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Qual a relação entre Congresso Nacional, Arquitetura, Simbolismo e Desgraça Nacional?

Atualizado: 1 de dez. de 2021

Qual a relação entre Congresso Nacional, Arquitetura, Simbolismo e Desgraça Nacional?



Brasília é como tudo no Brasil fruto da vontade de uma meia dúzia de homens que se arrogam iluminados por impor as suas ideias grosseiras, simplórias em detrimento de toda a nação, era assim pelo menos desde a fundação da República até hoje com STF, Partidos Políticos do Foro de São Paulo e outros. Foi assim também na construção da própria capital, fruto da vontade de um presidente de ideias rudes sem qualquer propensão para enxergar o belo ou o que vem de suas decisões para além de seu governo, dois arquitetos com ideias simplórias e utilitaristas seguidores fanáticos de um modismo revolucionário e redutivo das formas em que menos de meio século se viram ultrapassadas, pesadas, sombrias e velhas, e um bando de oligarcas propensos a realizarem algo às pressas e extremamente novo, rompendo com as tradições da nação e afastando a organicidade nacional que deveria ser própria de toda capital. Brasília é sim a síntese do Brasil, mas do Brasil burocrata, dos medalhões, dos oligarcas, do Establishment e daquela dicotomia quase metafísica entre Estado e Povo. Mas isto tem método, há de se desvendar pelas linhas a seguir:


Em 19 de setembro de 1956 foi sancionada a Lei no 2.874, que criou a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap). Para presidi-la foi nomeado Israel Pinheiro, engenheiro formado na Escola de Minas de Ouro Preto, político mineiro, filho do ex-presidente de Minas João Pinheiro e amigo de JK. Segundo Otto Lara Resende, Brasília foi produto de uma conjugação de quatro loucuras: a de Juscelino, a de Israel Pinheiro, a de Oscar Niemeyer e a de Lúcio Costa. Israel Pinheiro foi figura fundamental na construção da nova capital, mas não se deve esquecer o papel de Bernardo Saião e Ernesto Silva, também diretores da Novacap e destemidos tocadores de obras, como gostava JK.
O projeto aprovado, de autoria de Lúcio Costa, dividiu a opinião dos arquitetos. Para uns, não passava de um esboço, um rabisco, e sua inscrição não deveria ter sido sequer aceita. Para outros, era simplesmente brilhante, genial. O representante do Instituto de Arquitetos do Brasil, por exemplo, abandonou o júri por divergir do resultado, já que a proposta de Lúcio Costa era apenas um rascunho. Os concorrentes derrotados não se conformaram e criaram uma polêmica que repercutiu na imprensa da época.[1]

O projeto dos arquitetos modernistas fora aceito por "unanimidade" por uma questão ideológica, já que o projeto de Brasília sob arquitetura modernista era a perfeição para uma sociedade tecnocrática, estatizante, oligárquica, utilitarista e uniformista. Existe muita semelhança entre Brasília e as grandes capitais ditatoriais dos mundos distópicos como 1984, onde todos os prédios são visados segundo a sua utilidade, e a relação do povo com a mesma cidade é segundo a sua ordem vincular com o Estado, criando assim zonas mais ou menos excluídas. Não é por acaso que a Brasília orgânica se formou nas várias cidades-satélites ao longo daquele imenso planalto de vegetação cerrada. Os trabalhadores da cidade não faziam parte dela, eram apenas míseros candangos que deveriam morar em zonas afastadas e periféricas. Se isto não é completamente o contrário de uma suposta "Cidade Comunista" utópica ou igualitarista como gostam de dizer, não sei o que é, mas sei que é comunista sim no sentido de que em tal sociedade onde só existe o Estado e o resto obediente, além de um igualitarismo pela feiura, pobre e sintético, isto é fato consumado.

Em 1930, aos 28 anos, Costa foi nomeado diretor da Escola Nacional de Belas Artes. Foi lá que ele conheceu o então aluno e futuro parceiro Oscar Niemeyer. Seu objetivo era introduzir o modernismo na instituição, que era combatido pelo corpo docente na época. Para isso, convidou Warchavchik a dirigir o ensino de arquitetura e criou o salão livre de artes plásticas, local que permitiria experimentações artísticas de alunos e professores.
Em 1931, organizou o salão anual da escola. Pela primeira vez em 38 anos, a instituição recebeu artistas e intelectuais para participar da Exposição Geral da Escola Nacional de Belas Artes. A edição ficou conhecida como O Salão Revolucionário, mas resultou na exoneração de Lúcio Costa do cargo de diretor.
Lúcio Costa já chegou a declarar que arquitetura “é, antes de mais nada, construção, mas construção concebida com o propósito primordial de ordenar o espaço para determinada finalidade e visando à determinada intenção”.[2]

(Chego a ficar arrepiado por esta citação ter vindo de alguém que é considerado dos maiores arquitetos deste país, porque esta frase não é digna mesma de ser citada de alguém considerado "gênio" da arquitetura, pois esta frase é a definição mesma da atividade em si que pressupõe todo o resto. É o mesmo que um médico reconhecido dizer que "Medicina é cuidar de pacientes", ou um professor dizer "Ensinar é ensinar o que alguém não sabe", ou um orador dizer "Falar é pronunciar sons inteligíveis para uma determinada população com determinada finalidade". Tudo isto são pressupostos de qualquer atividade que não cabe ser dado como exemplo de citação ou genialidade, um aprendiz que está tendo contato pela primeira vez com um assunto é que se apega a estes pressupostos, gênios, por definição, dão um novo axioma extremamente coerente que nenhum outro dera, mas que esclarece profundamente algo que antes não estava presente ou notado, de forma que este novo axioma seja um novo passo para o desenvolvimento daquele assunto, um verdadeiro progresso fruto do trabalho de um gênio, isto é, de um trabalho intelectual individual. Disto se vê que o brilhantismo brasileiro possui o nível muito baixo de exigência, a ponto de frases básicas serem elevadas ao nível de filosofemas.)


Outra figura notória neste panorama de homens vazios de ideias e criatividade, completamente viciados deste bacharelismo mesquinho brasileiro, é o Israel Pinheiro, primeiro prefeito de Brasília, burocrata fascista da Era Vargas, governador de Minas. É um dessas figuras que a democracia não é mais que palavra, já que participou de dois governos autoritários ou resguardou o silêncio a fim de não se imiscuir perante a tomada de poder dos militares.


1933 – É escolhido secretário de Agricultura de Minas Gerais pelo interventor Benedito Valadares. Elabora um plano de desenvolvimento cujos pontos principais são a agricultura e os transportes. Participa da criação da cidade industrial de Contagem, dando continuidade aos sonhos do pai, um entusiasta do planejamento e das iniciativas industriais.
1941 – É escolhido por Getúlio Vargas para integrar a Comissão que discute acordos econômicos com o governo americano durante a Segunda Guerra Mundial.
1942 – Cria e preside a Companhia Vale do Rio Doce – CVRD.
1946 – É eleito deputado federal pelo Partido Social Democrata (PSD) de Benedito Valadares. Apresenta projetos na área econômica e, preocupado em interiorizar o desenvolvimento, luta pela transferência da capital para o Planalto Central. Apresenta emenda propondo a localização no próprio local onde depois se ergueu Brasília.
1956 – JK o convida para presidir a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil, a Novacap, e Israel renuncia ao seu segundo mandato de deputado federal para aceitar o convite.
1960 – Em três anos e seis meses a cidade fica pronta. Brasília é inaugurada em 21 de abril. Israel Pinheiro é seu primeiro prefeito.
1966 – Eleito governador de Minas em pleno governo militar, pelo PSD. Ao tomar posse, acentua que as ideias de seu pai “permaneceram vivas e oportunas, constituindo verdadeiro evangelho republicano em que tenho buscado orientação segura e vigorosa inspiração.”[3]

Trata-se de uma das figuras chaves que levaram a cabo a eleição de Juscelino Kubitschek e a construção de Brasília, tendo como parte de sua equipe os ditos arquitetos, Lúcio Costa e Oscar Niemeyer.


A "missão Israel Pinheiro", conforme ficou conhecida na época, afastou os temores quanto à viabilidade de vitória e de posse de Kubitschek na presidência. Na Câmara, sob a liderança de José Maria Alkmin, Israel votou contra todas as medidas propostas para dificultar a eleição de Juscelino representadas, notadamente, pela emenda parlamentarista e pela adoção do critério de maioria absoluta de votos, não previsto pela Constituição.
Em 21 de abril de 1960 Juscelino Kubitschek inaugurou solenemente a nova capital. Em 7 de maio, Israel Pinheiro foi empossado no cargo de prefeito de Brasília, onde permaneceu até 31 de janeiro de 1961, quando o novo presidente, Jânio Quadros, substituiu-o por Paulo de Tarso Santos.
Sem nenhum cargo de representação política, retornou à atividade privada, ocupando a presidência da Cerâmica João Pinheiro. Apesar de ocupar a vice-presidência do diretório estadual do PSD em Minas, continuou afastado de qualquer atividade política significativa até 1965. Não participou da crise provocada pela renúncia de Jânio Quadros em agosto de 1961 nem exerceu função pública durante o governo de João Goulart, mantendo-se alheio também à conspiração que resultou no movimento político-militar de 31 de março de 1964. Por isso, seu aparecimento repentino em 1965 como candidato do PSD à sucessão do governador mineiro José de Magalhães Pinto, da União Democrática Nacional (UDN), causou surpresa em todas as áreas políticas. Em outubro de 1965 venceu as eleições.[4]

Já conhecendo o nosso famigerado Oscar Niemeyer, temos:

1934
Obtém o diploma de engenheiro arquiteto, no Rio de Janeiro.
1935
Inicia sua vida profissional no escritório de Lucio Costa.
1936
No escritório de Lucio Costa, participa da equipe que desenvolve o projeto do Ministério da Educação e Saúde (MES), composta por Carlos Leão, Affonso Eduardo Reidy, Jorge M. Moreira e Ernani Vasconcelos, entre outros. Conhece o arquiteto Le Corbusier, que chega ao Rio de Janeiro a convite de Lucio Costa e Gustavo Capanema, ministro da Educação e Saúde do governo Getúlio Vargas, para atuar como consultor nos projetos do MES e da Cidade Universitária.
1937
Desenha a Obra do Berço, no Rio de Janeiro, seu primeiro projeto construído.
1938
Convidado por Lucio Costa, viaja a Nova York como membro da equipe que projeta o Pavilhão do Brasil na Feira Mundial de Nova York.
1939
Recebe a medalha Cidade de Nova York. 1940 Conhece o prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek, que o convida a fazer o projeto do Conjunto da Pampulha.
1955
Funda a revista Módulo, no Rio de Janeiro.
1956
Convidado pelo presidente Juscelino Kubitschek para projetar a nova capital do Brasil, é nomeado diretor do Departamento de Urbanismo e Arquitetura da Novacap, empresa responsável pela construção de Brasília. É encarregado de organizar o concurso para escolha do plano-piloto de Brasília, participando também da comissão julgadora.

(Curioso que quem ganha é o seu amigo Lúcio Costa, não?)

1957-1958
Em Brasília, executa os projetos do Palácio da Alvorada, do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal, entre outros.[5]

É importante notar que estes homens não foram soltos e nem aleatórios, não foi efetivamente uma confluência de ideias que se convergiram naturalmente ou fruto do mérito ao que parece, objetivamente trata-se de homens cujas ideias eram permeadas por duas forças que foram a síntese de Getúlio Vargas: Fascismo e Comunismo. Lado a lado estas duas ideologias eram as forças motrizes do Governo Vargas e na altura da projeção de Brasília, foram ambas as correntes que estavam presentes por meio de Israel Pinheiro, Juscelino Kubitschek, Lúcio Costa e Oscar Niemeyer. Fascismo e Comunismo tem em comum serem ambos burocratas, estatizantes, estatistas, oligárquicos, apátridas, tecnocratas, cientificistas e progressistas. Não é à toa que uma cidade construída por fascistas e comunistas passou por uma crise séria com Jânio Quadros, o primeiro presidente depois do Construtor de Brasília, por quase uma ditadura soviética nas mãos de João Goulart, derrubado pelo Congresso Nacional em 1964 que então foi derrubado pelo Regime Militar Positivista e Tecnocrático por 21 anos. Não à toa que a reabertura com a nova Constituição “Cidadã” de 1988 trouxe à tona as forças esquerdistas, progressistas, comunistas e nostálgicos da Era Varguista ao seio do Poder, inaugurando uma nova oligarquia polarizada pelo PT e PSDB com um PMDB de Centro, sempre no governo e na burocracia em ambos os casos. A falsa democracia cujos partidos políticos funcionam mais como centrais que indicam por meio de caciques às tribos é quem governa e reparte os despojos de cada eleição. Desde 1988 já houve 2 impichamentos de presidentes, dois governos de coalisão “moderada” do PMDB (atual MDB), cuja função não é outra senão assegurar a estabilidade do atual estado de coisas no Estado e na Política Nacional, e agora perante uma crise de constante eleição que perdura 3 anos carregada de não-sei-quantos pedidos de impichamento, protestos e foras ao atual presidente da República. Por mais que o povo vá às ruas, Brasília parece incólume diante de uma imensa Praça dos Três Poderes. A razão de Brasília ser assim é para ser assim, incólume diante de pedidos de massas revoltadas, extremamente estável à Classe Política oligárquica de sempre, um caos institucional permanente.


Arquitetura da Vigilância e Antiarquitetura da Civilização


Observamos que a capital fora construída com bairros funcionais completamente amorfos de organicidade e naturalidade, uma setorização funcionalista que torna a cidade seca, áspera, carregada de um peso temporal formidável que ao mesmo tempo tira a tranquilidade da vida em trabalho. O nome das superquadras, invenção hedionda, parece notar que cada centímetro é vigiado ou uma concessão de um Estado Big Brother.


Brasília fora projetada para ser uma cidade de uma civilização onde não existe civilização, história, arte, cultura, língua ou futuro. Ao contrário, é uma cidade de novilíngua, tudo são siglas, tudo são nomes técnicos algoritmados. As formas são esvaziadas de todo tipo de memória de longo prazo. Uma cidade onde se apaga a nacionalidade e nasce o espírito tecnicista e cientificista. Não é à toa que a vida dos burocratas resume-se à administração do dinheiro e aplicação rápida de recursos de curto e médio prazos. Não à toa que todos os governos que entram e saem de Brasília possuem a mesma mentalidade de construir um legado econômico no prazo de seu governo, importando mais as contas públicas do que um projeto de nação que vá para além da linha do século. Brasília é a real capital de uma Oceania orwelliana consumada.


Vemos que Brasília é fruto da mente de basicamente 4 homens com ideias extremamente egoístas e pensando apenas no próprio umbigo de seus ideais, não num conjunto arquitetônico, artístico, urbanístico que efetivamente mostrasse e inaugurasse um Brasil e uma Civilização que fosse fruto da maturidade cultural, social e intelectual, porque não até espiritual de um país eminentemente cristão, católico, ibérico, enriquecido com as culturas africanas, asiáticas, indígenas e europeias outras. É fruto de homens cuja intenção de espírito é seguindo a Teoria das Camadas da Personalidade Quinta Camada, ou no mais lisonjeiro que eu possa lhes conferir, Sexta Camada, onde o indivíduo deseja fazer algo apenas para mostrar a si mesmo que é capaz de fazer algo, e fazê-lo bem feito. Mas como ambos arquitetos nem sequer foram à inauguração da sua obra-prima, isto indica efetivamente serem Quinta Camada, ou seja, tais como dois adolescentes, impuseram suas ideias para provar sua capacidade, mas sem qualquer vínculo maior e objetivo de pensar no efeito disto sobre os demais.


A Arquitetura de Brasília é fruto do pensamento cronocêntrico, pensamento este que presume a ciência, arte e conhecimento da contemporaneidade como sendo de ordem superior ao já estabelecido e desenvolvido ao longo de gerações anteriores. O pensamento cronocêntrico é a mentalidade de que o nosso estado contemporâneo é superior aos anteriores, e sendo tal, é melhor que o antigo. Neste sentido, a ideia de Modernismo na arquitetura rompeu os laços com a arquitetura que vinha sendo desenvolvida, fruto secular e/ou milenar dos povos que construíram a nacionalidade, e abraçou a revolução cuja intenção e novidade não se sabe até onde levará, a que fins estes foram feitos. Se a arquitetura, como disse Lúcio Costa, possui uma intenção, a intenção dele foi egoística, em primeiro lugar, porque se apegou as formas de um único pensamento e rompimento com toda a arquitetura nacional e civilizacional, simplória, porque a escola arquitetônica que ele adotara valoriza o utilitarismo e por isto mesmo é uma forma altamente perecível de arquitetura, que se ultrapassa demasiadamente rápido, cronocêntrica, por achar-se superior às formas desenvolvidas anteriores e modista, e como tal, não carrega o universalismo que é próprio da arte, portanto, a arquitetura de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer é na realidade a definição mesma de antiarquitetura.


Sem organicidade não existe cidade, pois esta é a união de famílias e comunidades, como bem disse Aristóteles em a Política. O que vemos em Brasília é fruto de uma tirania de ideias que se transfigura nas suas formas, organização, e comunidades desconexas. O próprio Estado que lá tem sua sede é desconexo com a mesma cidade, e ainda mais com o país. Brasília foi projetada para ser símbolo desta desconexão e dicotomia entre Estado e Povo, entre arquitetura e antiarquitetura, entre História e a Moda, entre Reação e Revolução. É uma cidade feita para a ditadura, não por acaso 4 anos após sua inauguração, o regime democrático fora rompido para dar lugar ao Regime Militar carregado de positivismo, estatismo, pragmatismo, e de um regime tecnocrático que desconsidera a vontade popular até hoje, mas se apega aos ditames das novidades científicas que sempre mudam de rosto a cada ano e cada vez mais a cada segundo.


Vemos portanto, que Brasília não é fruto simplesmente do acaso, ou do devaneio de 4 homens e outros agregados, mas de uma coordenada ação política de burocratas de ideais autoritários e que de democracia não tinham nada além de nomes e maus usos da palavra. A Arquitetura Modernista utilizada em Brasília criou artificialmente um terreno perfeito para o autoritarismo tecnocrático que acompanha o Brasil até hoje: Construída por fascistas e comunistas, gerida por militares e positivistas, depois por comunistas, atualmente governada por milicos e comunistas.


O Símbolo invertido do Congresso Nacional



O prédio do Congresso Nacional, por exemplo, lembra muito a Balança de Libra, mas nela os pratos além de serem desproporcionais, estão opostos, um está virado para cima, de onde em tese receberia o seu peso, e o outro está virado para baixo, portanto recebendo nenhum peso. Imediatamente há um desequilíbrio aí; ou não se enche nada ao prato que está virado corretamente, ou se encher ainda que pouco haverá um desequilíbrio que arruinará esta balança. Ora, dizem que o prato virado para baixo é o do Estado, isto significaria dizer que este não recebe nenhum poder, o que é falso. O prato virado para cima é o do povo, o que quer dizer que apenas a vontade da nação se faria valer, o que também é falso. Dizem as más línguas que Oscar Niemeyer pretendia com isto dizer que o equilíbrio existe em a vontade do povo ser de baixo para cima e a do Estado de cima para baixo. O prato virado para cima nunca significa que o povo está de baixo para cima, ele só se encheria caso o povo esteja acima do prato, enchendo-o de cima para baixo, ou seja, precisamente o contrário de sua indicação. Quem carrega o prato na cabeça é o servo, não o senhor. Já o Estado impõe a sua vontade de cima para baixo, depositando o seu prato virado em cima do povo. Ora, isto quer dizer que o Estado impõe a sua vontade contra a vontade popular, e em troca, o povo nada recebe, ao contrário tem um prato vazio sobre sua cabeça tal como Menino Maluquinho do Ziraldo:


"O projeto abrange todos os serviços relativos à Câmara e ao Senado. O objetivo de reunir as duas casas do Congresso num só edifício, visa dar solução mais racional e econômica ao problema, sem prejuízo da independência que lhes é indispensável, permitindo, ainda, adotar para os serviços comuns (garagem, restaurante biblioteca, salas de estar etc.) instalações mais perfeitas e amplas.
Por outro lado, estufados num só bloco, Senado e Câmara, constituirão um conjunto monumental capaz de dominar, como desejável, as demais construções da cidade." *1
"E o mesmo ao adotar a cúpula - a abóbada circular que os egípcios usavam e os romanos multiplicavam - no edifício do Congresso Nacional. E nela intervim plasticamente, modificando-a, invertendo-a, procurando fazê-la mais leve, como é fácil explicar. Na cúpula do Senado, desprezando a característica auto-portante que oferece e o empuxo que criaria, inclinei em retas na linha circular de apoio, tornando-a mais leve como preferia. Na da Câmara, depois de invertê-la, a estendi horizontalmente como a visibilidade interna exigia, procurando uma forma que a situasse como que simplesmente pousada na laje de cobertura." *2

*1 NIEMEYER, Oscar. [Congresso Nacional]. s.d. Fundação Oscar Niemeyer. Coleção Oscar Niemeyer.

*2 NIEMEYER, Oscar. Como nasce a Arquitetura. [s.d.] http://www.niemeyer.org.br/obra/pro196

(Citação do site de sua Fundação)


Interessante ele comparar a ideia das cúpulas com a egípcia e romana, duas sociedades estatistas onde a vontade popular era subjugada pelo poder estatal. Ambas sociedades antigas são o retrato exato do mesmo Brasil atual.


Oscar Niemeyer era um homem que não tinha domínio sobre o símbolo em si, porque para andar sobre o símbolo, este deve ser compreensível por si mesmo, deve ser inteligível, e o que se depreende da obra do Congresso Nacional em seu símbolo arquitetônico não é o simbolismo que lhe desejara atribuir, supostamente, ao contrário, tornou-se num falso símbolo, até um 'antissímbolo', tornou-se precisamente no símbolo contrário que lhe desejara atribuir, isto para um arquiteto é uma catástrofe sem perdão. Ele produziu o contrário tanto como projeto, como em práxis, já que o Congresso Nacional, de fato, tornou-se no símbolo da desarmonia entre o Povo e o Estado. O Povo nunca consegue encher o prato que está sobre a sua cabeça, ao passo que o Estado derrama a sua vontade sobre o mesmo prato que o povo carrega. Isto significa que o povo brasileiro nada recebe além do peso do próprio Estado e de quem dele toma parte e poder, isto é, do Estamento Burocrático e da Oligarquia Político-Estatal.


[1] Lúcia Lippi Oliveira, A Construção de Brasília, https://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/JK/artigos/Brasilia/Construcao

[2] Blog Archtrends Portobello, https://archtrends.com/blog/lucio-costa/

[3] Cronologia – Israel Pinheiro da Silva https://israelpinheiro.org.br/historia-da-familia/

[4] [Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001] https://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/JK/biografias/israel_pinheiro

[5] Oscar Niemeyer, Vida, http://www.niemeyer.org.br/biografia/1955-1960

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