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De Cabral à Bolsonaro: A Saga de 2 Capitães

Atualizado: 6 de set. de 2021

De Cabral à Bolsonaro: A Saga de 2 Capitães

Em 21 de Abril de 1500 os portugueses aportaram na costa da Bahia a fim de conhecer as novas terras que pertenciam à Ordem dos Cavaleiros de Cristo de Portugal cujo chefe máximo era não por coincidência o rei de Portugal Dom Manuel I. sob a liderança de um capitão do mar, Pedro Álvares Cabral, a frota dos Cavaleiros de Cristo seguiram pelo mar na saga pela conquista do ocidente à Igreja Católica pelos portugueses.


Alguns confundem a conquista portuguesa que se deu ao longo de séculos no Brasil com a primeira conquista que foi pela Ordem de Cristo em 1500 e que tinha como finalidade conquistar para a Igreja. Pode-se dizer que o Brasil era neste caso um protetorado católico que por coincidência era administrado pela Ordem de Cristo, uma ordem religiosa que por coincidência era portuguesa e cujo líder era por coincidência o rei de Portugal. Coincidência não me refiro a mero acidente, mas colocando as coisas no seu devido aparato particular, porque não necessariamente seria assim. O líder da Ordem de Cristo não era alguns anos antes o mesmo rei de Portugal, passou a ser a partir de Dom João II. As tropas que vieram para o Brasil não era necessariamente exclusiva de portugueses, era majoritariamente composta por eles, eles obedeciam ao rei de Portugal como súditos e como subordinados pela Ordem. A autorização para que o Reino de Portugal e Castelha conquistassem o Novo Mundo veio da Igreja Católica, e não entre eles mesmos puramente. Quem controlava o Reino de Portugal e basicamente o sustentava era a mesma Ordem de Cristo que era a herdeira direta de nada mais nada menos que da Ordem do Templo, os Templários da Idade Média e das Cruzadas. O que aconteceu em 1500 foi nada menos do que uma cruzada, não por terra, mas por mar oceano, cruzando horizontes desconhecidos ao Velho Mundo a fim de expandir a fé católica. É fato que houve quem apenas visasse ambições materiais, mas sem sombra de dúvida que levando-se em conta que as riquezas do Novo Mundo só foram descobertas décadas, séculos depois, é de se imaginar que o desejo de enriquecer só contribuiu em parte para este ânimo, sem dúvida que a piedade religiosa que na época era fruto de toda uma macrovisão de vida e do universo subsistia aos interesses meramente materiais. Além do quê as ambições de enriquecer não podem ser levados em conta apenas sobremaneira material, faça você mesmo a análise se o seu desejo de crescer profissionalmente é fruto de uma mera ambição material ou se é todo um corpo de ideias, justas e algumas injustas, que faz com que todo ser humano queira crescer, evoluir, melhorar, ter uma vida melhor; o meio material é apenas um meio de obter certos esquemas de conforto que traz felicidade certamente, porém, é apenas isso? Claro que não, se não é assim para você hoje, numa sociedade totalmente materialista e vazia da realidade metafísica, por que esvaziar para além da nossa sociedade, uma época onde a fé, ciência, vida, conquista e tudo o mais era toda una e voltada, inspirada e expirada pela macrovisão católica de civilização? Hoje a nossa sociedade é visada muito pelo lucro, não que isso seja ruim necessariamente, pois lucro significa fruto do trabalho, o seu rendimento, mas na época o modo de se lucrar algo era voltado exclusivamente pela divina providência que premiava mediante o esforço para a conquista de algo em prol de um bem maior. É assim que devemos observar a ambição com que os portugueses daqueles tempos viam a conquista. Os bens materiais estavam hierarquicamente inferiores ao gozo eterno, no entanto, precisamente a matéria era necessária para a construção da vida e sociedade aqui na vida temporal. Portanto, os gozos temporais não eram proibidos, mas colocados no esquema dos estímulos, na inferioridade dos prazeres ternos a buscarem-se. Muitas vezes, porém, esses prazeres eram adquiridos mediante um esforço tremendo e muitas vezes não compensatório; as guerras, as lutas para construir-se uma cidade ou uma fortaleza eram tremendas. A divisão em capitânias não deu certo em primeiro momento justamente por causa da avassaladora presença da anticivilização. Alianças entre tribos aliadas com os portugueses foram formando-se para assegurar a presença nas cidades e fortalezas. Muitas cidades surgiram mediante o combate entre os defensores da “nova civilização” e daqueles que queriam manter o seu estilo de vida tradicional, na verdade, era a Guerra Infinita que não permitia o surgimento de nenhuma sociedade no Brasil que formasse uma sociedade civilizada. Não se pode construir uma casa quando todos os seus vizinhos querem te matar, não é mesmo? Então o Brasil pré-cabralino era basicamente isso e, como resultado muitas tribos irão desaparecer por recusarem-se ao surgimento dessa civilização no continente, outras irão desaparecer porque se fundirão com os cristãos. Em 1500 houve, pois, a conquista do Brasil, ou melhor, o início de sua conquista por parte da Cristandade.


Ao longo dos séculos o Brasil foi enfrentando uma série de perrengues sangrentos e embates decisivos, nenhum deles poderia se dizer que não oferecesse maiores problemas para o futuro daquilo que viria a ser a nação brasileira: A Confederação dos Tamoios, a Conquista do Rio de Janeiro, a Guerra Holandesa, a Guerra da Restauração, Inconfidência Mineira, Inconfidência Baiana, Revolta dos Malês, Confederação do Equador, Guerra do Paraguai, as Guerras Regionais no período da Regência e muitas outras; se o Brasil tivesse perdido basicamente qualquer uma de suas guerras nos seus primeiros 370 anos de construção, teria basicamente deixado de existir ou se quer existido como uma entidade política que hoje conhecemos.


Ao longo da história sempre houve aqueles homens que foram fatores de unificação e heroísmo nas conquistas: Pedro Álvares Cabral, Tomé de Souza, Mem de Sá, José de Anchieta, Manuela da Nóbrega, Antônio de Albuquerque, Dom Pedro I, Duque de Caxias, Dom Pedro II, Princesa Isabel, Barão de Rio Branco entre outros.


Em 2013 houve uma grande confluência de brasileiros em torno de uma revolta em comum contra o Estabelecimento Burocrático que fora construído em torno de um projeto de nação que na verdade se revelou antinacional e antivalores nacionais como Pátria, Religião Cristã e Família pela qual a nação fora construída, aquela mesma conquista de valores que custou séculos de esforços. Milhões de brasileiros saíram às ruas, outros milhões apoiaram-nos, nada de elite, nada de lideranças, nada de coordenação política, foram apenas a multidão de brasileiros insatisfeitos com o que estava acontecendo com o país, a corrupção institucionalizada e sistematizada em prol de objetivos que não estavam nas inspirações da nação, não estavam no seu íntimo. A guerra do povo contra os donos do poder que haviam tomado todas as instituições levou ao longo de toda a década a formação daquilo que pode ser chamado de “Década do Fora”, Fora o Estabelecimento Burocrático, Fora os Corruptos, Fora a Velha Política, Fora o Comunismo e Fora o Foro de São Paulo com seu Partido dos Trabalhadores aliados do narcotráfico internacional representado pelas Farcs.


Neste meio tempo surgiu um outro capitão que capitaneou as insatisfações populares da nação e a algumas de suas aspirações, pondo-se à frente, venceu as eleições. Em 2018 foi a eleição de Jair Messias Bolsonaro para a insatisfação de todo o Estabelecimento Burocrático e também de metade da nação que se sentiu insatisfeita com a sua presença no poder.

Jair Bolsonaro é a confluência de sentimentos de amor e ódio nesta Década do Fora, sendo precipitadamente o elo e o nó na garganta de muitos, é símbolo paradoxal do Brasil que combate a velha política e ao mesmo tempo a sustenta. Ele não é propriamente nem de um lado e nem de outro, é um líder transitório, para uma frase transitória, e por isso mesmo é o alvo número um de todos os ataques. Quem está no meio da corda sempre está sujeito a ser puxado por um dos lados, ao mesmo tempo que a sua simples presença garante que para qual lado ele se decidir, este lado vencerá, pelo simples fato de ser a sua força a última força sobre este equilíbrio temporário das forças nacionais. Por isso os antagonismos e os extremos coabitam em si mutuamente, como símbolo de um mundo que está passando por disputas muito sérias.


As disputas que agora ocorrem no mundo estão confluindo para uma Nova Guerra Fria. Essa guerra fria não é como outrora entre duas potências militares com dois sistemas econômicos, filosóficos, doutrinários, mas é a disputa entre duas cosmovisões que denomino: “Cidade dos Homens x Cidade de Deus”, e isto destinará os rumos deste século para dizer o mínimo.

O interessante é que neste meio tempo surgiu várias lideranças nacionalistas ou que se presumiam nacionalistas chamadas sobre o título genérico de “Direita Reacionária” pelo mundo: Borris Johnson no Reino Unido, Donald Trump nos Estados Unidos, Scott Morrison na Austrália, Narendra Modi na Índia, Shinzo Abe no Japão, Jair Bolsonaro no Brasil, além da Polônia e Hungria também muito reacionárias. Todos estes líderes e seus respectivos países estão nesta plena convulsão e transição, talvez resistência, ao rumo que o mundo está sendo guiado. Eles, assim como Jair Bolsonaro, são o fator meio-de-corda a determinar qual rumo histórico das coisas, bastando suas decisões para qual lado seguir. Em todos estes países há a resistência ao Estabelecimento Burocrático que está, por sua vez, alinhado ideologicamente a um esquema muito maior de poder e formação que tem como fim último a construção de uma Nova Ordem Civilizacional no Mundo, que em última instância é a construção da Torre de Babel, a Cidade dos Homens sobre a Terra em contraposição e mesmo anulação do Monte da Cruz, a Cidade de Deus que atualmente nestes mesmos países se presuma representá-la em certo sentido.


As disputas que ocorrem no mundo hoje não são meros frutos de interesse entre grupos, está em jogo a sobrevivência ou morte das nações. Por isso eu digo que a Nova Guerra Fria não será entre ideologias, mas entre duas cosmovisões, e estas são representadas por Globalistas e Cristãos Nacionalistas.


Coincidentemente ou não, aquelas mesmas guerras que citei e que foram fundamentais para a sobrevivência do Brasil, em todas elas esteve sobre a liderança de homens que reuniam em si características paradoxais, contrastes, como o próprio Brasil é feito. Agora também o Brasil atravessa uma batalha de sobrevivência e tem à frente um capitão representando a luta pela sobrevivência das nações diante da nova guerra fria que já estar a se formar pelo mundo.

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