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Brasil 520 anos: O que comemorar?

Atualizado: 15 de dez. de 2021

Brasil 520 anos: O que comemorar?


Hoje (dia 22 de Abril), o Brasil completa 520 anos, mas o que temos para comemorar? Não muita coisa certamente, porém queria trazer uma reflexão sobre um resumo da história do país basicamente ao longo de todos estes 520 anos de luta, sim de luta, porque a história do Brasil se resume a uma história de conflitos desde épicos aos mais espúrios. Hoje o Brasil atravessa mais uma batalha, a batalha do povo contra o estamento burocrático.


A história do Brasil pode ser resumida como a luta do povo contra a classe dominante, não me refiro aqui a luta de classes que Karl Marx dizia, mas a luta entre um grupo de pessoas que se achavam donos do país e outros que se viam injustiçados por estes. O primeiro grupo dominante foram os senhores de engenho, senhores feudais do Brasil colonial, e haviam como os “resistentes” os bandeirantes que avançavam para o interior e os índios que encontravam nos jesuítas seu refúgio. Aliás, os jesuítas foram os que mais sofreram ao longo do período colonial, na busca de construir uma civilização de grandeza superior a européia encontraram como “sabotadores” os Senhores de Engenho que não queriam de maneira alguma promover o desenvolvimento de uma civilização feita por índios e “brasis”.

O segundo capítulo deste romance nacional foi quando os holandeses vieram para conquistar o nordeste, se instalaram na região mais rica, Pernambuco, para dominar e obter lucros com o ouro de então; o açúcar. Vendo o povo que os holandeses protestantes só vinham para obter riquezas e não para construir a civilização, os povos da região: Brasis, Senhores de Engenho, colonos, índios, negros e portugueses residentes se uniram para expulsar os protestantes holandeses no que ficou conhecido como a Guerra Holandesa e a famosa Batalha de Guararapes, talvez o maior evento épico do Brasil colonial, uma cruzada ao mesmo tempo religiosa, patriótica, e idealista.


Depois de tudo isso, houve muitos capítulos interessantes, temos o conflito entre o Brasil que cresceu tanto que já não podia ser mais um simples estado, ou seria a nova sede do império lusitano ou se separaria, um longo processo que culminaria na independência definitiva em 7 de Setembro de 1822, na minha opinião se tratou de uma separação umbilical mais do que guerra de espada. Houve intensa resistência dos portugueses liberais que queriam um rebaixamento do Brasil a um nível pior do que tinha antes de 1808 quando já era uma região muito desenvolvida e que exigia um grande passo adiante. Este conflito levou a separação em dois estados, naquele momento os interesses da nação se convergiram em torno da independência, mas logo houve a sabotagem, a elite liberal temendo a ascensão de novas classes sociais como as dos negros e pobres em geral, trabalhou para manter o velho sistema impedindo que a nova nação florescesse para todos, o Brasil independente só foi livre para alguns… um novo capítulo se iniciava.


Ao longo de todo o Império do Brasil, o desenvolvimento da nação foi coroado pela princesa Isabel com a independência dos escravos, mas teve que pagar o preço, os seus antagonistas de então (dessa vez não eram mais os Senhores de Engenho, mas os cafeicultores paulistas que estavam ficando muito ricos com a mão de obra escrava apesar desta estratégia já ter sido comprovada já naquela época como ineficiente, mas os donos do conforto sobre o sofrimento alheio não queriam aceitar tais mudanças…) tiraram a coroa da princesa para sempre, tornando-a quase mártir neste sentido. Com a vingança dos cafeicultores paulistas, houve o financiamento do movimento republicano que não conseguia apoio popular, mais uma vez a elite do momento vai contra o apelo popular e declara o golpe contra a monarquia em 15 de novembro de 1889. O golpe republicano foi essencialmente uma espadada elitista contra a monarquia por ela ter defendido os apelos nacionais discutidos desde o início daquele século com o protagonismo do Movimento Abolicionista!


Com o regime republicano, o Romance chamado “Brasil” ganha um novo volume de tramas e enredos quase inimagináveis, a coisa piora e muito, agora a batalha era entre as elites e não mais entre o povo e a elite. A guerra das elites oligárquicas divididas entre produzir café com leite ou indústria nascente culmina no golpe do Estado Novo em que Getúlio Vargas cria o seu governo elitista, mas populista, de cunho fascista, agradando gregos e troianos, se mantém por mais por quase duas décadas, governa um tanto. Sofrendo pressão abre mão do Estado e da própria vida, como muitos homens apegados ao poder fizeram...


Por fim, vem o período chamado “democracia” pós-varguista, mas esta democracia também defendia os apelos das elites historicamente insatisfeitas, surge Juscelino Kubitschek, aquele que irá construir a capital ditatorial do Brasil (ainda se mantém o sonho de construir uma civilização, mas dessa vez era o coroamento das elites que iriam possuir o poder total em suas mãos). Brasília foi construída e projetada pelos últimos artífices a fim de não ter os ruídos populares incomodando uma vez mais, já chega do povo querer alguma coisa para si, nós sabemos o que é melhor para eles…oras!


Veja se não foi com este mesmo pensamento, elitista, que o positivismo resguardado pelos amabilíssimos militares fizeram em 1964? Ridiculamente tomaram para si os rumos da nação, durante duas décadas e meia o povo e a esquerda lutaram contra os malvadões militares. Adivinhe quem conquistou o poder após a liberdade democrática reimposta a duras penas? Sim, a elite esquerdista, mais uma vez era um grupo engajado desde o início do século insatisfeito com os rumos do país que tomaram a dianteira e assumiram o controle da sociedade pós-regime militar por meio dos partidos políticos (todos os partidos eram de esquerda), das instituições (eles tomaram conta de todo o aparelho estatal e educacional, artístico, cultural, estrutural e etc.), ao longo de cinco décadas como sintetizado pelo professor Olavo de Carvalho, ex-esquerdista, “Você não vê um jornal conservador, uma rádio conservadora, uma televisão conservadora, uma universidade conservadora. Tudo foi dominado pela esquerda brasileira”, ou seja, todas as vozes dissonantes que outrora houvera, embora quase sempre contra os interesses do povo brasileiro, desapareceram e tudo se tornou num uníssono vocábulo que domina toda a opinião pública nacional nos mínimos detalhes.


A coroa final veio com a eleição do PT e do presidente Lula, figura histórica para o bem ou para o mal no país. Lula é a síntese histórica do Brasil que ora se une às elites, ora se une ao povo. Foi e é um homem dividido: capitalista e comunista, católico e ateu, criança pobre do nordeste e líder máximo da maior organização política da América Latina, o Foro de São Paulo, o homem mais honesto e injustiçado que alimentara o maior esquema de corrupção política já vista talvez na história da humanidade.


Será que esse é o último capítulo da história do Brasil? O país se tornou o exemplo do que não ser para as demais nações.


Mas houve um capítulo inesperado, pela primeira vez desde 1500 um outro agente assume o poder, o povo brasileiro, dessa vez o povo acorda com forças totais e levanta-se em protesto. É 2013 e o mundo assiste estupefato ao que acontece no Brasil, não consegue, porém, entender o que de fato incomoda a nação.


O que de fato incomodava o Brasil? Eram os 20 centavos de aumento da conta de ônibus? Era a incapacidade da Dilma de governar o país em meio a crise? Era a luta do proletariado para com os abusos dos patrões opressores? Eram os alunos que queriam educação? Eram os burgueses liberais que queriam uma economia livre e pujante? Não, o que houve foi que o povo brasileiro estava cansado, deu um grito de socorro querendo dizer alguma coisa e ser ouvido. Até hoje a elite não entendeu isso, como nunca entendeu e nem vai entender!


Então o que devemos esperar para os próximos capítulos? Se o povo brasileiro não assumir a responsabilidade na condução do país, será novamente calado pela elite reinante.


Agora temos um novo capítulo de luta chamado “Coronavírus”, ainda está em andamento...

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