre tanto. Por isso as paixões servem de sinais para o dever saber, não para o dever realizar, não é à toa que os signos do zodíaco são a grosso modo signos da própria alma humana, e menos à toa ainda é o fato dos deuses guiarem por meio da inteligência sobre as paixões humanas.


Escrever Signos da Paixão é por assim dizer narrar ou procurar descrever os mistérios do Amor sob as águas profundas de Peixes e os conflitos entre Céus e Terra de Gêmeos. É o resgate da alma do submundo e o seu encontro consigo mesmo diante daquele que é Deus e Amor, Amor que é sobretudo Eros, isto é, inclinado a unir-se e ser um só com o outro. Signos da Paixão é a narrativa sobre a juventude que descobre o amor e perde o medo de amar. Então mais do que uma narrativa, é uma descrição ou a busca de sintetizar aquele drama da alma juvenil que precisa amadurecer sobre as coisas do amor, pois esta diz respeito à maturidade, maturidade que não abandona a criança e o jovem, mas que abarca esta criança interior e a protege como o Mestre que guia o seu Aprendiz. Enquanto homens somos eternos aprendizes, e muitas vezes os mestres somos nós mesmos, mas não enquanto homens, e sim como aqueles que escutam a voz suave dos deuses a falar no ouvido a realidade que nos rodeia.





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