Quem governa hoje é a máquina
- Thiarles Sosi
- 31 de ago. de 2024
- 3 min de leitura

Plínio Salgado, A Quarta Humanidade:
A machina creará castas soberbas que fulgurarão no luxo e no esplendor, mas que estarão sempre inquietas, pois cada dia há novos condemnados por ella, a descer para a forçosa proletarização. Tudo se mechanizará e os governos não mais governarão, porque a machina confirma o império do individualismo econômico e os governos, limitados pelo senso precavido dos velhos nominalismos, não trazem dentro de si, já não dizemos o finalismo dos princípios theológicos, mas nem mesmo o apriorismo kantiano. A machina tem a sua psychologia, tem sua philosophia, tem o seu orgulho, tem os seus processos, e o funccionamento dos poderes nas democracias occidentaes obedece ao rythmo desse metabolismo e dessa concepção formal dos movimentos da machina.
Este trecho encontrado em A quarta Humanidade revela-nos não uma síntese, mais a profecia cumprida do mundo do século XXI. Vivemos tragados pela máquina, que neste momento encarna muitos mecanismos, todos eles como peças de engrenagem muito confusas a um olhar interno, porque as massas estão sendo dentadas nos dentes das roldanas desta máquina prodigiosa, e só quem está fora dela, se é que isto é possível, consegue enxergar. Lamento muito, mas eu sou um desses que estão fora, e você provavelmente não o é.
Para que uma lei seja promulgada hoje, ela deve estar de acordo com a cartilha das Nações Unidas, mas por trás das Nações Unidas há outras cartilhas, a da união e síntese entre liberalismo e comunismo que é o que há hoje. Quando se explica a relação de poder existente entre globalismo e comunismo, chegamos à conclusão de que se trata de uma única realidade, ou para usar a linguagem de Plínio, uma máquina, que se move e é movida por aqueles que desde fora a manipulam, conhecendo as engrenagens e as articulações de suas peças. Tal imagem capciosa é tida pelos céticos como teoria da conspiração, quando a própria expressão "teoria da conspiração" é um termo criado pela engrenagem da máquina, a fim de impedir um olhar profundo e desconfiado de indivíduos. Ela serve para espantar os mais curiosos, e os mais tolos caem nela, digo, pensam estar bem quando não se aprofundam, pensam estar ainda melhor quando saem dela para cair num invólucro raso de um abismo enganoso. Quando caem, caem numa máquina secundária, de fora do eixo da máquina principal, são as máquinas de brincar criadas só para enganar os poucos desavisados dela. A segurança para um lugar seguro reside no conhecimento da metafísica, e esta foi tão esvaziada pelos céticos deprimentes da, mal assim chamada, filosofia moderna, que acham mesmo poder duvidar da metafísica como uma entidade meramente mental. Assim, mental também são todas as ideologias, porém, estas são adotadas como realidades benéficas porque visam a grandiosidade futura do homem, e assim, liberalismo e comunismo são ideologias aceitas para o progresso da humanidade, como duas roldanas que se atritam, mas que giram a mesma máquina revolucionária.
Por um lado temos os ricos, que perseguem a fortuna e o avanço tecnológico, crendo que dessa forma, de alguma forma, aumentam a liberdade e o progresso civilizacional. Por outro lado, temos os coletivistas, aqueles que perseguem o estado e a burocracia, e a tornam no meio seguro e firme de frearem os ricos. Raciocínio este que está correto, se a intenção é haver um equilíbrio entre a geração de riqueza, tecnologia e o poder do estado sobre o indivíduo, e a concentração desta nas mãos de uns poucos, tanto na área econômica, quanto na área política.
Explicar o funciomanto de tal mecanismo é o mesmo que dar murro em ponta de faca, não adianta nada, e antes se fere e se prejudica do que cria uma vantagem.



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