Brasil x Estados Unidos: Semelhanças e diferenças
- Thiarles Sosi
- 17 de mai. de 2020
- 14 min de leitura
1ª Série de Artigos : Brasil e as Ideologias
Brasil x Estados Unidos: Semelhanças e diferenças parte 1
O Brasil possui várias diferenças notáveis em relação ao Estados Unidos que tornam inviáveis uma assimilação de valores americanos ao país como defendem alguns ditos “direitistas”, alguns chamam a esses sonhadores de um ‘Estados Unidos do Brasil’ (como já houve no passado ridiculamente) de pró-anglo-saxonistas e com razão, eles não querem restaurar o Brasil como apregoam, querem um novo Brasil construído do zero que imite a cultura anglo-saxônica. Neste artigo eu vou refutar tal ideia demonstrando o quão improvável e maléfica é tal tentativa de transformar o Brasil segundo o modelo norte-americano (pró-anglo-saxonista).
Nesta primeira fase quero listar algumas principais semelhanças que há entre as 2 nações e logo depois falar sobre as diferenças que há entre estas mesmas semelhanças:
Semelhanças
Países continentais: Ambos os países são continentais em área geográfica e em população, possuem rica geografia, ricos recursos naturais e humanos. Ambos se localizam na América (Norte e Sul respectivamente), ambos foram colonizados por países europeus.
Ocidentais: Ambos países são ocidentais, isto é, da Civilização Ocidental e do Hemisfério Ocidental. A civilização Ocidental também pode ser chamada de cristã e/ou judaico-cristã porque foi construída nos valores bíblicos. A origem desta formação ocidental está no fato de terem sido colonizados por países europeus e por terem sido formados por pessoas desta civilização.
Multinacionais e Multiculturais: Ambos os países são formados por nacionalidades e culturas diferentes por natureza, desde o princípio formaram-se dessa maneira. Ao contrário de diversas nações pelo mundo que forçam a sua multiculturalidade matando a própria cultura nacional como é o caso da Inglaterra, França, Espanha, Itália, Alemanha e etc; Brasil e Estados Unidos não possuem tais problemas porque foram culturalmente formados dessa maneira. Ambos os países são capazes de absorver as multiculturalidades e multinacionalidades sem destruir a si mesmos.
Globalizantes: Ambos os países são globalizantes, isto é, tendem a abarcar o mundo e a abarcar-se nele, tendem a alimentar o mundo e serem alimentados por ele. São 2 “monstros” aglutinadores que crescem e desenvolvem-se dessa mesma maneira. Ambos os países possuem alta elasticidade diplomática e por isso conseguem avançar sobre o mundo e por isso, possuem peso geopolítico para influenciá-lo. E acrescento, apenas estes 2 países tem capacidade de sê-los globalizantes, todas as outras nações não podem ser sem prejuízo de si mesmas ou sem prejuízo do mundo. Mais tarde explicarei melhor sobre isso.
Cristãos: Ambos os países são cristãos; não apenas na população como também nas leis e na formação cultural, já que ambos são países ocidentais.
Multitribalistas: Ambos são multitribalistas, isto é, são formados por diversas classificações sociais multi-identitárias que perfazem variados tipos de grupos com diferentes níveis de atuação, mas não são grupos comuns (como ocorre com qualquer sociedade), são grupos com interesses e visões diferentes o que implica serem “tribos”, são tribos modernas, tribos do novo século. Mais na frente vou explicar melhor este ponto.
Com estas poucas semelhanças citadas já é possível perceber o quão problemática pode ser a comparação entre ambos os países, pois se estas são as classificações que tornam estes países parecidos um ao outro, logo veremos que estas mesmas semelhanças são fontes inesgotáveis de diferenças que tornam intransponíveis a comparação. Vejamos as principais diferenças entre os dois países:
Diferenças
Ambos conquistaram suas terras de maneiras diferentes; os Estados Unidos basicamente compraram ou acordaram suas terras para além das 13 Colônicas originais, foi um crescimento artificial por meio de compras e tratados com as potências europeias que tinham a “posse” dessas mesmas terras, com exceção do México, por onde os Estados Unidos conquistaram por meio de acordos, anexações, guerras e compras daquele mesmo país que perdeu ou entregou mais da metade de seu território original. Já o Brasil (ao contrário do que muitos ainda pensam) conquistou seu território a partir de conquistas terra por terra, tribo por tribo, de expedição com guerra e colonização contínua ao longo de 4 séculos, ou seja, uma evolução lenta feita a custa de muito sangue derramado.
Ambos são países ocidentais de tradições distintas; Os Estados Unidos são de tradição anglo-saxônica, já o Brasil de tradição Latina-Ibérica. Com isto, tem-se a cultura germânica nas raízes culturais dos anglo-saxônicos e a cultura romana nas raízes ibéricas. Mas, é claro, que ambas as culturas influenciaram umas as outras por que elas fazem parte da macrocultura milenar do Ocidente.
Apesar de serem nações multinacionais e multiculturais, a configuração de ambas é muito diferente; Os Estados Unidos foram construídos pela égide branca-protestante-maçônica. Já o Brasil foi formado com a união íntima e indissolúvel das 3 Raças Branca, Negra e Indígena, capitaneadas por sua vez pelas culturas Portuguesa-Banto-Tupi na fé católica e monárquica.
Ambos os países são globalizantes, mas cada um possui a visão contrária um do outro quanto a abordagem de como atuação no mundo; Os Estados Unidos enxergam-se como o modelo de sociedade ideal da qual deve o mundo inteiro seguir, este modelo implica no rompimento de inúmeras tradições específicas de cada lugar no mundo, o que explica porque os Estados Unidos são ignorantes quanto ao funcionamento das tradições de cada lugar. Eles tendem a enxergar de forma globalizante, porém reducionista dos lugares do mundo, por exemplo: Peru e Argentina tanto faz, ambos são “América do Sul”, ou Angola e Congo tanto faz, ambos são “África”, Coréia do Sul e Japão tanto faz, ambos são “Ásia”. Esta redução provoca conhecimentos grosseiros em relação aos países como o fato de muitos americanos comuns pensarem que a capital do Brasil é o Rio de Janeiro ou Buenos Aires! Ou pensarem que o Brasil fala espanhol porque todos os latino-americanos falam espanhol (não são todos, o Brasil é só um exemplo) ou ainda pior, pensarem que o português não possui diferença ou é um “mal espanhol”, visão certamente preconceituosa fruto de quem não se interessa pelo mundo a fora. Os Estados Unidos são um líder que não se interessa em conhecer os seus liderados. Já o Brasil é ao contrário, compreende e não julga as culturas distintas que existem pelo mundo porque dentro de si consegue compreender e absorver as diferenças que carrega. O Brasil consegue adentrar em todos os ambientes do mundo sem fazer inimizades porque estuda o terreno que está pisando, não toma partido do que não lhe pertence e nem mete o nariz aonde não foi chamado. O Brasil não possui inimigos em formas de nações. Além disso, a principal característica da “globalização” brasileira é a sua aglutinação e assimilação cultural universal.
Embora ambos os países sejam cristãos, é evidente que cristãos muito diferentes em sua base, pois os Estados Unidos foram construídos pela prisma protestante, já o Brasil foi construído pela Igreja Católica, sem a qual não seria possível a existência deste país sobre forma alguma!
Os dois países são multitribalistas em sua composição, porém, os Estados Unidos são a convergência de diversas tribos para uma maior chamada Estado Federal ou Tribo Federal com a finalidade de preservar suas respectivas liberdades e interesses comuns, já o Brasil é uma imensa tribo que se ramifica e se decompõe por diversas tribos menores que possuem pouca heterogeneidade entre elas, exceto aquelas tribos importadas ou hiperisoladas como mais tarde veremos.
Análise detalhada
Agora que eu citei as principais semelhanças e diferenças dos pontos citados de comparação, vou explicar melhor ponto por ponto dessas semelhanças e diferenças. A primeira é a grandeza física das nações:
Cada um desses países são continentais em seu território, o que significa que possuem muito espaços, isso é verdade, e por isso possuem uma riqueza imensurável de riquezas energéticas, minerais, naturais e biológicas, havendo no entanto grandes vantagens para o Brasil que possui muito dos recursos raros e caros que faltam no exterior, mas sem contar a riqueza biológica que implica imensuravelmente as potencialidades que podem fornecer a vida humana. Quase metade dos Estados Unidos são ocupados por desertos e terras impróprias para o cultivo, mas eles procuram vencer isto por meio da tecnologia, já o Brasil possui a maior área de terras férteis do planeta, mas também possui terras impróprias para a agricultura como da Amazônia, mas esta que é imprópria para a agricultura oferece uma quantidade formidável de recursos outros para o país.
Ainda que o Brasil e os EUA possuam áreas semelhantes é sem dúvida que a dificuldade que o Brasil teve para conseguir tal área foi infinitamente maior do que os EUA, porque primeiro teve que povoar e desbravar, conquistar a custa de sangue, batalhas infindáveis, colonizar, povoar, e demarcar todos os lugares do país, inclusive a absurda e escondida Amazônia, tudo isso num espaço de tempo de mais de 400 anos, onde o último acréscimo de Terra brasílica nada mais era do que o atual estado do Acre na desconhecida Guerra do Acre. Já os Estados Unidos nem se quer conquistaram, mas ambicionaram e obtiveram as terras que desejavam “até o Oeste e Pacífico”, consideravam a fronteira natural de seu novo país e o conseguiram em menos de 100 anos por meio de acordos, compras e uma famigerada guerra contra o México. Ao contrário das terras ao oeste dos EUA, que ninguém queria, ninguém ambicionava ao ponto de desbravar e civilizar tais regiões até que os Estados Unidos obtivera e incentivara a imigração, eram as terras brasileiras onde todos queriam para si, todos os europeus, todos os colonos, todas as potências dessa época, e diga-se de passagem, até hoje ambicionam para si as terras brasileiras!
Segundo ponto a se analisar é o fato de ambas serem da mesma civilização, mas foram civilizadas de maneiras diferentes: Os EUA foram feitos colônias dos britânicos de quem tornaram-se independentes, mas conservaram a cultura anglo-saxônica como modelo de vida, ainda que mais tarde tenham-se enriquecido com culturas do mundo todo, mas suas bases continuaram as mesmas até hoje, ninguém pode declarar-se contra as sociedades originárias do povo dos Estados Unidos. Já no Brasil foi conquistado e povoado pela nação portuguesa que construiu absolutamente todas as bases para a civilização brasileira, porém esta civilização foi enriquecida com a cultura dos povos que para cá vieram e já viviam, mas os índios e negros que foram os principais, não tiveram uma participação secundária ou mesmo periférica na formação nacional, mas sim primordial, sistemática e aliada aos portugueses tanto na expansão das terras, tanto na colonização, na construção de cidades, igrejas, escolas, fazendas, estradas, fortalezas, nas guerras, nas conquistas, na nomeação dos lugares, das pessoas, e até dos sentimentos. Desde o começo estava claro o conceito de “Brasis”, eram os descendentes das 3 Raças e que formavam numa espécie de 4ª Raça, onde formava-se uma nova sociedade que sintetizava bem ou mal o “caráter” de todas.
Isto tudo originou 2 nações multiculturais e multinacionais diferentes, os Estados Unidos por definição surgiu da união de forças distintas, pessoas distintas, idéias distintas, religiões distintas, por esta série de grupos de diferentes identidades ao qual chamo de “tribos” e que formaram uma sociedade em comum num governo federal, que é a coroa da tal “liberdade” que eles tanto prezam em seus valores. Já no Brasil não foi assim, havia no Brasil milhares de tribos indígenas, aos portugueses juntaram-se também os africanos de inúmeras tribos, as tribos indígenas depararam-se diante de uma nova sociedade que nascia diante deles e da qual eles só podiam tomar 2 decisões: ou se unir a esta sociedade ou lutar contra ela até a morte, assim houve aquelas que lutaram até a morte e desapareceram para sempre, mas também houve aquelas que optaram por se unir e se fundiram a ela como a uma só e enraizou-se de tal maneira que se tornaram também esquecidas, porque seu sangue diluiu-se nas veias dos milhões de brasileiros que descendem-lhes (inclusive eu que vos fala), mas cujo sentimento de pertença e raiz permanecera e se dera o nome de brasílicos (brasileiros). No Brasil as numerosas tribos se uniram para formar a nação, mas esta união das tribos se deu de forma íntima e indistinguível nacionalmente, visto que apenas houve uma única nacionalidade e inúmeras variações dela pelo país, gerando assim culturas distintas em todos os lugares do país. Essa cultura do Brasil é ao mesmo tempo originada das nações que aqui se achegaram, mas também é cultura que aqui se formou, pois cada povo (tribo) que veio para o Brasil, não importava sua origem (se européia, africana, árabe, asiática, indiana e oriental, ou da terra mesma, os indígenas) teve que transformar sua cultura conforme o que aqui era possível preservar, também tiveram que inovar para que o seu modo de viver de alguma forma compatibilizasse com o país, ao mesmo tempo o surgimento das culturas distintas formava provocando formas únicas e autênticas de ser brasileiro em cada lugar, nisto faz do Brasil numa nação tão elástica que nela podemos encontrar praticamente todos os tipos humanos, coisa que é quase impossível em países mais culturalmente estabelecidos, isto explica a variedade humana colossal em todos os sentidos aqui encontrada. Já nos Estados Unidos não é assim, assim como eles surgiram a partir da união das tribos, uma vez unidos num governo federal e numa ideia comum, o governo federal dos Estados Unidos funciona mais como uma “tribo superior” que comanda todas as demais, não se trata de uma nação no sentido de como os brasileiros vêem o Brasil; as tribos originárias e aquelas que se agregaram aos Estados Unidos continuaram separadas e inconciliáveis entre si exceto pela tribo do governo federal dos Estados Unidos da América. Um exemplo disso é a cultura negra, os negros americanos são uma tribo ou uma subnação dentro dos Estados Unidos submissa a tribo do governo federal, mas os negros americanos possuem uma subcultura por se considerarem uma tribo separada das outras tribos componentes da nação americana, como os brancos anglo-saxões, os italianos, os suecos, os irlandeses, os alemães, os asiáticos, os índios americanos, os gregos e etc. Todos os povos de todas as nacionalidades preservam sua cultura, o seu povo, sua linguagem e seu estilo de vida exatamente como nos seus países de origem, cedendo unicamente à língua inglesa, a cultura moderna de mainstream e a tribo do Governo Federal, cada um vive em suas tribos e cada tribo é limitadamente relacionada com outra. As tribos nacionais dos Estados Unidos não se misturam a tal ponto de se transformarem em essência em algo diferente e distinto das suas culturas de origem, nem se integrarem no país para a criação de uma identidade nacional que permeia estes detalhes ao nível nacional, ao nível nacional fica a língua inglesa e o Governo Federal.
Mas as tribos americanas não se limitam às nacionalidades múltiplas, elas também seguem nas tribos políticas, ideológicas, filosóficas, religiosas, sociológicas, e também geograficamente em cidades, condados, estados. Tudo isto cria uma miríade de tribos de diferentes níveis e seguimentos no país que torna impossível a harmonização, exceto pelo regime democrático e pela Tribo Federal, mesmo a língua não é fator de união tribal visto que cada uma das tribos possui uma linguagem própria que engloba discursos e objetivos internos. Nos Estados Unidos, por exemplo, as cidades competem-se entre si, os estados idem, os condados também, coisa que no Brasil é inimaginável e seria incompreensível se acontecesse. Mas no EUA isto não é problema porque eles nasceram com essas distinções desde o princípio, e por causa disso as cidades e os estados, condados ganharam especializações em pontos fortes como se cada uma fosse uma loja numa rua comercial muito movimentada, e que comércio movimentado são nos Estados Unidos da América! Mas no Brasil não, cada cidade e cada estado funciona como um mini país dentro de outro, isto é, possui uma macrovisão de comunidade indivisível; as tribos são feitas de linhas muito tênues que permitem que um mesmo sujeito possa migrar de uma para a outra com a facilidade de mudar de casa ou mudar de cor preferida, mas a identidade nacional é a que confere unidade identitária a toda esta gente. A concorrência entre cidades e estados existe, mas ela sempre tende a morrer na praia, porque os conflitos entre estados e municípios são regulados pelo por uma macrovisão comum de pertença social encabeçada pelo governo central que é visto como se fosse um “grande pai cuidador”, esta visão é inimaginável e seria incompreensível por sua vez nos Estados Unidos!
As tribos brasileiras também variam formidavelmente, mas elas são de gêneros muito diferentes das que existem nos Estados Unidos, porque na política o Brasil só possui uma ideia originária, a Central, na ideológica apenas uma, a conservadora, na filosofia apenas uma, a da sobrevivência( que criara estruturas como o pejorativo “jeitinho brasileiro”), na religiosa apenas uma, a católica apostólica romana (ainda que com a piedade popular muito específica), na sociológica apenas uma porém complexa, a miscigenação (no Brasil é permitido as diferenças desde que seja possível a miscigenação nelas), mas também as tribos menores como estados, microrregiões ligadas ao meio ambiente social, e por fim cidades e vilarejos que compõe-se de forma mais ou menos harmoniosa e não competidora, antes familiar e fraterna no sentido estrito da palavra. As características que tornam os Estados Unidos multitribalista são as que no Brasil são ocasião para a unidade nacional, o Brasil é essencialmente Centralizador, Conservador, Improvisador, Católico, Miscigenador, e Fraternizador. Isto significa que o Brasil possui características nacionais globais muito distintas e intransplantáveis nestes termos para os Estados Unidos, o inverso é verdadeiro.
Se podemos comparar os Estados Unidos, diríamos que ele se assemelha a uma pirâmide cujas bases possui maior poder e identidade e, conforme vai subindo na pirâmide mais rala é a identidade, (começando pelo indivíduo que preza pela sua identidade pessoal e passa igualmente pela sua família, e depois na sua comunidade de grupo de interesse, ainda sua cidade, sua ascendência, sua região/condado, depois o seu estado e etc.) então menor é o poder e assim menor a sua representatividade, portanto, vale assim mais a autoridade simbólica de um nível superior para uma tribo superior comum, como a Tribo Federal. Fazendo a comparação com o Brasil, diríamos que ele é mais como uma Árvore, cujas raízes são distintas dos galhos e dos ramos, e cada folha é diferente uam da outra, e embora haja grande diversidade de elementos (folhas, galhos, ramos, raízes, frutos, flores e sementes) eles compartilham um tronco comum em cuja seiva circula em todos os distintos elementos da identidade (tronco), portanto, não se trata de um elemento superior que engloba e governa as tribos inferiores mediante o Estado, Língua, Governo e Macrovisão, mas de um Tronco comum para onde converge em todos os sentidos e por todos os canais toda a mesma seiva essencial da nação. No Brasil o caminho para a identidade é o inverso da americana, ela não começa no indivíduo, começa por um atrito em comum com todas as individualidades ao seu redor, formando o eixo de comparação e integração social como a um tecido, e assim o indivíduo se identifica mais ou menos intimista a mesma identidade nacional (tronco). As raízes são as matrizes culturais originais, o tronco é o Império Católico como explicarei melhor à frente, os galhos e ramos são as inúmeras variações de identidade nacional ao nível regional e local como fruto das interações seculares por distintas tribos, as folhas são grupos, comunidades, cidades e famílias (clãs) que compõe a nação. A realidade sobre o Brasil é mais de uma árvore e esta árvore é mais assemelhada com aquela do Evangelho em que Jesus faz a comparação com o Reino de Deus; “Com que o Reino de Deus pode ser comparado? É semelhante a uma árvore cujos ramos se estende ao mundo todo, e aves de todos os lugares se achegam para fazer o seu ninho, é ainda uma semente de noz moscada que é a menor entre as sementes, mas uma vez plantada e cultivada, cresce e se torna maior do que todas as outras”, diz o Senhor. Se o Brasil é uma árvore universalista, é claro que o mundo inteiro pode se abrigar nele, e isso explica o porque do brasileiro ser tão receptivo aos povos do mundo inteiro, porque essa visão de vir ao país construir uma vida melhor é a imagem que todos os brasileiros têm e/ou gostaria de ter sobre o próprio país. Mas esta árvore possui diversos ramos podres e que assim como no exemplo dado por Jesus precisam ser cortados para o bem de toda a nação, diga se de passagem! O Brasil pode ser comparado ainda a uma família, onde o pai (tronco) e a mãe (seiva) unificam os elementos da nação como filhos (galhos e ramos) vindos de avós comuns (raízes) gerando ramificações calorosas que recebem agregados (frutos, flores) e assim geram novas sementes, novos brotos para novas semeaduras harmônicas (sementes). Em suma o Brasil nasceu de uma cosmovisão católica, já os Estados Unidos de uma associação de diferentes, e isto implica a diferença fundamental entre ambas nações.
Nos Estados Unidos permite-se a importação de tribos que sejam alheias ao país desde que respeitem a tribo federal e a democracia, mas no Brasil isto é improvável e torna-se ocasião de preconceito o isolamento de cunho nacionalista ou de outro tipo, torna ainda um pesadelo terrível nas disputas políticas; crise política, filosófica e ideológica tende a provocar extremismos e Tribalismos Novos. A etnização de um povo tão miscigenado como o do brasil tende a provocar preconceitos quanto a cor da pele já que não é possível mapear as origens totalmente de cada pessoa, coisa que se fizesse veria-se brancos descendentes de negros, negros descendentes de brancos, índios descendentes de brancos, asiáticos descendentes de brancos e negros, etc, ou seja, é impossível criar uma divisão étnica no Brasil porque todos são mistura de todos, exceto aqueles que sejam filhos diretos ou muito fechados de comunidades imigrantes isoladas no país, coisa rara e alvo de preconceito por algumas vezes pelo mesmo fato de não ser de praxe brasileira o segregamento racial tribalista.



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