top of page

Monarquia Brasileira, a solução?

Atualizado: 16 de dez. de 2021

1ª Série de Artigos: O Brasil e as Ideologias

Artigo: Monarquia Brasileira, a solução?


Este artigo é em resposta a um usuário da internet que apresentou uma série de argumentos pelo qual segundo o mesmo é inútil defender o Sistema Monárquico no Brasil.


É muito bonito defender a república, mas os mesmo argumentos utilizados para atacar a monarquia podem ser aplicados para atacar a república: O fato do Brasil ser um país gigante e que por isso seria ingovernável "monocraticamente" não diz que ele não pode ser uma monarquia, todos os países gigantes foram ou são monarquias: Austrália, Canadá (ambos do tamanho do Brasil, com população heterogênea, porém menor que do o Brasil), Rússia e China (ambos são monarquias republicanas, favor não confundir termos com os objetos, República Democrática da Coréia do Norte mandou lembranças aqui), a primeira governada pela KGB e pelos seus líderes, a segunda governada pelo Partido Comunista Chinês que substituiu o imperador da China, mas ambos preservam a unidade territorial por meio da força e do Estado Centralizador (a centralidade a que me refiro é de cunho nacional, não em termos de economia, aviso logo aos liberais), ambos são extremamente heterogêneos e cercados por inimigos (dentro e fora de suas fronteiras).


Os países de que os republicanos se utilizam para atacar os monarquistas de saudosistas, as monarquias europeias, por exemplo, é verdade vão dizer que elas são pequenas e por isso são governáveis, mas achar que isto explica por si a sua unidade nacional é não conhecer a história da Europa. Quem criou a unidade daqueles países que chamamos de Europa? Se a Europa em termos técnicos nem pode ser chamada de continente, é mais uma grande península da Ásia, a sua unidade foi criada em torno das nacionalidades dos estados-nações advindos de uma identidade comum, a princípio o Cristianismo e a Igreja Católica, ou alguém ainda acha que a origem dos ingleses foram os ciganos anglo-saxões ou de Portugal dos suevos da Germânia? O Reino Unido é na verdade um império que governou quase 1/3 do planeta, diga-se de passagem e cuja unidade se dá em torno da monarquia inglesa; fora dela, eles estariam divididos nas diversas sociedades heterogêneas que eles possuem, tanto é assim que os escoceses estão querendo pular fora deste barco, os irlandeses já pularam há tempos. Também citam os Estados Unidos como exemplo de República, os republicanos parecem ignorar ou desconhecer que a história dos Estados Unidos é na realidade uma história de dissidência contra o Império Inglês ou Britânico. A sociedade americana é na realidade um império em forma de república, mas achar que aquele país é perfeito por ser meramente uma república é ridículo, os EUA precisavam (e precisam) ser uma república desde o começo pela união heterogênea de sociedades locais como maçônicos, católicos, protestantes, ingleses, escoceses, irlandeses, italianos, espanhóis, negros e etc. (alguns chegaram depois). Essa heterogeneidade precisava ser balizada em torno de um sentido comum, que satisfizesse às exigências dos vários grupos, que eu chamo de "Tribos". Até hoje na verdade os EUA são mais um mosaico de povos heterogêneos que construíram uma sociedade mais ou menos vinculada racialmente: Os negros ficam com os negros, italianos com italianos, asiáticos com asiáticos, gregos com gregos, alemães com alemães, japoneses com japoneses e etc. Você pode perceber isso em tudo, eles são assim, embora se convivam mutuamente, não se misturam tal como no Brasil, este tipo de sociedade só pode se manter com uma democracia obrigatoriamente, ou seja, como balizas de poder que se alternam, e veja que na história daquele país eles tiveram que enfrentar diversos conflitos para manter a unidade que possuem até hoje, Guerra de Secessão mandou lembrança aqui também. Os Estados e municípios estadunidenses possuem grande autonomia também, mas se pensarmos melhor, os americanos historicamente agigantam o estado americano e centralizam o poder cada vez mais, indo de contramão na luta daquele país para limitar o poder do Estado e do controle social, por outro lado, o Estado americano possui muitos inimigos que querem destruí-lo, se o Estado Americano diminuir a sua força de persuasão, estará pondo-se em risco e ao povo heterogêneo daquele país, ignorar estas duas coisas para depois vir dizer que eles são o exemplo primordial a ser seguido quando eles mesmos se encontram numa encruzilhada sobre o seu próprio sistema indica uma ignorância e um romantismo em torno dos ideais republicanos que não condiz com a realidade.


Agora, em pleno 2020, assistimos a um movimento do governo Trump de "socorrer" a hegemonia dos Estados Unidos diante de uma China cada vez mais poderosa. Será que ainda dá tempo? De qualquer forma, é necessário que um país necessite proteger-se das forças globalistas que hoje agigantam a sua força perante a Pandemia de Coronavírus (totalmente planejada e querida por eles evidentemente). A necessidade do protecionismo torna-se necessário para proteger o país e a nação desses ataques, se um país abre-se de tal maneira a ser golpeado impiedosamente por aqueles que querem destruí-lo, então os governos e a sociedade local dominada merece ser escravizada pela própria ignorância em reconhecer os perigos, mas isso excetua o Brasil que é um país onde o povo não faz a mínima ideia de que o globalismo exista e se é possível uma coisa dessas.


Um Estado deve ser forte o suficiente para proteger a nação, mas não tão forte para escravizar e dominar essa mesma nação. Ele deve atender aos interesses dela, não os seus, ele não deve arrogar-se o direito de intervir naquilo que não foi conferido, mas se for necessário, intervir momentaneamente, o Estado deveria sempre consultar a população sobre o que permitir/fazer ou não. Mas os nossos políticos, todos, sem exceção, são todos cretinos, analfabetos, mal formados, mal informados, desinformados, manipulados, pobres coitados, ignorantes e estúpidos, mesmo aqueles que por ventura sejam de boa intenção, são o suficientemente fracos de personalidade para imporem-se, ou ainda ter fraca fundamentação e estratégia para dialogar abertamente sobre o que fazer. O Brasil é um país perdido...


Mas tudo isso resume o que são os Estados Unidos e o seu governo, cuja análise melhor fundamentarei em outro artigo mais adiante.


Países da Europa não são homogêneos nem geograficamente e nem etnicamente, e não será muito menos ao longo deste século em que esses países desaparecerão do mapa. A Europa foi formada por povos tão heterogêneos quanto os índios brasileiros nos tempos de Cabral; Celtas, galeses, germânicos, italianos, romanos, gregos, eslavos, nórdicos, vikings, se você acha que esses povos se uniram em algum momento porque são da mesma raça, religião ou cultura você estará sendo meramente ridículo. O que uniu todos os povos que viveram na Europa e todos os povos que se achegaram por lá até hoje pelo mundo inteiro (com alguns problemas que vou elencar depois) foram a Igreja Católica e o Império Romano, este caiu, aquela conseguiu construir uma sociedade substituta da romana em torno de um novo ideal chamado "Cristandade" que depois de um milênio decidiu se rebelou e formou algo chamado "Europa", fantasia burguesa certamente, que criava a lenda da unidade europeia da qual até hoje você, republicano e liberal acredita tão belamente.


Por que eu ainda defenderia a monarquia, e ainda mais no Brasil sabendo de todas essas questões? Simples, não estamos vendo o ponto de vista econômico, uma nação não se constrói pelo viés econômico, será que para o republicano liberal tudo o que importa é o crescimento econômico? Se sim, justifica o seu pensamento que a solução não é mudar o regime (não se preocupe, eu também pensava assim até poucos dias), mas apenas impor reformas de cunho econômico, se não, seja bem vindo a discussão, porque o trabalho da monarquia não é conferir crescimento da economia, esta virá, em tese, como fruto de uma longa jornada e reforma muito mais profunda e densa; construir uma sociedade unida em bases comuns. O Brasil é uma sociedade heterogênea? Em certos pontos sim, como tudo o que se refere ao ser humano, até dentro de famílias poderá haver heterogeneidade, mas isto não te faz querer instalar uma república dentro dela para respeitar igualmente as opiniões dos velhos e das crianças, não, você hierarquiza porque possui princípios dentro de si para sua família e toda ela também possui, é por isso que uma família sadia obedece aos mais velhos, ouve os pais, cuida das crianças e não o contrário, ora o mesmo princípio se aplica à nação. Você quer resolver o problema do país por meio do voto e por meio da liberdade econômica, ou por meio do crescimento do PIB? Acha mesmo que isso é a única coisa que importa para a construção de uma sociedade harmônica? Acho que você concorda que é bem mais do que isso, por isso te digo que o que se deve buscar é a construção de bases comuns, princípios, leis escritas no coração dos homens para uma sociedade unida (estou romantizando? Fale isso para Deus e não para mim), então o que aqueles que defendem a construção da monarquia no Brasil defendem é justamente este ponto: O ordenamento da sociedade brasileira em torno de um ideal de nação. Se você pensar bem, o que é a briga do PT, da Esquerda com a Direita, com Bolsonaro, com os conservadores se não a busca por uma sociedade que eles queiram construir, ora se fosse uma democracia estava tudo bem, não acha? Todos estes grupos já estão vivendo o regime que eles buscam, isto é, o regime da luta de ideias, grupos de poder que se alternam (já que numa democracia por definição deve haver uma transição constante do poder vigente). Mas o que todos os brasileiros buscam é uma identidade nacional da qual queiram construir e preservar, acha mesmo que conseguirá isto com a república? Ou com o crescimento do PIB e liberdade econômica? Identidade não se constrói com uma disputa eleitoral para a cada quatro anos, diferente dos EUA cuja identidade é a eleição a cada quatro anos, se houvesse um sentido de nação em torno de eleição para que a cada quatro anos alguém se dispusesse a segui-la em frente numa jornada comum seria uma outra história, mas no nosso caso, o que ocorre é uma nova disputa sem sentido e sem direção ad infinitum, a democracia tornou-se num projeto de todos para todos sem finalidade alcançável, pois basta o fracasso da economia para que o projeto de poder vigente caia, nem corrupção e nem outra coisa, o que derruba governos no Brasil são crises econômicas, e estas são super abundantes, isto explica o porquê o brasileiro ignora o projeto de poder do PT e dos Tucanos, também ignora todos os partidos, eles só querem saber se o próximo presidente fará obras para beneficiar à população, é só isso e pronto, não há preocupação com que projeto de nação aquele partido, grupo ou sujeito tem para o país. Na verdade, atualmente não há nenhum partido, grupo ou pessoa que tenha uma ideia de país, absolutamente ninguém! E na verdade, desde a república, nunca teve.


Se o Brasil é uma sociedade muito diversa, o trabalho é justamente unir todo mundo em torno de um sentido de nação, se não, não faz sentido a cidade de São Paulo possuir alguma coisa em comum com Feira de Santana porque não possuem entre ambas as mesmas aspirações! Se é assim feudalizaremos o imenso Brasil. E o que mais há atualmente são grupos querendo feudalizar o Brasil, transformar o país em um amontoado de interesses díspares e desconexos que fazem com que cada um reivindique algo contra ou em prejuízo do outro, isto tem que parar. Estes grupos são dos dois lados, esquerda e direita, mas há um movimento consistente de supremacia esquerdista e globalista que tem para o Brasil um projeto tribalista, um projeto que pretende transformar o Brasil em um amontoado de feudos onde estes grupos reinarão, estes grupos são simbolizados pelas ONGs, mas elas são apenas a ponta deste iceberg chamado Globalismo.


Estou defendendo a centralização do poder? Não, estou defendendo a construção da unidade nacional, é outra coisa maior, melhor e mais profunda e benéfica do ponto de vista da nacionalidade. Os republicanos dizem que os países europeus possuem justificativa histórica para seguir a monarquia, é verdade, mas como eu já disse antes, eles são apenas uma casca em um corpo podre (não se engane pelo desenvolvimento econômico, pois moralmente estão em decadência). Mas estão errados quando limitam a monarquia no Brasil dizendo que ela não é tradicional, não possui respaldo histórico (“um veraneio ou devaneio brasileiro que ridiculamente e obviamente não deu certo e que só foi feita para manter os interesses pessoais dos poderosos da época...”), pelo contrário, qual é a base histórica que o republicano cujo sistema possui menos de três séculos possui para argumentar sobre isso? São os livros marxistas que você leu na escola ou nas indicações editoriais comumente apresentadas e defendidas pelos marxistas e republicanos? Nos livros republicanos que foram os predominantes para não dizer únicos admitidos durante mais de um século no Brasil? Sim, por mais de 100 anos o Brasil foi proibido de saber que possuía uma alternativa ao regime republicano e que não era palhaçada; a monarquia, mas esta foi permitida como algo utópico e completamente desvencilhado da realidade, mesmo reconhecendo que os países mais desenvolvidos e prósperos do mundo (não apenas economicamente) são monarquias tradicionais. Então, meu caro, sua visão é limitada como a República. Os positivistas, os marxistas-comunistas queriam que você visse a história do Brasil, ao contrário, vou trazer-te algumas informações básicas que te farão entrar em choque com a realidade: O Brasil foi colônia de Portugal por menos de um século, e foi governado por uma monarquia por pelo menos 389 anos (quatro séculos, e não quatro anos, hein!) e não apenas 70 como você diz, porque o Brasil não era colônia de Portugal e sim integrante do ESTADO PORTUGUÊS, os cidadãos residentes no Brasil eram portugueses, tivessem mudado para cá ou nascido, fossem brancos (etnicamente um problema) ou fossem mestiços com índios, negros e asiáticos (peço-te que não misture a escravidão com a cidadania e nem as condições sociais com segregação, pois a sociedade daquele tempo era por definição segregacionista, mas era normal para a época, nem os Estados Unidos, a dita sociedade livre, estava livre destas visões que só foram ‘superadas’ muito lentamente a custa de muita luta).


O Brasil como parte do Estado Português colaborou para a construção daquele império porque possuía uma unidade de princípios e aspirações. Se o Brasil não fosse unido intimamente a Portugal desde aqueles séculos, Portugal nunca teria governado este continente, o Brasil nunca teria se submetido aos portugueses já no primeiro século. E quando eu digo Brasil aqui, eu digo dos portugueses que para cá vieram, para os índios que se juntaram aos milhares com os portugueses e colonos, aos Brasis (filhos mestiços que decidiram construir suas vidas nestas terras, entre eles os bandeirantes) e aos milhares de africanos que ajudaram a avançar o território para o interior com a sua imensa força de trabalho. Tanto é assim que quando o Brasil decidiu romper com Portugal teve dificuldades? Sério que você acha mesmo que a luta pela independência do Brasil foi como sendo uma guerra colossal em que inúmeros homens deram o seu sangue para conseguir fazê-la? Parece gloriosa essa visão, mas na verdade foi bastante pacífica se pensarmos melhor, os portugueses sabiam que quando o Brasil quisesse se tornar independente, seria. Houve de fato algumas batalhas para submeter os portugueses ao novo Estado independente do Brasil e vice-versa, mas nem de longe a luta pela independência poderia ser considerada no mesmo nível de 1/100 das guerras e batalhas travadas no Brasil por inúmeros outros motivos anteriores e posteriores, só as batalhas de cunho civilizatório, religioso, cruzadísticos, sim; no Brasil foram travadas muitas cruzadas, não contra mouros islâmicos evidentemente, mas contra tribos inimigas, protestantes e europeus com a mentalidade de "Nossa Casa" de Macron. Houve mais luta para manter a unidade do território do Brasil do que para a independência propriamente dita do mesmo.


Quando o Brasil foi descoberto, o que motivou a construção da civilização aqui foi o desejo de ampliar a Cristandade e não cortar Pau-Brasil para pintar caneco ou roupa de madame de Veneza. Nos livros republicanos e marxistas dizem que vieram para o Brasil todo tipo de bandido da Europa para povoar estas terras, isto é uma grande mentira para justificar o roubo da história que ELES FIZERAM à nação. Mas na verdade veio para o Brasil em massa os melhores homens de Portugal e até da Europa; homens inteligentes e de ciências, filósofos, humanitários, caridosos, piedosos, preocupados com a barbaridade existente no outro lado do oceano, refiro-me aos muitos santos e homens de grande saber, jesuítas principalmente. O que motivou padres, homens heroicos e navegantes a atravessar um oceano perigoso com grande chance de morrer pelo caminho foi a vontade de formar um novo homem civilizado cuja dignidade correspondesse ao nome de Filho de Deus (digo isso sem romantismos, é o que eles realmente estavam sendo motivados a fazer). Você acha mesmo que esses homens atravessaram o oceano apenas pelo desejo de obter tinta vermelha de Pau-Brasil ou cana de açúcar? Ora estas coisas foram atividades econômicas que eles encontraram para manter a construção da civilização, se não fosse assim, eles não teriam condições para mandar um exército de melhores da Europa, de Portugal, um país pequeno, para um lugar onde só existia mato e selvageria, isto seria ridículo e absurdo, nem toda ambição é má, aliás, o desejo de crescer e progredir acende nos corações dos homens o desejo de sair da zona de conforto, isto é natural e compreensível, até hoje as pessoas saem de cidades pequenas para ir às cidades grandes para encontrar um bom emprego e ter uma vida melhor, a única motivação delas é o desejo de poder e submeter uns aos outros a si? Não, na maior parte das vezes é um desejo legítimo, mas a ambição desmedida faz parte da natureza humana porque todos são pecadores, não é mesmo?

Comentários


bottom of page