Estado Democrático de Direito e a Idolatria da História
- Thiarles Sosi
- 15 de set. de 2021
- 4 min de leitura
Estado Democrático de Direito e a Idolatria da História: O Brasil no Jardim das Aflições (3)
Continuando o nosso pequeno estudo sobre o Brasil no Jardim das Aflições de que falava Olavo, deparamo-nos com a ausência de verdadeiro profetismo e a absorção do Brasil pelo falso porvir. Mas este falso porvir é fruto da idolatria da História e divinização do Tempo como entes que assim como a Teoria Evolucionista, também a sociedade evolui rumo a uma plenitude fruto de suas próprias ações. Novamente retomo; a ausência daquela consciência de que o sentido da História está para além dela mesma, e a missão do profeta é dizer qual seja ela, então a idolatria da História leva a crer que pelo saber humano é possível forçar a evolução desejada. Só há um problema básico diante deste problema: A evolução é uma teoria nunca provada, apresentando indícios, mas por definição nenhum ser acompanhou a evolução de sua espécie, porque ele é um indivíduo e não a sua espécie. Digo isto porque é justamente este o raciocínio dos idólatras da História e que dessa forma defendem a revolução da mesma como meio de se chegar a um fim, mas toda evolução é passiva, ao menos a definição de evolução proposta por cientistas e filósofos dos últimos séculos aponta-nos este fardo, a evolução se constitui de pequenas mudanças graduais cuja percepção é nula para os indivíduos e massas, o próprio indivíduo percebe uma evolução gradual de si mesmo com muito custo e após uma significante reconscientização de si mesmo, isto, porém, não acontece com a sociedade, exceto analogicamente por aquilo que chamamos de Alta Cultura que versa em entender a sociedade em que se está. Ora, mas isto, se for verdade, é uma bomba atômica contra a Revolução e todo o Movimento Revolucionário, porque este deseja levar a humanidade para o próximo estágio por sua própria força, quando na verdade deveria deixar que o próprio Universo tratasse de o evoluir quanto queira. A ideia de evolução por si já enseja que uma inteligência para além do tempo possa levar esta evolução a cabo, pois não faz sentido uma evolução consciente exceto por linhas muito gerais e ambíguas, assim é o Comunismo.
Diz no Jardim das Aflições:
“...No fundo, ninguém poderia apostar no comunismo se não tivesse apostado, antes, no Sentido da História. Ora, a crença no Sentido da História é comum aos comunistas e aos democratas Ocidentais. Estes não creem no esquema marxista, na revolução ou no advento da utopia proletária, mas creem no progresso das instituições, no aperfeiçoamento gradual das leis, na redução progressiva da miséria, na educação universal, na extensão a todos os homens dos benefícios da economia e da cultura modernas. Tanto quanto para os comunitas, o sentido da vida identificava-se, para eles, com a participação do indivíduo na construção da sociedade futura. Divergem apenas nos meios e no tipo de sociedade a que aspiram, mas tanto quanto os comunistas, não concebem que a vida possa ter algum sentido fora ou acima da História. Para uns e para outros, a História e somente a História é a doadora do Sentido à vida humana. É isto, precisamente, o que denomino divinização da História. Socialismo e Capitalismo são, assim, as duas seitas em que se cindiu uma mesma religião.” páginas 222, 223 da 3ª Edição; negritos meus
Ora, observe se não é exatamente isto o que acontece no Brasil atual, se não há por um lado a Esquerda Revolucionária querendo tomar para si as rédeas da História Nacional, e por outro lado, temos a chamada Terceira Via ou aqueles que se considerando de “Centro”, são contra os reacionários conservadores, mas a favor da manutenção e até sobrevivência da Esquerda como necessária à democracia, isto é, a defesa das instituições porque acredita no progresso contínuo delas? Pois é exatamente nesta crença do progresso das instituições associadas ao Cronocentrismo que é acreditar na superioridade do conhecimento contemporâneo em detrimento do firmado ao longo dos séculos a grande chaga sócio-política atual. Ironicamente a idolatria da História e do Tempo não leva o homem a valorizar o antigo e trazer a memória antes que se perca, trata-se, ao contrário, de levar a cabo uma pretensão histórica firme num futuro glorioso para as instituições ou para a revolução pela igualdade totalitária disfarçada de liberdade total.
Misture neste caldeirão de filosofismos o Cronocentrismo com o Historicismo, temos a defesa do Estado Democrático de Direito, expressão que quer dizer: Calar as vozes dos reacionários conservadores para promover a evolução contínua da sociedade conforme o que nós achamos que seja. E é assim que nasce a autoridade do STF, do rebaixamento do Congresso Nacional, do acanhamento de Rodrigo Pacheco querendo diálogo com quem não se enxerga necessitado de dialogar com “reacionários” que atacam a democracia, é assim que nasce o autoritarismo disfarçado de defesa das instituições pelo senhor Ministro Alexandre de Moraes. Infelizmente é assim que age muitos dentro do próprio Governo Bolsonaro, entre ministros, assessores, secretários e afins, generais e eloquentes das Forças Armadas, todos maculados em maior e menor grau de vicissitude revolucionária, se não pelo lado comunista, pelo lado da democracia sob o pseudônimo de “Estado Democrático de Direito”.
Curiosamente, a ideia de evolução como eu mostrei no primeiro parágrafo, leva a conclusão de que o melhor método de evoluir a sociedade é não ter nenhum método, ao contrário, é se resguardar daquilo que é seguro, que é de seu dever, aquilo que os democratas de centro ou Terceira Via e os esquerdistas comuno-globalistas condenam como “reacionários conservadores de direita”, palavras que para qualquer um desses adeptos da Idolatria da História causa ojeriza quase fatal. Esta é a ideia mesma de conservadorismo, ainda que nem sempre se possa traduzir bem o esquema por conservadores e progressistas como todos estes que defendem as instituições procuram frisar como um bem absoluto por si só. De fato, a eloquência das palavras é a fraqueza da “direita” brasileira muito presa aos logismos do regime democrático, neste fatalismo é que compreendemos o “dar para trás” de Jair Bolsonaro nos dias posteriores ao 7 de Setembro. Tudo se deve jogar dentro das 4 linhas, ainda que os seus inimigos joguem fora das 200, 300 ou de toda a dita Constituição Cidadã. Só faltou definir quem sejam os “cidadãos”, ao que parece muito claramente, são os donos do Estabelecimento Burocrático de quem se afina os Poderes da República.



Comentários