O fim da república brasileira?
- Thiarles Sosi
- 24 de abr. de 2020
- 3 min de leitura
Atualizado: 25 de abr. de 2020
O fim da república brasileira?
Assistimos estupefatos o desenrolar dos acontecimentos nesta república brasileira. Assistimos também a revolta do povo em relação à política, novamente o povo está se decepcionando com a classe daqueles que governam o país, desde os estados e municípios aos poderes da República a nível federal, é uma coisa de se lamentar, sim, mas também para refletir seriamente; há algo de errado ou a política é assim? Esse é o fim da república brasileira?
O Brasil adotou o sistema republicano e o regime presidencialista, não quero julgar se é bom ou não este sistema, mas o que consiste esse sistema político? A república em tese é o interesse da coisa pública, res publica, mas na prática é assim que funciona? Ora, a república é uma instituição, e como toda instituição ela não age, não trabalha, não é a força que faz acontecer, a instituição é apenas algo fictício cuja força está naqueles que a comandam, portanto, a instituição só segue a sua função quando quem a domina tem coincidente interesse.
Hoje muito se fala em “Estado de Direito”, como uma instituição boa por si mesma, mas ela é apenas uma expressão que não quer dizer absolutamente nada de concreto, Estado de direito é aquilo que quem tem o poder considera tal “estado”, são direitos civis? Quais são os direitos civis numa ditadura ou numa democracia? Em que elas se coincidem?
Outra palavrinha mágica na política é a “Democracia”, esta é a mais “cara” das instituições, vista com um romantismo quase delirante por parte daqueles que a defendem irresistivelmente, mas como toda instituição a democracia também será apenas um fetiche se quem tem o poder defende a democracia como uma inversão total. Por exemplo, se 1 milhão de pessoas saem às ruas para pedir a renúncia de um sujeito de um cargo, e este cargo coincide com a expressão “instituição democrática”, elas se tornam em pessoas antidemocráticas! E ao contrário, se uma pessoa dentro de uma instituição dita democrática quer realizar algo contra o apelo popular, este mesmo povo é antidemocrático! E a pessoa detentora do poder institucional em suas mãos se ver maior do que o povo, maior do que o apelo, ela se torna na instituição, se torna ela mesma a democracia em pessoa, há aí uma completa inversão da palavra “democracia”, ela passa a ser a defesa dos interesses de quem as detém e o contrário o apelo do povo passa a ser ditatorial. É evidente que isso se trata de um jogo de palavras maldito que cerra a boca das pessoas para o que realmente importa. Um exemplo disso muito claro é sobre a República Popular Democrática da Coréia (Coréia do Norte), ela é uma das mais longas ditaduras do planeta e ainda assim leva o nome de “popular e democrática” no nome, trata-se de um jogo de palavras que não corresponde a realidade.
Quando as pessoas apelam por exemplo para “Intervenção Militar”, elas não estão defendendo o fim da democracia, e sim a uma INTERRUPÇÃO da ditadura provocada pelos detentores das instituições, porque as próprias forças armadas SÃO INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS cuja função seja resguardar a ordem e a democracia, isto é, o apelo popular. Seria alto contraditório a defesa de uma intervenção militar para uma ditadura quando o próprio povo está lutando contra um determinado tipo de tirania, em tese, menor do que uma efetiva ditadura, ora a democracia consiste no povo defender os seus anseios a todo o momento que achar necessário.
Se a força do povo passa a ser justamente o contrário do que ele deseja, isto é uma ditadura, então você coloca o mesmo povo em uma espécie de conflito de idéias, um conflito entre o que quer e o que consegue, o povo fica sem saber se o que defende é uma democracia ou uma ditadura, ele não entende os seus próprios anseios. É óbvio que isto é uma vigarice de linguagem sem precedentes na história, mas quem está fazendo esta confusão verbal no país chamado Brasil? A Mídia, a mídia brasileira, em especial as dos grandes jornais, é estritamente criminosa quando coloca os anseios populares contra ela mesma, o jornalismo deveria ser uma espécie de tradutor dos anseios do povo ante a uma classe política que se apodera das instituições como se fosse ela mesma a democracia, ela mesma a república, ela mesma o interesse público.
A classe política vê o povo brasileiro como crianças que fazem piti sem entender nada do que está acontecendo, e o jornalismo brasileiro é aquele que ridiculariza os anseios populares como sendo devaneios de milhões de ditadores frente aos democráticos donos das instituições.
Este é o fim da república brasileira? Continua...




Comentários