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Senso Profético e o Brasil Contemporâneo

Senso Profético e o Brasil Contemporâneo: O Brasil no Jardim das Aflições





Em tempos de inconstitucionalidade, agir constitucionalmente é rei. Jair Bolsonaro é para a surpresa de zero pessoas honestas que o acompanham, o presidente que mais age dentro da Constituição. Confesso que pensei que ele se esforçaria para imperar a sua vontade quando ele ainda era pré-candidato, mas na verdade ele é um docinho de coco, como diz o Olavo. Nunca vi alguém respeitar tanto as leis e aos que não merecem respeito algum. Mas não vamos falar exatamente de política e leis, mas sim de algo que está um pouco mais fundo do que estas coisas e que, no entanto, é a causa delas, ao meu ver:


Quero trazer à citação como continuação de um artigo que estou escrevendo e que gira em torno desta mesma citação o livro do professor Olavo de Carvalho “O Jardim das Aflições”. Neste livro onde o filósofo e professor brasileiro sintetiza todo o desenrolar das ideologias e filosofias que deram origem ao pensamento do nosso mundo atual, nada menos do que a Ressurreição de César, traz-nos o seguinte problema que, para mim, chama muito a atenção por ser o núcleo da história, o núcleo das mudanças sociais relevantes:

É só a banalidade do mundo de hoje que pode conceber os profetas como meros vaticinadores das coisas futuras… O profeta é uma força agente, não um observador. Ele determina o curso dos eventos, ele gira o botão do acontecer histórico, imprimindo-lhe uma direção totalmente nova, gerando efeitos de escala incomparavelmente superior ao das forças causais até então agentes. Ele determina uma súbita elevação do nível do devir histórico, onde repentinamente uma profusão de forças dispersas, caóticas e inconciliáveis se unifica numa nova direção da vida humana, dando um sentido ao caos e iluminando a uma nova luz a meta permanente da existência.” Olavo de Carvalho, O Jardim das Aflições, Edição 3, Vide Editorial, página 245

Olavo vai no cerne do devir histórico, a grande chave de interpretação e continuidade não provém da História rumo a lugar algum, mas da intervenção profética que aponta o caminho de evolução para a ruína em que se está a mesma História. Parece taxativamente irônico, mas é assim que funciona a própria História. Ela busca de algum modo interpretar o caminho pelo qual ela passou e para onde quer chegar, leia-se onde o Homem quer chegar, mas o perigo está em achar que em si mesmo o Homem tem a resposta, na realidade ela vem de fora dele, e aí é que está o papel do Profeta. Como bem explicou o professor Olavo, é o profeta que corrige a História não por seu próprio poder, mas pelo poder da realidade revelada desde fora por quem está para além dela mesma, ou seja, alguém que não depende da História, mas age nela, não como coadjuvante, mas autor e protagonista.


O perigo existe quando há os falsos profetas que dizem saber o que a Suma Consciência tem a dizer sobre os rumos da História. E como há falsos profetas hoje em dia! Eles estão no Congresso Nacional criando leis para amarrar as mãos do cidadão, nos Jornais, nas Revistas e na TV ditando o que pode ser ouvido e compreendido, na Internet censurando vozes distintas, no STF como juízes supremos da realidade e porvir histórico, como os profetas que sabem para onde exatamente a sociedade deve ir, e por isso, alheia a ela mesma, pode interferir por ser um agente que detém a Autoridade Divina, mesmo que esta falsa autoridade provenha de quem tem fé em João de “deus”. O problema que ocorre no Brasil é que há falsos profetas demais conduzindo o país, e os verdadeiros estão sendo sufocados. Sempre na História, foram os verdadeiros profetas a serem perseguidos e os falsos os perseguidores. E aí, Seu Barroso, Alexandre Morais, Gilmar Mendes, Carmen Lúcia e Cia? Vão continuar perseguindo o desejo de ditarem os rumos do país como profetas do bom senso, progressismo, cientificismo? Serão profetas do Caos, isto sim! Há poucos profetas no nosso país, e todos eles foram calados.


Quem de boa vontade não percebe que uma mera decisão de impedir que vozes dissidentes ganhem o salário do seu trabalho por meramente fazerem críticas contundentes sobre a interpretação jurídica das leis que em tese deve garantir a Lei a Ordem nacional como uma forma demoníaca de opressão já condenada na Bíblia; “O Trabalhador merece o seu salário”, é sinal de que possui a alma desumanizada e corrompida pela pior espécie de política, aquela que vende a própria alma e compra o diabo. C. Lewis já abordava em Cristianismo Puro e Simples que quanto mais o homem é mal, mais pensa que é bom, e quanto mais ele é bom, mais pensa que é mal. O apoio de pessoas ao impedimento de que pessoas com ideias contrárias recebam o seu salário ou tenham o seu sustento já não está mais no plano da humanidade, e sim na briga de cães pela carniça jogada aos ares. Elas vão dizer que não fazem por maldade, mas apenas para calar as vozes dos opressores que desejam fazer mal às outras. Ora, se elas realmente pensam assim, qual a moral para pedir tal coisa? Para impedir os opressores elas mesmas se tornam em mais opressoras, para dar a liberdade às minorias elas oprimem as maiorias, para impedir o mal de avançar, elas se tornam ainda mais más. Olha o perigo em que se está por estas bandas! Quanto mais 'bons' nós somos, mais maus nos tornamos. Nunca vi uma pessoa como o senhor “binistro” Alexandre de Morais vir a público para explicar as suas decisões e mostrar o quanto que os conservadores na realidade estão interpretando mal as suas ações. Ele nunca veio ao púlpito dizer por exemplo: “Vejam, eu não tenho nada contra em vocês apoiarem o Cristianismo, o Voto Auditável, Jair Bolsonaro, Separação entre os Poderes, ou a Família… apenas não posso aceitar alguns termos que alguns aqui falaram por ir contra a lei em tal e tal situação… vocês têm o direito de me criticar e têm o direito de questionar as minhas decisões, mas elas estão dentro da lei por estas e estas razões...” seria uma franqueza digna de um ministro, então obrigatoriamente os conservadores ou quaisquer dissidentes buscariam meios civilizados de defender as suas ideias sem atacar a ordem jurídica. Isto se chama “elevar o debate”. Mas o que se vê é o uso da caneta e da autoridade para perseguir todos os contrários com a discricionariedade do “não gostei do que ele disse, mamãe!” Dessa forma não é possível um debate digno de quem tem a autoridade jurídica e o saber nas mãos, ao contrário, isto caracteriza aquele profetismo de que os falsos profetas se arrogam e levam a cabo contra os verdadeiros profetas. Não que a nossa situação se divida entre verdadeiros profetas conservadores e falsos profetas progressistas, mas sim de que os conservadores estão sendo perseguidos por serem conservadores, o que significa que sua visão de mundo está sendo posta na censura, isto indica que aqueles assentados de autoridade e que compartilham de ideologias progressistas acham que a sua visão de mundo é o verdadeiro porvir histórico, é a evolução da sociedade.


Daqui retomo o Livro O Jardim das Aflições, é esta ideia de evolução da sociedade, isto é, o Positivismo Histórico que deve ser combatido veementemente por todos aqueles que possuem a luz da verdade, pois é aí que mora o perigo. É por esta ideologia que o seu crente age pelo bem social, acredita ter as chaves do que é certo e errado. Na verdade a coisa vai mais a fundo e não se trata de apenas um Positivismo Histórico, mas de um com o Cronocentrismo.


O Cronocentrismo, conceito desenvolvido por Olavo de Carvalho, é definido pela ideia da valorização da novidade científica, literária, artística, jurídica e etc; proveniente da contemporaneidade, isto é, do que é produzido atualmente como sendo a “Alta Cultura” e o “Ápice Civilizacional”, em geral associado à Europa e Estados Unidos no que concerne ao que é produzido por modismo por lá, em detrimento do que já foi conhecido e ensinado pelos melhores do passado, ou pelas vozes dissidentes em meio a este jogo de modismos. Perdoa-me o professor Olavo, se eu tiver definido incompletamente o Cronocentrismo por este parágrafo, mas creio que para a nossa reflexão é suficiente saber e precisamente categórico entender pois que o cronocentrismo associado ao positivismo historicista é a grande ruína nacional brasileira e que, mais do que ideologias materialistas, marxistas, ou mesmo positivistas e liberais, são a grande fonte a influenciar as decisões tomadas por quem detém o poder nas mãos, sobretudo o jurídico. O STF não é apenas uma Corte que sai da esfera que lhe cabe, ele apenas está assumindo o que a ideia de uma Corte Positivista, Historicista composta por juristas que padecem do Cronocentrismo deveria assumir. A Pandemia evidenciou isto de maneira tenaz, mas a idolatria à Urna Eletrônica foi outro fator desnudante. A ojeriza pela palavra “Conservador” também revela isto, pois sentir desprazer pela ideia de preservar o que se tem em patrimônio, história, valores, civilidade, piedade pela profundidade metafísica e religiosa, é sintoma claro de quem padece do cronocentrismo e vê nos algoritmos produzidos por senhores quietos em salas de computação como sendo as máximas de uma nova revelação divina.


O povo brasileiro é em geral muito dado ao avanço tecnológico, e associa tecnologia e suas peripécias novelescas como sendo o suprassumo da evolução civilizacional. Esta ideia não é alimentada pelo povo, mas por sua elite, da qual pertence e provém os membros da atual Corte do STF, Congresso Nacional, e até da composição dos Ministérios do Estado e de Governos. Quem não ouviu por parte da mídia, e por parte dos governadores a ideia de “Defender e acreditar na ciência”? Eu mesmo ouvi isto da boca de parentes que a despeito de minhas opiniões baseadas em estudos científicos, fui taxado de não acreditar na ciência e ser assim como um lunático que fantasia crenças ou acredita em toda estória da carochinha espalhada por Whatsapp, quando na verdade é precisamente o contrário! Justamente por isto que estamos no meio de um tiroteio de doenças sociais que se intercruzam, uma manada de elefantes a atravessar um pântano rapidamente e somos aqui no meio deste redil, não mais do que gazelas fugindo dos leões e das pisadas dos elefantes.


O STF na pessoa de seu Alexandre de Morais é a personificação do Jurista Cronocêntrico que não respeita nem sequer as próprias opiniões e falas públicas, quem não sabe do exímio defender da Constituição, da Lei, e da Liberdade de Expressão professados pelo Senhor Ministro? É público. Mas ele agora é o antagonista de tudo aquilo que dizia defender, protagonista do Caos institucional.


É por estas e outras razões que o Brasil em 2021, mais do que talvez o próprio 1964, caminha para um Ponto de Inflexão histórico; “Ou ficar a Pátria Livre ou morrer pelo Brasil” que acende nos corações de milhões de brasileiros a despeito daqueles que tomaram as instituições ou que defendem o silêncio aos adversários conservadores. A Esquerda está em perfeito silêncio porque sabe que se os conservadores, ou melhor, o Brasil Profundo for calado, ela é quem tomará conta do Brasil, pois ela é quem possui a chave da Falsa Ciência, o Falso Profetismo, o Falso Porvir. Mas o povo brasileiro, que sempre assistiu bestializado as maldades dos seus inimigos, nunca se entrega ao derrotismo, por mais avançado que esteja a mão dele. O Povo Brasileiro com a sua simples vontade diz basta, mas precisa saber que o momento do basta se aproxima a passos largos porque o Establishment declarou guerra às liberdades democráticas da nação, e não são as instituições per si, nem Congresso e nem o Governo quem terá o protagonismo da retomada da Lei e da Ordem, mas o próprio povo nas ruas, em peso, em autoridade.


Não se trata, pois, de apoiar presidente X ou Y, ainda que isto seja legítimo, mas o núcleo mesmo desta defesa advém da necessidade de defender a Ordem, a Disciplina, o Terreno, o Caminho e a mesma Liderança deste caminho para parafrasear Suntzu. “Caminho é aquilo que leva harmonicamente o povo a seguir o seu comandante por onde for, pela vida e pela morte, sem temor”, diz. Ora, Bolsonaro não pode titubear. Titubear agora significa perder o engajamento, significa aniquilar a vontade popular, mais do que isso, a Esperança de Ordem e Civilidade. Mas não é tempo de perder as esperanças, não é tempo de esperar pelos outros.


Este artigo que era para ser uma simples tentativa de análise conjuntural, acabou sendo um apelo cívico, mas não deixa de ser as duas coisas irremediavelmente, pois, não é tempo de olhar desde fora o problema, estamos vivendo um problema muito pior que 1964, muito mais latente e muito mais promíscuo espiritualmente falando. É a tomada pelos Poderes por uma força política com tons de Potestade demoníaca. O povo brasileiro precisa fazer este exorcismo espiritual, político, social, cultural, cronocêntrico, para só aí restaurar a civilização.


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