Fracasso da Vida Urbana?
- Thiarles Sosi
- 22 de abr. de 2020
- 5 min de leitura
Atualizado: 15 de dez. de 2021
Fracasso da Vida Urbana?
O COVID-19 se revelou um emblema para a sociedade pós-moderna e urbanista. Já estávamos cansados de ouvir na televisão que este século é o das cidades, da vida urbana, da metrópole, o êxodo rural acabaria porque quase todos viveriam nas cidades em todo o mundo. Mas o que está acontecendo hoje no mesmo mundo urbano dos analistas urbanistas, é o inverso, se por um lado a sociedade abandonou a vida no campo como partícipe da civilização, por outro lado, a vida urbana está se mostrando frágil de diversas maneiras: Não é capaz de dar empregos para todos, não é capaz de sustentar a todos, não possui espaços para todos, é cara, é burguesa e elitista porque somente os que já vivem nela possui preferência. O Covid-19, no entanto, está mostrando a força que é o campo para as sociedades, em essência, um refúgio para a vida e para a saúde.
Na vida urbana todos vivem colados uns nos outros compartilhando o mesmo espaço, os mesmos lugares, os mesmos ambientes, as mesmas vias, os mesmos mercados. As cidades são panelas de pressão do ponto de vista das doenças e para as diversas convulsões sociais, sejam elas políticas, culturais, ou covidais (pelo coronavírus Covid-19). Convulsões essas que levam milhões a disputar com o seu semelhante o espaço e os produtos. Agora, veja, os produtos que ganharam importância neste momento de crise profunda são em sua maioria os mesmos que vem do campo, campo este desprezado pela vida urbana como sendo uma “segunda classe” de ambiente, mas é nesse mesmo campo que se fornece o essencial para a vida do homem urbano, é no campo onde os homens são mais resistentes às doenças, mesmo quando elas são novas, é no campo onde há espaço para a QUARENTENA quase divina dos especialistas da TV. Então, onde está aquele arroto de arrogância para a vida no campo?
Já há alguns sinais no mundo que indicam um retorno para a vida no campo, nos Estados Unidos isto já está começando a ocorrer, porque eles sabem que as mudanças que vão ocorrer na sociedade pós-moderna pós-coronavírus serão profundas a tal ponto de que a própria vida metropolitana será questionada. No site https://www.cnbc.com/2020/04/17/redfin-ceo-rural-home-demand-shows-profound-psychological-change-amid-coronavirus.html podemos acompanhar uma movimentação nos Estados Unidos neste sentido, uma “mudança psicológica” no dizer de Glenn Kellman; CEO da REDFIN; “Vimos que as pessoas estão mais interessadas naquela casa no sopé das montanhas à beira do lago” e “Vamos ver como isso volta, mas parece haver uma mudança psicológica profunda entre os consumidores que procuram casas”, disse ele. No Brasil isto já ocorre, conheço familiares e pessoas que saíram das metrópoles (São Paulo principalmente) para voltarem para suas cidades natais, pequenas cidades do interior de outros estados! Durante a quarentena em suas terras natais, descobriram a possibilidade de viver uma vida tranquila e não tão tumultuada como nas grandes metrópoles do Brasil que atualmente estão loucas. Já há um “ufanismo” por parte de trabalhadores rurais convencendo-se de sua forte saúde física e psicológica (as pessoas do campo são as mais resistentes ao alarmismo da mídia brasileira criminosa), este ufanismo se manifesta também sobre o reconhecimento quase desesperador dos moradores de grandes cidades para estocar produtos e alimentos básicos de subsistência como se fossem passar o resto do ano preso dentro de suas casas (teve gente que realmente pensou nisso). No campo, além da liberdade de ir e vir (o vírus não sobreviveria caminhadas tão longas), há a produção da subsistência alimentar e há em tudo maior equilíbrio: emocional, psicológico, imunidade estimulada, alimentação mais saudável, vida menos sedentária e etc. A vida desconfortável do campo para aqueles acomodados nos luxos dos apartamentos das grandes cidades se torna o inverso, liberdade e tranquilidade, ao passo que a vida urbana se tornou um inferno criado pela conturbação política, midiática e social.
Outro sinal da mudança que estar por vir, é a chance magnânima do Brasil ascender como player global. E essa chance provém justamente do campo, o Brasil “Celeiro do Mundo” tem a chance de ditar alguns rumos para a humanidade se reconhecer o seu poder de impacto neste momento: “O Brasil produz as carnes de qualidade mais baratas do planeta e é este, entre outros motivos, que faz com que tanta gente fique de olho na produção agrícola do Brasil”, é o que a maior agência brasileira de análises para o mercado agropecuário brasileiro Mundo Rural Business diz numa importante análise sobre a crescente demanda por alimentos no mundo todo, em especial Egito, sobre Segurança Alimentar, conforme pode ser acessado neste endereço https://www.youtube.com/watch?v=glLbWmpmvIA&t=351s . O Brasil é, talvez, o único neste momento capaz de sustentar uma grande demanda mundial, e todos os países irão começar uma corrida por ter esta produção pela maneira mais vantajosa possível, isto inclui egípcios, chineses, africanos, árabes, e até americanos. Com a queda na produção agrícola mundial e concomitante aumento da demanda interna e externa dos países, os produtores rurais vão ser postos em evidência primordial; “A Ásia vai ter que reforçar a compra de comida nos próximos meses para compensar a queda na produção, e isto vai colocar os grandes produtores de commodities agrícolas em evidência, em especial o Brasil”, continua a mesma Agência, https://www.youtube.com/watch?v=Vwpb3JHw7yo , “Pois assim que essa tempestade passar, teremos uma década histórica!”
Tendo o Brasil a oportunidade de se sobressair diante do caos instalado em todo o mundo, os desafios não são poucos e nem fáceis, já que a segurança alimentar do Brasil está sendo comprada a preços de banana pela China por causa dos políticos míopes que só enxergam a altura das próximas eleições no Brasil como João Dória de São Paulo.
Voltando a reflexão inicial, vemos que a vida no campo pode sofrer uma guinada preferencial enorme, já que o que se sobressaiu até hoje foi o êxodo rural. Será que nos próximos dias, meses e anos veremos um êxodo urbano? Em suma, já ocorre um êxodo urbano, sobretudo das grandes cidades para o interior do país, cidades como São Paulo não possuem explosão demográfica como antes, nem Rio de Janeiro, Salvador e Belo Horizonte, estão estagnadas em crescimento, Brasília cresce organicamente, mas não numa explosão populacional como antes. As pequenas e médias cidades estão levando a preferência no gosto do povo, mas cada vez mais há um desaceleramento no êxodo rural, o que pode indicar um sinal de fim deste fenômeno, as causas para isso em nada tem a ver com o Coronavírus Covid-19, embora tenha se acelerado, na verdade as raízes remontam ao governo Dilma (2011-2016) que desmantelou a indústria brasileira, desacelerou o comércio e a produção de serviços, e fez com que milhões de pessoas ficassem desempregadas. A falta de oportunidades profissionais que se aprofundou ao longo desta ‘década perdida’ no país, tornou a vida para milhões de pessoas, sobretudo aquelas sem muita formação profissional e acadêmica, penosa, muitas destas voltaram-se para suas origens no campo, trabalhando no sítio da família, investindo em uma lavoura ou produção artesanal de produtos para serem vendidos localmente, o que deu uma guinada no comércio e dinamismo local de muitas pequenas cidades do país.
O COVID-19 está revelando ou apontando o fracasso da vida urbana, vida esta montada sobre bases frágeis de uma via tumultuada e orientada unicamente à economia, sobretudo a vida urbana metropolitana atual. O campo está se mostrando mais uma vez na história como uma possível saída para o povo em geral, lá ainda se preserva a liberdade e a dignidade da vida humana ensejada na realidade e não na ilusão de uma vida eminentemente econômica e caótica sobre o espírito do imediatismo.



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