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"Defesa da Liberdade de Expressão": Um fetiche fenomenológico nacional

Não posso deixar de analisar alguns pontos importantes do discurso propagado aos quatro ventos da vida pública nacional em debate para até esta véspera de 7 de Setembro de 2021, a ideia de "Defesa da Liberdade de Expressão" tornou-se numa salutar demonstração de fraqueza nacional, absolutamente todos na Esquerda e na Direita, incluindo grandes como doutor Ives Gandra Martins caiu no conceito desgraçado em voga. É que a nossa luta atual não se trata de "defesa da liberdade de expressão" coisíssima nenhuma, ao contrário, é a luta contra a liberdade de expressão que estamos inseridos.


Não são poucos os discursos e artigos escritos por famigerados nomes da "Direita", dos Liberais e Conservadores nacionais, além da própria Esquerda que lutam pelo que consideram ser sob o seu ponto de vista a defesa da Liberdade de Expressão. Ora, cadê aqueles que criticam defesas etéreas ao "Estado Democrático de Direito", Democracia, Direitos Humanos, Liberdade de ir e vir, onde está a tal liberdade de expressão? Não viram que o problema não é a falta de liberdade de expressão, mas o excesso dela? Sim, pois quando saímos às ruas para protestar contra ministros do STF por abuso de poder, não é pela defesa da liberdade de expressão que estamos lutando, e sim contra a liberdade de expressão do STF, sobretudo do Alexandre de Moraes. Se este defende a sua própria liberdade de expressão contra a opinião popular, do presidente da república ou o raio que o parta, não seria direito dele o tal direito de expressão? E se ele tem direito de interpretar a lei conforme ele queira, não é seu direito? Se a questão é defender a liberdade de expressão, então Alexandre de Moraes está certo, o STF está certo. Então por que protestar contra o que está acontecendo? Porque não se trata de defender liberdade de expressão, mas é a liberdade de opressão que está em voga.


Expressões como 'Liberdade de Expressão' são apenas um jogo de palavras tal como 'Democracia' e 'Estado Democrático de Direito'. Não há como defender a liberdade de expressão de maneira abstrata, quando damos uma opinião queremos que a nossa opinião seja a certa e a do outro, presuma-se, errada. Não queremos que a opinião de Alexandre de Moraes seja certa, acreditamos estarmos certos, queremos que ele não tenha a liberdade de expressão para que por meio dela não tenha a liberdade de oprimir-nos.


Se mudarmos a questão não para a defesa da liberdade de expressão, mas para o dever de fazer a vontade popular sobre a vontade de alguém que pode calá-la, então temos o grito de defesa da liberdade de opressão, esta é a verdadeira bandeira em voga, o resto é fetiche brasileiro por palavras que apelam sentimentalmente a algo bom. Até o diabo reclama por liberdade de expressão, minha gente, não é por ela que lutamos, mas pela expressão correta da realidade, da lei, da ordem, da soberania nacional. Sim, trata-se de medição de forças, ou uma instituição que preza por defender a democracia é mais forte que a democracia e, portanto, esta não existe, ou o povo imperará sua vontade e calará instituições que meramente lhe representam e daí sim haverá democracia. Já chega de discursos idiotas que só servem para colocar cada grupo cada vez mais em defesa de seu lado, é hora de defender a opinião que é certa e fazer calar a errada, e sim, isto exige medição de forças, isto é política, é disputa pelo poder e nada mais, seja de uma pequena parcela ou de uma grande maioria, seja pelo bem de alguns ou pelo bem de todos, é sempre luta pelo poder, e poder não é liberdade de expressão se não daquele que quer ter a liberdade de oprimir.


A Direita é considera "opressora" justamente por esta pecha de apelar para a realidade, e é justo fazê-lo e por isso mesmo é que a direita possui alguma vantagem em relação à Esquerda, esta apela à emoção juvenil de almas incultas e 'aborrecentes'. Se ficarmos num jogo linguístico apenas para conquistar o povo, haverá não mais por parte da Direita do que um discurso retórico, vazio e que apela à emoção. É certo que este discurso retórico para as massas pode ser aceito até certo ponto, mas antes tem que ficar claro para todos que a defesa é da lei e da ordem, que as instituições não ultrapassem os seus limites e que respeitem a vontade popular. Ora, a vontade popular tem que ser definida e jamais pode ser feita em base de bandeiras abstratas e sentimentais como "Liberdade de Expressão", "Em defesa do Brasil". Neste ínterim, quem teve a bandeira correta levantada foi o Zé Trovão e Sérgio Reis quando defenderam a retirada dos 11 ministros do STF, é só isso, é só querer a retirada destes, é só dizer: "Olha, queremos o bem das instituições democráticas de direito e por isto estamos exigindo a retirada destes fulano e cicrano, estes estão atrapalhando a Democracia, tira eles, isto é uma ordem, faça e voltaremos para casa"... Por isto que Bolsonaro está agindo muito corretamente ao pela primeira vez nestes quase 3 anos de governo apelar para o combate direto a este e aquele especificamente, ainda que haja mais a prejudicar, mas o exemplo atrai o exemplo, retirando aqueles mais barulhentos, começa-se a diminuir o problema porque pelo menos fará os outros mais acuados, a recuarem ainda mais e até concertarem a sua postura. Porém alguns perseguidos ficam chorando que estão sendo perseguidos por crimes de opinião, ora, isto é subjetivo, seja mais direto; "a acusação de crime contra minha opinião é inválida e não tem respaldo na lei, tenho liberdade de afirmá-la e continuarei, estou certo, chora mais". O professor Olavo fala que jamais pode tratar com respeito quem não merece respeito, se o povo começar a desrespeitar em massa estes que fazem balbúrdia à lei, envergonhados estes recuarão. Não sou nenhum estrategista, mas isto é o óbvio do óbvio. Suntzu já dizia: Quando estiver fraco, finja estar forte, quando estiver forte, finja estar fraco, e assim o seu inimigo não saberá o tamanho de sua força, jamais ataque se não tem certeza do seu ataque. Ora, vimos muitos destes que desafiaram o STF e Alexandre de Moraes recuarem quando estes lançaram o seu olhar irado com o poder da caneta. Se não queres enfrentar o leão não entres no Coliseu, cala-te, é o melhor que tu fazes em defesa de tuas próprias opiniões.


O povo sairá às ruas neste dia 7 de Setembro, este é, de fato, o Ultimato. Se o povo não for em peso, ou se mesmo o povo em massa, aqueles que tiverem o poder, inclusive das armas, não fizerem imperar a vontade popular, aí, meu amigo, tu verás a cobra fumar bonito. Será a Liberdade de Expressão das Forças de Opressão ao povo brasileiro em voga, e mais uma vez, o povo assistirá bestializado o decorrer golpista da república.

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