Guerra entre Israel e Hamas: O que esperar?
- Thiarles Sosi
- 8 de out. de 2023
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No início do conflito entre Rússia e Ucrânia, já havia advertido que a guerra não cessaria com poucos dias, como muitos “analistas” haviam dito, porque seria usada como nova estratégia em lugar da Pandemia para alavancar os esforços globalistas em direção a uma união diplomática internacional, dessa vez, contra a Rússia. E foi. Os globalistas ocidentais esperavam tornar a Ucrânia mais um Afeganistão ou um Iraque em que a indústria bélica ganhasse rios de dinheiro e a economia de alta tecnologia dos países ganhasse alta, sem que a chamada “guerra ao terror” tivesse qualquer resultado. Porém, o que ocorreu foi o oposto, e quem obteve vantagem atrás de vantagem perante esta guerra foi a Rússia, e o Ocidente que pretendia transformar a Ucrânia em mais um palco de guerra, viu todas as suas vantagens comerciais irem pelo ralo, ou irem para as cucuias pelos ataques sistemáticos da Rússia às estratégias ucranianas. Metade do território ucraniano está sob domínio russo, e a infraestrutura do país, se não destruída, está bloqueada ou trabalha em mínima atividade graças às intervenções russas em portos e vias. Sequer o abastecimento de gás russo, principal produto do país, da qual a Europa é dependente, esta não cessou de importar, não obstante as sanções contra a Rússia. Mas o que esperariam os analistas ocidentais, entre os quais se incluem muitos conservadores, que na ânsia de vencerem a Rússia no apelo moral, não viram o tamanho da estratégia eurasiana com força militar em peso? Ocorre que os analistas não perceberam que a União Europeia, bem como os EUA não queriam apoiar a Ucrânia, e sim aproveitar-se do conflito para obter vantagem moral, enquanto outras coisas aconteciam (como por exemplo, afastar os protestos populares pelas ditaduras sanitárias impostas a várias nações e a sobrevalorização da ONU. De fato, os estadunidenses não contavam, por exemplo, que além da Ucrânia, viesse a ameaça chinesa à Taiwan nos mesmos dias, e assim, seu teatro de apoio ao regime ucraniano ficaria relegado à realidade: teatral e midiática, porque uma coisa é incentivar uma guerra teatral entre os dois Vladimires, outra coisa é sustentar guerras reais com superpotências. O governo ucraniano é um fantoche (um humorista, na verdade), posto para governar um país em pé de guerra com a maior potência militar do mundo, qual a chance desta guerra ser real e simétrica? Zero. A sustentabilidade do Governo Zelensky está sendo posta em cheque a cada dia pelo rearranjo político que ora ocorre no Ocidente, com a retirada de Polônia (queridinha dos conservadores) e conflito interno dos EUA, cujos dirigentes dos poderes fingem ainda suster um apoio a médio e longo prazo à Ucrânia, mas já procuram meios de sair fora do conflito, e para isto, só precisam de uma desculpa maior para deixar Ucrânia e seguir sua política externa. O apoio teatral dos EUA à Ucrânia cessará quando se verem obrigados a entrar na Guerra de Israel e Palestina (Hamas), daí, o novo foco da União Europeia e EUA será sustentar a sua capital ideológica: Israel e o regime de Tel Aviv.
O que devemos esperar para este conflito? Quais resultados possíveis? Já há uma tragédia humana anunciada, a guerra já matou centenas de ambos os lados, e deixaram milhares de feridos, em poucas horas desde que o conflito armado começara, devido, segundo sugerem, a um sequestro de cidadãos israelenses por um grupo do Hamas. Ocorre que este conflito, diferente dos anteriores, em que ambas forças políticas se enfrentaram, esta possui um caráter de guerra maior, e de formação de dois blocos: de um lado as forças antiocidentais, encabeçadas pela Rússia Eurasiana, e do outro, pelos globalistas ocidentais que queriam avançar sua agenda revolucionária “verde”, e que se verão obrigados a abrir mão do “Great Reset” para sobreviver a uma guerra em que terão de enfrentar militarmente (em vez de apenas ideologicamente como contavam) as grandes potências emergentes no Oriente e no Sul. Podemos esperar cortes de produção e exportação de petróleo, caso os países muçulmanos se aliem aos palestinos numa eventual aliança pró-Palestina. Embarcações chinesas de produtos podem ser bloqueadas ou sofrerem taxações severas pelos países desenvolvidos, intensificando a guerra comercial entre EUA e China que pode se tornar mundial. A China poderá transferir suas exportações em dólares, para os países do sul com moeda local, ou outra moeda internacional de maior estabilidade (Os BRICS já possuem a intenção de desdolarizar a economia a curto e médio prazo, ao contrário de outros analistas, penso que isto poderá ocorrer logo, ainda mais com a ameaça de um conflito mundial a solta). O conflito de Israel e Palestina (Hamas) pode evoluir com o agregamento de Irã e Arábia Saudita, Egito, Turquia, Líbano e Síria (criando um cerco em quase trezentos e sessenta graus do Estado de Israel, obrigando a entrada de países da União Europeia e EUA por mar (os EUA já estão a enviar o porta-aviões Gerald Ford), talvez com envio a partir de Austrália e Japão. Poderão se agregar ao conflito, que pode se passar descentralizado no Extremo Oriente: Japão e Coreia do Sul com Coreia do Norte, Rússia e China, com Taiwan em cerco pelas duas forças políticas internacionais, caso os conflitos geopolíticos e a guerra comercial se transforme em disputa aberta pelos mares. No Oriente Médio, Israel pode ficar isolado e os conflitos podem ocorrer por portos nos países vizinhos: Líbano, Egito, Turquia, Chipre. Existe um foco imprevisto de descentralização para a América Latina, sim, para a Venezuela e o Brasil principalmente, graças ao avanço e união cada vez mais indissolúvel dos governos do Foro de São Paulo com as forças islâmicas e comunistas mundiais (leia-se, China e Rússia). O Brasil pode recepcionar embarcações e munições do Oriente Médio, fazendo âncora para a Venezuela e Cuba, obrigando, assim, aos EUA a se preparem em diversos terrenos ao mesmo tempo, longes e próximos de seu território.
O fator BRICS+ (nova configuração dos BRICS) é chave para a compreensão da envergadura deste conflito, pois recentemente o bloco econômico evoluiu para um bloco político, cuja missão é se contrapor ideologicamente à hegemonia “unipolar” estadunidense e europeia, e japonesa, o que carregará a pecha de bloco antiocidental e de valores contrários à “democracia”. Não apenas o bloco evoluiu, como também se transforma agora numa aliança global alternativa à ordem mundial criada pelos globalistas, o que indica um novo rearranjo de forças, com os países muçulmanos e comunistas se aliando aos eurasianos por uma nova ordem, segundo eles, “multipolar”. A ideologia multipolar é o que trará estes países em peso em favor da Palestina, pois poderá ser a razão de que esperavam para criar um pretexto de mútuo rechaço político e econômico, é então que a guerra econômica se transformará realmente em econômica, pois o fluxo do dinheiro segue a ideologia. A disputa entre Palestina (Hamas) e Israel pode se tornar âncora para que os dois blocos hegemônicos da geopolítica global convirjam para um confronto potencialmente desastroso, em primeiro lugar para a economia globalizada, quebrando o fluxo produtivo de produtos, importações, rearranjo de preços e inflação, além da fuga de capitais de países emergentes atrelados ao dólar. O setor mais afetado será o de energias, sobretudo as fósseis, tanto na produção, quanto oferta. Sabemos que os membros do Foro de Davos e seus discípulos se reuniram em Glasgow, no Reino Unido, na COP26, para a retirada gradual de combustíveis fósseis até 2040, e do uso massivo para consumidores particulares até 2030. Será o conflito atual entre Rússia e Ucrânia, e Palestina e Israel, já uma disputa de energia? Afinal, se os países ocidentais desejam uma vantagem pela energia verde, esta se vê cada vez mais problemática. Por certo, a energia verde da agenda globalista pode ficar cada vez mais para depois, por causa dos conflitos atuais, afinal, eles precisam de energia e de tempo, e de dinheiro para conseguirem criar a sua “revolução verde”, e a guerra dos russos está esgotando os três ao mesmo tempo.



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