E se os EUA não existissem, como seria o Brasil do século XXI?
- Thiarles Sosi
- 8 de nov. de 2020
- 10 min de leitura
E se os EUA não existissem, como seria o Brasil do século XXI?
Um Pequeno Ensaio de Reflexão; Parte 1

O seguinte exercício é sugerido-nos: Fazer uma reflexão abstraindo a existência dos EUA no mundo e como seria o Brasil do início do século XXI sem a influência dos norte-americanos ao longo destes últimos duzentos anos. Nesta reflexão deve-se levar em conta a possível política, cultura, relações sociais, familiares, intelectuais, filosóficas, tecnológicas, científicas, artísticas e etc; neste possível Brasil dos anos 2000. O objetivo é inferir o peso que a potência americana teve na cultura brasileira e na modificação que fez desta sobretudo nos últimos 150 anos.
O estilo desta reflexão é livre e pode misturar ficção com não ficção.
Para desenvolver uma reflexão sobre a abstração da existência do mundo, necessariamente teríamos de abstrair a existência da Maçonaria, pois ela foi a desencadeadora do surgimento dos EUA.
Sem a maçonaria não existiria a revolução francesa, mas ainda existiria um movimento de apartamento entre Estado e Igreja, já que o movimento revolucionário já estava caminhando muito antes, poderíamos ir até o surgimento do Humanismo e da Renascença a partir do século XIV, ou seja, quase 500 anos antes do surgimento da nação norte-americana e da Revolução Francesa.
Antes do século XVIII, eram os Estados Francês, Português e Espanhol os mais poderosos do mundo ocidental. Provavelmente as colônias americanas não teriam se tornado independentes e o Império Português não teria se fragmentado, mas a transferência da capital e da sede do Império assim como a própria formação do Império Ocidental Católico no Brasil teria acontecido. Assim, o Império Português sediado no Brasil teria existido e seria a maior potência já no início do século XIX. O Brasil já era neste tempo a região mais rica e próspera do mundo, apesar de usar mal todas as suas riquezas, ainda assim foi o suficiente para promover o desenvolvimento de praticamente toda a Terra, sobretudo a Europa.
Este Brasil seria a sede não só do Império Português como do Quinto Império como parte da ideia já concebida já no século XVI. A ideia de construir um império universal católico português sediado no Brasil surgiu na mesma época em que o Império Russo tzarista surgia em meados do século XVI. Isto indica de certa maneira uma certa contraposição entre o surgimento do Brasil como sucessor do Império Católico por excelência e o Império Russo como ressurreição da besta romana apocalíptica. Sem a presença da Maçonaria, dos EUA, e de certa maneira da própria Rússia tzarista, pois esta adquiriu forças sobretudo pelo financiamento de cunho ideológico maçônico nos fins do século XIX para o início do século XX, o Brasil teria alcançado o patamar de potência mundial católica e universal, com uma certa natureza imperial romana, ou melhor, de caráter sagrado como braço político da Igreja Católica em todo o mundo, exercendo um papel muito superior ao que as potências reccentes criaram no mundo inteiro, sobretudo o império anglo-americano, o russo-soviético, o alemão, o francês e etc; pois todos estes foram construídos em cima de bases ideológicas anticristãs, pois pressupunham uma superioridade do Estado Político em cima da Igreja Católica e das relações espirituais e culturais dos povos.
A tradição dos povos em grande medida seria preservada, no que concerne à sua integração com a doutrina católica. As nações seriam integradas numa Ordem Católica Mundial, não de um governo, mas de uma Autoridade Mundial voltada para a defesa e propagação e progresso da fé. Como a Espada Espiritual e Temporal, representadas respectivamente pelo Magistério Católico e o Império do Ocidente (Brasil) sobre o mundo, haveria uma espécie de Reinado Social de Cristo Rei das Nações, pela via espiritual e temporal.
O Império do Brasil exerceria uma liderança mundial de cunho cultural e intelectual, mas haveria certo progresso científico e tecnológico normalmente, não na mesma intensidade, mas por exemplo; ainda haveria avião, balão à gás, dirigível e outros inventos voltados para o ar, visto que o Brasil parece ter desenvolvido de forma nativa os seus inventos para esta tecnologia, de certa forma, seria um destino comum para o Brasil alcançar os ares e o espaço, porém, mais lentamente, já que o avião não seria usado para a guerra, pois este foi usado sobretudo pelos EUA, Rússia e Alemanha para a segunda guerra mundial. O automóvel existiria, porém o modelo de produção seria outro do que o inaugurado pelo Ford. Todos sabemos que foi a guerra o motor do desenvolvimento da tecnologia mundial e da própria Revolução Industrial. Aliás, esta ainda ocorreria, já que ela teve como base a Inglaterra, porém o que poucos sabem é que foi o ouro do Brasil que financiou a Revolução Industrial em suma nela e consequentemente no mundo inteiro, inaugurando uma cultura de produção em massa, porém, não existiria o comunismo e nem o movimento de massas fascistas e socialistas, já que não existiria a maçonaria e as ideologias. O que acontece é que a Inglaterra é um estado herético desde o século XVI, mesmo período em que nasceu o Brasil e o Império Tzarista, portanto, estes configurariam como que rivais do Império Luso-brasileiro.
O Brasil ainda seria um Reino ao estilo do que era em Dom João VI ou Dona Maria I.
A conquista do Império Ocidental luso-brasileiro seria de cunho cultural, religioso, intelectual, diplomático, etc; mas não seria exatamente governamental, pois cada povo teria a autonomia para reger-se a si mesmo em sua realidade concreta, mas de certa maneira submisso à autoridade real e imperial luso-brasileira num misto quase espiritual e verdadeiramente temporal (lembremos que o Império Luso-brasileiro era eminentemente espiritual e temporal, ambos aspectos de um mesmo reino que propriamente existia para o Evangelho de Jesus Cristo, é só voltarmo-nos para a história de Dom Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal e de sua missão em construir um Império para Cristo, pois o Brasil foi especificamente um império justamente para ser o Império de Cristo ou Império do Espírito Santo).
Sem a presença das ideologias revolucionárias não haveria a primeira, nem a segunda guerra mundial, também não haveria a Guerra Fria e as diversas guerras que ocorreram como Vietnã, Afeganistão, etc; as guerras de independência na África também não teriam acontecido, pois estes países, ou melhor, os povos que nela habitavam seriam melhor desenvolvidos numa articulação mais orgânica de sociedade, receberiam a autonomia da melhor forma de governo que fosse compatível com certa hierarquia real. Isto sim, me referiria principalmente à África Portuguesa, pois esta historicamente estava integrada ao Império. Centenas de milhões de pessoas não teriam morrido nestas guerras e a população mundial seria muito maior do que a atual, a do Brasil seria provavelmente semelhante a dos Estados Unidos atualmente ou ainda maior, portanto entre terceira e quarta maior população do mundo. Muitas nações católicas não teriam sucumbido no modernismo, a Igreja teria voz para explicar as diversas realidades que apareciam com as descobertas científicas.
A ciência e a tecnologia continuariam se desenvolvendo da mesma maneira, porém com uma velocidade menor porquê não estaria voltada para o desenvolvimento da máquina de guerra e nem para a indústria de massa e entretenimento que são criações eminentemente anglo-americanas. Não haveria esta cultura de consumismo e aceleramento da sociedade e do desenvolvimento econômico tão estipulado a ponto de ser a única preocupação dos governantes das nações, a riqueza econômica seria advinda de uma cultura superior desenvolvida no interior de cada sociedade, em particular a católica.
O desenvolvimento científico e tecnológico está muito voltado para a liberdade que tem o indivíduo de empreender como bem demonstrou Murray Rothbard em Ciência, Tecnologia e Governo, e é por isso que a ciência e a tecnologia surgiram dentro da sociedade cristã católica, pois foi ela que deu esta abertura para o conhecimento da realidade por deixar claro que a Criação está a serviço do Homem e não o Homem para a Natureza como era crido por todas as realidades sociais pagãs com raríssimas exceções.
Não haveria a indústria de massas tal como conhecemos hoje, já que a usura e o lucro exagerado era uma questão moralmente inaceitável dentro do catolicismo, o que gerou conflitos por exemplo nas classes ricas da Europa no período das grandes navegações. Em Portugal houve muito dessas classes, mas elas eram em geral voltadas para o Estado, a Religião e na comunidade judaica fortemente empreendedora. Assim, provavelmente, a indústria seria de menor envergadura e espaça nas comunidades e classes menores, e haveria uma certa concentração dela nas mãos destas classes, ao mesmo tempo que o seu poder seria bastante limitado.
O Brasil seria uma sociedade ainda muito hierarquizada, os papéis seriam mais definidos dentro desta sociedade, evidentemente que não no mesmo nível do século XVIII. Não haveria a escravidão do mesmo jeito, os negros estariam mais integrados dentro da sociedade brasileira de tal maneira que teria se apagado as marcas da opressão passada, pois a política de longo prazo do Império do Brasil nos fins do século XIX era de uma verdadeira integração social dos negros na sociedade e dando um lugar para eles na economia nacional.
Não teria existido a Teologia da Libertação e nem o avanço protestante no Brasil, embora houvesse certa liberdade religiosa, mas a união da Igreja e o Estado, além de uma cultura católica mais desenvolvida tornaria improvável o avanço das seitas, então o Brasil seria um país de florescimento católico de grande envergadura, como parte deste propósito de Império de Cristo como fundamentado na história portuguesa ao longo de nove séculos.
A capital ainda seria Brasília, mas esta seria concebida não por comunistas e tecnocratas positivistas, mas por uma turma de gênios arquitetos e engenheiros que criariam uma cidade de arquitetura futurista e ao mesmo tempo casada com a tradição arquitetônica do país, em suma, seria a inauguração da arquitetura brasileira verdadeiramente falando ao mundo, inaugurando um florescimento civilizacional nas artes e ciências comparáveis ao florescimento na Idade Média, Roma, Grécia, etc;
As pessoas não usariam calça jeans e nem tomariam coca-cola, as roupas seriam mais próximas do que tradicionalmente se usava no início do século. A roupa, assim como demais trabalhos da arte humana seriam voltados para a beleza e não ao utilitarismo prático que a economia capitalista e o pensamento revolucionário teria alavancado e alimentado no mundo. Provavelmente não existiria o sufrágio universal, determinadas pessoas votariam, e apesar de que o Estado Brasileiro provavelmente seria em certos aspectos mais unitário, em outros, nos termos governamentais, haveria grande liberdade, pois o Império Luso-Brasileiro teve como ápice do seu controle rígido nos fins do século XVIII, mas já no início do século seguinte já teve que diminuir a sua interferência.
A influência dos EUA estão nos mínimos detalhes, na cultura, nas coisas que consumimos, na forma como é escrito as reportagens, tudo. A abstração dos EUA significa a abstração de uma série de coisas que foram usadas como tijolos para a construção da sociedade do século XX e que repercute até hoje. Se alguém disser que os EUA devem ser substituídos por outro, mas apenas trocando os sinais, mas mantendo a mesma premissa que a sociedade americana criou, trata-se de uma mera linguagem sem sentido algum. Por exemplo; falar numa superpotência que substitua os EUA apenas no aspecto econômico (PIB maior), militar (exército mais forte), ou empresas megabilionárias e inovadoras (Big Tech), se trata apenas de uma mudança conceitual que não condiz com a realidade, pois os EUA não lideram o mundo por ter mais indústrias, mas por sua indústria criar o conceito de indústria global no mundo, isto significa que não importa de onde venha uma indústria, se dos EUA ou da China, mas como ela trabalha. Esta indústria terá uma fábrica num canto do mundo e um escritório em outra parte, produzirá peças em outro lugar, buscará matérias primas ainda de um outro. Isto quer dizer que a mera retirada dos EUA no cenário mundial não mudará a existência da globalização, apenas mudará os números e a concentração deste num local geograficamente determinado, ou seja, o que acontece no mundo atual é uma confusão metonímica com o objeto real. Para que os EUA realmente perdessem a hegemonia referida por uma nova superpotência, seria necessário um novo modelo de superpotência que tivesse parâmetros diferentes de sociedade dos EUA, coisa que efetivamente não ocorre em nenhum lugar do mundo, nem mesmo dos que se dizem novas superpotências mundiais como a China e a Rússia. Qual o modelo de nação da China para o mundo? Nenhum, a China só quer ocupar um rótulo de superpotência aparente, mas não ser realmente uma, pois o modelo chinês atual é incompatível com os modelos nacionais pelo mundo, pois não se trata de um modelo, apenas de um rótulo, uma fórmula imitada de uma superpotência decadente (EUA) e como tal, também decairá mais rapidamente do que a ascensão dos EUA no cenário mundial. O modelo chinês só existe perante um precursor mestre (EUA), se este acaba, acaba também o chinês, porque o rótulo de desfazerá e logo o progresso chinês atual virará pó, pois não se trata de uma alternativa real a um modelo econômico que dê certo, apenas um modelo artificial que busque assimilar o de outro. Com a pandemia de coronavírus, o próprio modelo de globalização planetária ou “Cidade Global” foi para o espaço, pois se mostrou inviável a globalização e a permanência deste como um modelo de sociedade, pois a globalização é um antimodelo social, ela é uma teia tênue de relações sociais e econômicas que se definem como a troca de produtos entre os povos, mas historicamente sempre houve esta aproximação entre povos, mas nunca uma homogeneização, esta homogeneidade é apenas aparente, pois tão logo suja uma crise interna, e a primeira coisa que é rompida é esta teia de relações superficiais. Um exemplo disso é a tal da união árabe e/ou islâmica, ela se dá apenas em alguns momentos, ou a “união europeia”, ou a união dos americanos, e etc, são apenas expressões metonímicas que não condizem com a realidade. Se é assim para as nações ou estados, quanto mais para a tal da Globalização? A queda dos EUA quer dizer a queda deste mesmo modelo de sociedade globalizante, pois esta se define pelas relações superficiais de cunho econômico e cultural de massas, ou seja, visando apenas as vantagens materiais, se tira isso, sobra a simpatia espiritual dos povos, nenhuma candidata a superpotência substituta dos EUA atuais possuem a mesma simpatia de prosperidade e relações meramente econômicas dos EUA. Se a China por exemplo quer ser a substituta dos EUA, tão logo consiga derrubá-lo, e ela deixará de ser a suposta substituta para sucumbir ela e o mundo que a acompanhou numa espiral de empobrecimento generalizado e queda brusca da criatividade humana repentinamente, necessariamente. Força mágica? Não, é apenas o óbvio, se o modelo americano fracassa objetivamente, não é possível restaurá-lo ou mantê-lo apenas mudando o epicentro geográfico, isto não mudará em nada efetivamente. Um modelo alternativo à produção americana de bens de consumo passa pela mudança no próprio modelo de consumo, começa pela própria definição de bens de consumo. Se cai a produção de bens de consumo no mundo, necessariamente cai a capacidade da Terra de abrigar a atual quantidade de pessoas. Isto não quer dizer que não precisa haver mudanças quanto ao modo de consumir e o quanto consumir, mas diminuir a produção em massa, e em certos aspectos mudar a própria produção, leva a uma inviabilidade no sustento. Por exemplo, a diminuição da produção em massa de alimentos no mundo, vai levar a uma escassez generalizada, esta por sua vez provoca um encarecimento progressivo e então a fome passa a ser um fator importante na sociedade. Porque não é apenas a produção direta nas fazendas que está em jogo, mas toda uma cadeia de empreendimentos, as terras do mundo não produzem igualmente os mesmos alimentos, assim, a globalização é um aspecto não artificial, mas natural pela própria necessidade, mas o falecimento do modelo de produção capitalizado e globalizado, em tese, vocacional, leva a ruína do próprio sustento. A China é incapaz de sustentar o mundo, pois ela sozinha é incapaz de sustentar a si mesma se não for perante o modelo americano de produção em massa e de globalização da vocação, o que significa que a queda dos EUA enquanto nação, ou não ocorrerá, se ocorrer, será o assassinato de progresso das próprias nações capitalistas, entre elas a própria China.



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