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Análise Geopolítica sobre o atual conflito Rússia x Ucrânia

Análise Geopolítica sobre o atual conflito Rússia x Ucrânia


25 e 26 de Fevereiro de 2022;



Estamos assistindo ao noticiário várias informações desencontradas sobre o conflito diplomático russo-ucraniano. O motivo básico deste conflito são dois: Os EUA precisam aumentar a sua influência militar ao redor de países estratégicos como a Ucrânia que faz fronteira com a Rússia e é assim a porta de entrada para cercar a sua “antiga” rival. Isto se dá por um motivo muito simples: A Guerra Fria nunca acabou, apenas deu uma trégua, e durante estas três décadas desde que acabou a União Soviética, ela se transformou em outra coisa aparentemente diferente; de um lado nós temos os Globalistas liderados por Joe Biden no comando dos EUA, e como tais, tem como ideias o fomento da peste, fome e guerra para a expansão de seus ideias revolucionários, do outro lado nós temos os Eurasianistas que desejam uma Terceira Guerra Mundial que destrua os Globalistas para criar uma sociedade multipolar, conforme o ideal de blocos da Rússia de Putin e Alexandr Dugin. O segundo motivo deste conflito é mais refinado: Uma guerra em grande escala atual é necessária como nova etapa revolucionária para minar e destruir as nações e as suas riquezas, aumentando a concentração do poder estatal e das indústrias dos metacapitalistas: Criando um megamonopólio global de poder político-econômico-social e tecnológico concentrado nas mãos de poucos homens na política e no empresariado, você cria uma hierarquia global mastodóntica, colossal, que impede terminantemente qualquer resistência. Em outras análises já havia chamado este fenômeno de Quarto Setor Econômico: O Setor Corporativista relacionaod à Quarta Revolução Industrial.

Vemos neste início de conflito muitas informações desencontradas das quais não podemos garantir total confiabilidade, por exemplo, vídeos de bombardeios russo contra a capital ucraniana, por enquanto são duvidosos por um único motivo: Até agora a Rússia não declarou guerra total à Ucrânia e um plano para anexá-la ao seu território, o que configuraria a única motivação para uma guerra total contra todo um país, o que sabemos claramente é a intenção da Rússia de defender os territórios que recentemente no dia 21 de Fevereiro de 2022 os reconheceu a independência e portanto a sua defesa armada, com isto, dizer que a Rússia está atacando Kiev me parece muito temerário, pois isto justificaria a adesão global contra a Rússia, e Putin não é idiota para querer ter o mundo inteiro como seu inimigo, o contrário é mais provável: O Ocidente estimular uma inimizade sobreproporcional contra a Rússia para justificar uma guerra de escala global. Se Putin quisesse uma guerra planetária, ele não precisaria da justificativa “anexação ou invasão ucraniana” para isto, se a coisa é meramente declarar guerra a todo mundo e incorporar tudo ao seu poder monocraticamente, além de estar cometendo uma burrice sem tamanha, estaria sendo ingênuo se pensaria que venceria o mundo inteiro, exceto se fosse um maníaco por guerra a fim de destruir tudo e todos, mas sabemos que Putin só quer vencer a Europa Ocidental, não destrui-la, e se quer destruir um país, são os EUA, o que seria absolutamente loucura usar a Ucrânia com trampolim para uma guerra não-frontal. Além disso, a Rússia, se quiser anexar ou destruir a Ucrânia em seu exército, não utilizaria ataques covardes contra civis, não que a Rússia seja santa a tal ponto de preservar os civis, mas se a guerra é antes narrativa do que física, é certo que eles não começariam com massacres contra civis na capital, simplesmente destruiriam bases militares ucranianas, é muita ingenuidade pensar dessa maneira, a Rússia não é um homem-bomba, ela não se mata, não é tudo ou nada, o foco seria anexar e defender as regiões que disse defender a independência, ou seja, Lugansk e Donetsk. A estratégia russa é de 1 x 2, se o inimigo lança 1, ela lança 2, se o inimigo lança 2, ela lança 8, se o inimigo lança 4, ela lança 32, ou seja, a Rússia gosta de atacar com proporção muito maior após uma iniciativa do inimigo, e não faz sentido que ela comece atacando se que haja respaldo para isto.

Então podemos concluir que este conflito é, conforme já havia dito numa análise geopolítica do dia 8 de Dezembro de 2021, um teatro dialético em que a Rússia e EUA lançam-se numa jornada muito perigosa de narrativa para uma guerra real ou que fomente efeitos reais na macropolítica global, como sendo mais uma etapa do Grande Conluio que se instaurou no mundo desde o início de 2020. Não podemos negar, porém, a eficiência do ponto de vista estratégico de mudanças políticas profundas a nível global de um conflito militar global, por isso não nego a alta periculosidade desta guerra, mas nego a exigência de uma resposta pronta dos países a este conflito, pois ainda é cedo para averiguar a sua complexidade. Vejo muitas pessoas, incluindo conservadores, já exigindo que os globalistas tomem uma atitude de defesa da Ucrânia contra a Rússia, mal sabendo ou percebendo que tudo pode não passar de um engodo pior ainda lá na frente, em que mudanças políticas maiores seriam feitas pelos próprios globalistas por exigência deste clamor.

Fica algumas questões que não foram respondidas sobre a inimizade russo-ocidental nestes últimos dois anos:

  1. Existe rivalidade real entre os Blocos Russo-Chinês e o Globalismo Ocidental?

  2. Se existe tal rivalidade, por que China e Rússia adotaram a mesma política dos Globalistas sobre o combate à Pandemia ou vice-versa? Se fossem amigos, não se combateriam, se fossem rivais, um acusaria os feitos um do outro.

  3. Colocaram Joe Biden como sendo sinônimo de defender os interesses chineses. Seria ele correspondente aos interesses russo-chineses ou representaria a contraposição aos seus interesses, já que após a sua eleição, a rivalidade entre China e EUA aumentou ainda mais, bem como entre Rússia e EUA, reacendendo a chama da Guerra Fria que havia se esfriado.

  4. A quem beneficiaria uma guerra a nível global entre russos-chineses e bloco ocidental? Beneficiaria aos dois, pelo seguinte: A Rússia já deseja uma terceira guerra mundial para liquidar com o Ocidente, mas o Ocidente que eles ditam se trata da Nova Ordem Mundial, não do povo em si, o problema é que os russos não diferenciam nação de agentes específicos, porque julgam os globalistas na mesma espécie que eles são, imperialistas. Já os globalistas, desejam uma guerra mundial para criar o caos necessário a fim de criar aquele The Great Reset em que a história das nações se dividam num antes e depois dos fatos, eles quiseram tornar isto a Pandemia de Covid19, mas talvez por falta de força, precisam de dar mais um capítulo, já que tudo é um processo histórico e não de uma vez, mas de narrativa por cima de narrativa, a união do mundo contra a tirania de um resquício de nação imperialista como a Rússia é ótima estratégia para criar um novo mundo em que as nações são diluídas e superadas.

Devemos olhar quem são os agentes, quem está tomando tais decisões e por qual razão, não países e blocos, pois isto foge à realidade dos fatos. Quando se trata de Rússia, dizem simplesmente o “Putin”, mostrando que reconhecem que o agente é Putin, mas no caso dos EUA e da Europa simplesmente falam em “países” e seus governos, mostrando uma heterogeneidade nos termos. Os analistas de direita no Brasil estão usando os termos que a mídia ocidental está utilizando para criticar o Putin, e isto pode ser muito delicado, para dizer o mínimo, já que nestes dois anos, o inimigo número um da manipulação da linguagem e dizendo falsidades atrás de falsidades foi a Grande Mídia Ocidental e não a russa, que mesmo sendo estatal, foi mais transparente, ainda que obviamente pró-interesses russos.

Acusar da mídia russa de defender interesses do governo, não cabe pelo simples fato de que também a mídia ocidental é pró-globalista como foi pró-pandemia e pró-covid, pró-vacinas, pró-passaporte sanitário, pró-restrições e lockdown, como todas as outras formas de tirania que minaram as leis constitucionais das nações ocidentais, sobretudo as brasileiras que proibiam a restrição das liberdades de ir e vir, bem como de se expressar pelos meios de comunicação. Com isto, me admira que a Direita brasileira agora esteja a defender e utilizar da mesma linguagem e ideias promovidas pelos globalistas contra o Bloco Russo-Chinês.

Até poucos meses ou um ano atrás, os conservadores brasileiros ainda estavam do lado de Putin por este dizer que combateria os globalistas ocidentais que naquela época derrubaram o Trump por força da mídia, agora os mesmos conservadores estão exigindo que Joe Biden, isto mesmo, o Joe Biden tome uma atitude contra Putin e sua tirania, se isso não é um tipo grave de alienação psíquica, eu não sei o que é. Não consigo enxergar com minhas limitações o que há de coerente entre exigir que o inimigo que quer te destruir destrua outro, pior ainda, sem saber se o outro está realmente fazendo aquilo que dizem estar fazendo, pois já há vídeos antigos, claramente manipulados para dizer que se trata dos atuais ataques russos à Ucrânia, mas conforme eu disse, não me parece verossímil que Vladimir Putin com a inteligência enorme dele, boa ou má, extremamente calculista e estratégica, de repente se venda como um tirano louco pronto para invadir e quebrar tudo esperando que o Ocidente bloqueie todos os bens e tecnologias digitais de que a Rússia se serve, me parece demasiada loucura para aquele que trabalhou em grande destaque na KGB, a maior agência secreta do universo!

Neste momento, há grande chance de que o Ocidente utilize de um exército de hackers para bloquear o acesso russo de todas as fontes digitais, e mesmo de suas empresas, a fim de sufocar as comunicações, o que seria uma grande arma de ataque, mas os conservadores brasileiros esquecem que o Telegram é russo e já há uma grande perseguição pelos países do Ocidente no intento de bloquear esta rede social, com uma guerra e sanções, certamente que o Telegram seria derrubado, e seria proibido, inclusive no Brasil, caso o STF seja contra a Rússia, se isso acontecer, o que é muito bem estrategizado, a Justiça pode bloquear o Telegram, bem como outras redes sociais não controladas pelo Vale do Silício, e assim possa impedir “fake news” e campanhas “pró-russas”, mesmo que a diplomacia brasileira oficialmente se declare neutra, estamos em ano de eleição, seria muito conveniente que se juntasse uma coisa à outra. Não seria difícil supor que isto justificaria uma guerra contra os próprios conservadores brasileiros até o fim das eleições, impedindo que “direitistas” ganhem as eleições, criminalizando o pensamento conservador, antiliberal e “extremista”, já que a Rússia de Putin seria taxada de tal. Ora, tudo isto é muito óbvio, não é mesmo? Pois tudo isto é sim muito óbvio e depende do que acontecerá nos próximos dias. Só precisaremos ver de qual lado a Esquerda brasileira ficará, e então ficaremos sabendo quem está errado e quem vai sofrer as consequências, mas arrisco dizer que os conservadores brasileiros vão se dar muito mal pela sua atual postura diante deste conflito, sobretudo porque estão desarmando a consciência do público que os acompanham. Os conservadores brasileiros são culpados em primeiro lugar pela baixa consciência popular diante da Pandemia, a maior parte do povo se entregou ao discurso globalista pela covardia dos conservadores, e também porque não prepararam o povo para não acreditar na mídia, e agora, como se não bastasse, estão reforçando a moral da mídia ocidental que é inteiramente mentirosa. Num momento em que a Pandemia não acabou e nem a política do passaporte sanitário e pró-vacinas, é perigosíssimo dar esta moral para as mídias, pode acarretar em tiro no próprio pé.

Os efeitos de uma possível guerra com esta finalidade entre duas forças globalistas distintas são:

  • Empobrecimento generalizado das classes médias, aumento da fome e miséria, concentração de renda nas mãos do empresariado, sobretudo do setor bancário, aliás, interdependência do financiamento bancário para todo o setor produtivo local, regional, nacional e internacional;

  • Inflação pela falta de recursos básicos e insumos para produção industrial, alimentação e diminuição das liberdades civis;

  • Cooperação privada-militar com governos, criação de uma base fascista mais pujante, diminuição ou diluição das soberanis nacionais em torno de uma cooperação internacional maior para uma aliança continental contra um inimigo em comum;

  • Temos que lembrar da COP26 que definiu entre outras coisas a diminuição do consumo de combustíveis fósseis, ora a Rússia é uma das principais fornecedoras de petróleo e gás para a Europa, e uma drástica diminuição disto, poderia inflacionar os preços destes combustíveis fósseis, ao passo que o tornaria, por isso mesmo, mais escasso, caro e daria uma boa desculpa para incapacidade de fornecer a matéria para todos os países e manter a escala industrial anterior, fora que, em caso de guerra, os conbustíveis existentes teriam que ser remessados e endereçados para a produção e movimentação bélica, o que restringiria abruptamente o consumo doméstico. É muito fácil perceber que tal situação se encaixa muito bem nos interesses globalistas para o Ocidente em curto, médio e longo prazos.

  • Se um inimigo invisível como o Covid19 foi o suficiente para trazer este nível de cooperação entre os países, tornando países como Austrália e Canadá que antes eram exemplos de democracia e bem-estar em ditaduras aos moldes chineses de controle, o que não faria um inimigo visível como uma Rússia e um governo Putin muito loucos querendo destruir tudo e todos? É também muito conveniente para uma aliança ainda mais firme no Ocidente por uma mudança revolucionária no trato social deste século.

  • Bloqueio de redes sociais russas, incluindo o Telegram, o que seria muito conveniente para o Ocidente a fim de defender a sua narrativa oficial na guerra, e sobretudo, particularmente no Brasil, em que 2022 será ano de eleições e será muito fácil associar os “direitistas” ao que a Rússia estaria fazendo, já que se trataria de uma guerra “nacionalista”.

Dito isto, é muito perigoso tomar uma postura de defesa de um lado e de outro, ou defender que tal lado faça o quê. Não sabemos se o governo ucraniano é de confiança, pode ser que a Ucrânia tenha sido colocada como bode expiatório para esta inimizade entre duas formas de globalismo, imperial e neoliberal. É claro que devemos ficar do lado do povo ucraniano, mas ficar do lado do povo ucraniano, em questão de guerra, não quer dizer muita coisa substancialmente, só quer dizer o lado que você estará: Indústria Bélica Americana e o Eurasianismo russo.

Características locais:

Sinalizemos algumas características locais da Ucrânia e do ambiente deste possível conflito:

  • A maior parte da população do leste ucraniano fala russo e é de cultura russa, tanto histórica quanto politicamente, então é natural que haja conflito de interesses numa aproximação entre Ucrânia e OTAN, se a outra banda do país está mais próxima culturalmente da Rússia.

  • Historicamente a Ucrânia esteve associada à Rússia Imperial, bem como as diversas regiões do leste ucraniano; mais tarde comporam a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, o que significa que estamos falando de uma comunidade de nações que se confunde histórica e civilizacionalmente, tal como o rumo que os países europeus ou os EUA atualmente seguem, a América Latina segue atrás bovinamente. Estamos falando de uma fronteira nacional muito volátil e que não corresponde unilateralmente “onde começa uma nação e termina a outra” como ocorre no Brasil; as fronteiras nominais não correspondem às nacionalidades, são todos países muito recentes em sua independência, é bom lembrar que os atuais estados nacionais são obras inteiramente artificiais de territorialidade, e boa parte dos conflitos armados pelo mundo são da mesma natureza: Fronteiras mal-definidas e territórios de um povo entregue a outro sem critério de nacionalidade, mas apenas por imposição do Estado Moderno Republicano das ex-potências imperialistas, a Rússia e Ucrânia não fojem a esta regra, antes são sua alta expressão exemplar.

  • Uma aproximação militar estadunidense em território ucraniano colocaria a Rússia sob pressão, que é justamente a única intenção para o estabelecimento de uma parceria militar, pois onde os EUA fazem parcerias, eles instalam suas bases a fim de assegurar maior controle hardpower.

  • Desde que a União Soviética acabou, a Rússia nunca deixou de ser governada pelo mesmo bloco político-ideológico cuja inserção comunista é apenas uma parte integrada a uma nova doutrina estratégica maior chamada Multipolaridade e Eurasianismo, cuja essência é a inimizade com o Ocidente (leia-se sobretudo o atual Ocidente que são EUA e Europa Ocidental, junto com sua hegemonia cultural e tecnológica).

  • Num eventual conflito entre Rússia e Ucrânia, os EUA ficariam distantes, o que é muito conveniente, manter um conflito pesado à distância permite a tomada de estratégias e descanso para os estadunidenses. Quem mais sofreria as consequências seria a Ucrânia, já que seria o palco da guerra entre duas potências, facilmente a guerra deixaria de ser sobre a soberania russa ou ucraniana, para se tornar em qual potência é mais forte e restaria após o conflito.

  • A Ucrânia é herdeira de parte do arsenal bélico da União Soviética, o que representa uma forte ameaça para a Rússia em caso de conflito real, e isto explica em parte para a abrupta resposta russa contra cidades ucranianas, se não quiser ataques ou se defender, ataque primeiro, faça o inimigo temer e recuar imediatamente. A Ucrânia viu que se enfrentasse uma guerra real contra os russo neste momento, levaria tempo para os ocidentais tomarem uma atitude, e um dos motivos disto seria o fato de que querem planejar muito bem o que fazer, segundo, que se tiverem realmente querendo guerra, quanto pior a coisa ficar, melhor, para que a resposta seja também mais grave depois. Por isso mesmo que é perigoso ficar do lado de um ou de outro.

  • A distância entre Kiev e Moscou são de 750 km, o que é menos do que a distância entre São Paulo e Brasília. Imagine que o poder de mísseis balísticos intercontinentais conseguem atravessar essa distância rapidamente, que é uma hora de voo mais ou menos. A proximidade geográfica realmente é muito grande, e a instalação de qualquer base militar estadunidense em território ucraniano é realmente uma forte ameaça à Rússia.

  • A atual Ucrânia vive dividida ideologicamente, e também boa parte de sua população vive em grande pobreza e miséria, possuindo baixa renda e baixa poder de compra.

Alguns eventos passados:

Vamos fazer uma pequena linha de eventos passados dos últimos anos, conforme podemos mapear até os dias de hoje.

  • Em 2014 foi deposto por um golpe o presidente ucraniano pró-russo viktor Yanukovich;

  • Os protestos e movimento militar pró-russo em Donetsk e Lugansk começaram já desde este tempo, no mesmo período em que a invasão russa à Crimeia por ocasião da aproximação estadunidense do governo ucraniano recém-instalado pró-americano e pró-OTAN, e o perigo de que a base militar na Crimeia fosse tomada pelos inimigos russos. Uma rivalidade maior entre os dois blocos seria obviamente acesa.

  • Em 2021, as negociações para a possível entrada da Ucrânia a uma aliança militar com a OTAN se fortaleceram, e as negociações de neutralidade não foram acordadas entre as partes envolvidas: Os EUA defendem o direito de parceria militar da Ucrânia com a OTAN, pelo direito de determinação dos povos (um discurso liberal e abundantemente adotado pelos comunistas em favor de seus regimes, por sinal) e a Rússia o direito de impedi-la por ser uma ameaça à sua segurança interna próxima às suas fronteiras.

Então podemos mapear os conflitos que agora tomaram novas proporções por pelo desde 2013, tendo um primeiro cume com a saída do ex-presidente Yanukovich, a anexação da Crimeia e de sua base pela Rússia, e pelo apoio russo aos milicianos pró-russos em Donestk e Lugansk, que agora foram reconhecidas como independentes por Putin, agravando ainda mais a instabilidade interna da República Ucraniana, ainda que no fundo impliquem numa questão pós-guerra fria, ou seja, pós-colapso da União Soviética.

Tudo isto mostra que é muito cedo para falarmos quais os reais intentos de toda esta gente, de ambos os lados há uma aparente enorme carga de teatralidade, numa guerra, real ou não, assimétrica ou de narrativas, cada lado vai querer puxar para o seu lado, o núcleo confiável é muito estreito e deve ser buscado, é o que tentei mostrar nesta breve análise, e mostra que tudo na verdade está em grande medida por hipóteses e conjunturas, dependerá dos próximos acontecimentos e da formação das bases de apoio explícito.

Uma linha do tempo de conflitos diplomáticos e evolução dos debates políticos:

Um resumo do conflito diplomático sobre a expansão da OTAN e inimizade russa:

Movimentações e otimismo na indústria bélica americana:

Artigo traduzido do Dinâmica Global: Vladimir Putin torna a Rússia independente dos Rothschild e os proibiu de se aproximar do território russo.

De acordo com o portal do Tass, mídia russa, Putin planeja desmilitarizar e “desnazificar” a Ucrânia.

A ocupação de territórios ucranianos não está incluída nos planos de Moscou; ela representa o direito dos povos da Ucrânia à autodeterminação. O presidente também reiterou que a Rússia não pode permitir que Kiev adquira armas nucleares e lembrou a inaceitável expansão da OTAN para o Leste.

Imposição de sanções contra indivíduos e empresas russas maiores do que em 2014. També houve restrições ao acesso de tecnologias de ponta como semicondutores, aeroespaciais, eletrônicos e etc. Restrições de crédito financeiro também foram impostas às principais instituições bancárias russas, após 12 de Abrl de 2022.

https://tass.ru/mezhdunarodnaya-panorama/13872565 Acessados em 26 de Fevereiro de 2022

Possível fuga de Zelenskiy:

Artigo de Alexandre Dugin sobre a “libertação, ou melhor, descomunização da Ucrânia, segundo ele, por Putin”:

Eu acho que Novorossiya será liberado no primeiro estágio (não apenas Donetsk e Lugansk, mas Novorossiya, histórico). Quando Putin disse: “Você quer a descomunização?” - sua lógica é muito clara. Lenin criou a formação artificial "Ucrânia" (e depois Khrushchev). A Ucrânia disse adeus a este legado de comunismo, bolchevismo, Lenin e Khrushchev. Também nos despedimos. Você não pode dizer adeus a um lado.

Nos despedimos da Ucrânia que Lenin criou. E estamos levando a descomunização ao seu limite lógico.

...

Acho que tudo terminará com a unificação dos eslavos orientais nessas áreas, a união de todos os três ramos dos eslavos orientais - novorossianos, bielorrussos e grandes russos - em uma única união, em uma única configuração como parte da União Eurasiana.

Quanto à Ucrânia, geralmente não estou inclinado a demonizar o estado ucraniano, porque aquela parte dos eslavos orientais, que são chamados de pequenos russos, historicamente provou sua completa incapacidade de construir um estado. Sempre que os Pequenos Russos tiveram uma chance histórica de construir um Estado, eles não conseguiram lidar com isso. Eles não sabem como fazê-lo. Acho que não há necessidade de culpá-los: esses são nossos irmãos, é hora de eles retornarem a uma única pátria eslava oriental. Nós mesmos, os grandes russos, somos apenas uma parte desse trino povo eslavo oriental. Eles não conseguiram construir seu próprio Estado, então escolhem palhaços, nazistas, extremismos e palhaçadas em vez de políticos profissionais, organizam crueldade quando é necessário mostrar humanidade e gentileza - ou seja, fazem tudo ao contrário, não o que construir Estado exige deles. E assim por séculos.

Não se trata de reconhecer o DNR e o LNR. Estamos falando de uma página completamente diferente na história mundial, de um mundo multipolar e de uma mudança completa em toda a arquitetura da ordem mundial global. E, a esse respeito, permaneceremos como pólo apenas juntos. Os eslavos orientais são nossos amigos eurasianos, este é um território integrado da Eurásia, onde existe um núcleo (eslavo oriental) e territórios adjacentes.

O procedimento de reconhecimento já não importa. É importante que Lukashenka esteja conosco, a China esteja conosco, o Irã esteja conosco. E isso é apenas o começo. E então tudo depende de nossas valentes forças armadas. Já completamos todos os procedimentos diplomáticos… O estado ucraniano está chegando ao fim diante de nossos olhos – ele não existe mais. O Estado assume uma certa soberania militar. Sem soberania militar - sem Estado. Conversaremos com o líder legal e legítimo da Ucrânia - com ele já falaremos sobre a união, sobre relações fraternas, garantias, fronteiras. Mas não com palhaços.

Ou Alexandre Dugin está delirando ou a situação é mais grave do que se pensa, para deter o avanço russo, somente uma guerra planetária massiva, mas isto ocasionaria uma destruição em massa, que o Ocidente não seria capaz de deter sem também igualmente realizar a destruição em massa. Seria este o fim do Estado Ucraniano? Mas como eu disse, os russos não tem a intenção de destruir a nação ucraniana, já que em longo prazo desejam integrá-los ao seu ninho, mas quanto ao atual Estado Ucraniano enquanto soberano, isto realmente está em risco.

Rússia entra em nova fase de confronto com o Ocidente, conforme artigo de Leonid Savin:

Resumindo, podemos tirar uma conclusão inequívoca de que a Rússia está do lado certo da história. Será difícil quebrar o bloqueio da informação e levar a verdade aos cidadãos de outros países, especialmente aqueles que pertencem à comunidade euro-atlântica. Embora existam meios de comunicação e políticos adequados. Também será difícil superar novas medidas de sanções relacionadas à dívida soberana da Rússia e à capacidade de operar nos mercados ocidentais.

Mas, por outro lado, isso nos obriga a continuar desenvolvendo nossa própria estratégia global, onde não haverá lugar para o totalitarismo ocidental. Portanto, o reconhecimento do DNR e OSR é mais um passo em direção à multipolaridade emergente.

Conforme vemos nas notas, parece que a Rússia Eurasianista, embora esteja longe de ser uma virtuosa santa, é atualmente a única a fazer frente ao poderio globalista, Putin e Dugin, a dupla dinâmica da Rússia Eurasianista, estão a fazer uma guerra que começara anos atrás, mas que agora, aparentemente, está ganhando proporções dantescas de combate não a uma “Ucrânia”, de maneira abstrata, mas desta Ucrânia que está a serviço dos interesses globalistas, o apoio cada vez maior das entidades globalistas e de governos que avançaram tremendamente a agenda “pró-the great reset” como Canadá e União Europeia, apontam cada vez mais para esta direção. Se se confirmar, o combate entre os dois blocos, embora ambos sejam globalistas em campos distintos, poderá ser realmente aquilo do que já venho falando desde 2020, a Nova Guerra Fria ou Segunda Guerra Fria, pois não se trata de mera disputa de blocos, mas disputa sobre um modelo de existência da sociedade das nações, representada atualmente por Rússia, ainda que com seus interesses internacionais e imperiais, e de outro, os globalistas que defendem o esfacelamento dos estados nacionais e a união de um bloco europeu cada vez mais forte e menos nacionalista, que é o que estamos a assistir com veemência.


A Guerra é viável?

Diante de todo este quadro miserável em que já colocamos, será que uma guerra a esta altura do campeonato na luta contra as repressões encadeadas pelo “Ocidente”, entre a mesma e o Bloco Eurasiano é viável? Absolutamente que não, pode se tornar num grande cavalo de tróia para os defensores da liberdade de expressão no Ocidente. As lições do Canadá, Austrália, França, Itália, Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos, Brasil e Argentina deveriam ficar claras para as pessoas, em especial para aqueles que se dizem “conservadores”, patriotas e defensores das liberdades. Os representantes de tais movimentos “direitistas” estão se acomodando e dando moral para as mídias ocidentais que provaram durantes estes dois anos não possuírem nenhuma confiança de informação, não é nem que não possam manipular os dados, elas mentem discaradamente e grosseiramente, a ponto de colocar vídeos de jogos como sendo cenas de confronto entre russos e ucranianos.

Em primeiro lugar devemos avaliar se esta guerra de narrativas não visa um outro produto bem diferente da própria guerra, porque durante estes dois anos a Rússia, China e EUA se cooperaram para distribuir as leis pandêmicas, o que é que torna diferente esta inimizade que se coopera num momento e de repente, grosseiramente, passam a se confrontar com forte ameaça bélica noutro? No mínimo deveríamos nos questionar o porquê de todo este embate. Mas vamos lá, uma guerra a esta altura do campeonato pode movimentar a indústria bélica da OTAN que sempre quando uma guerra termina, os seus adestradores começam outra, como foi o término recente do Afeganistão, vergonhosa por sinal, agora se inicia uma outra muito maior, quando nem a guerra na Síria os EUA e seus aliados conseguiram vencer, mas querem agora a se meterem os protetores da Ucrânia, alguém duvida de que se uma guerra começar, ela se arrastará por anos? E pior do que isto, com total aval dos ditos “conservadores” que de repentemente veem a política bélica americana e da OTAN como sendo benéfica. Benéfica por quê? Defesa do Ocidente, dirão eles, mas qual ocidente, cara pálida? O Ocidente de Boris Johnson, Scott Morrison, Justin Trudeau, Joe Biden, Jacinda Ardern, Angela Merkel, Emmanuel Macron, Mario Draghi, António Costa? O Ocidente do Canadá que pisa os caminhoneiros, Austrália dos campos de concentração contra os antivacinas, da Nova Zelândia, do Joe Biden e Alberto Fernández do seu lockdown ad aeternum? O Ocidente de Anthony Fauci, do caro Bill Gates e de sua Aliança GAVI? O Ocidente da ONU, União Europeia, Fundação Rockfeller? O Ocidente do Vale do Silício profundamente esquerdista do Google, Microsoft, Meta (Facebook), Tesla (Elon Musk), de Hollywood e FED, de George Soros e Open Society, da Apple e do JP Morgan? O Ocidente apóstata e modernista amoral e ateísta? O Ocidente histérico da Pandemia que acredita em tudo da mídia manipulada pela Elite Global? O exato Ocidente que agora quer construir o The Great Reset, usando a força dos governos nacionais e regionais/locais para estabelecer as suas políticas, mesmo contra as leis constitucionais como ocorre no Brasil? Me recuso a dar apoio a isto, antes, uma Rússia faminta do outro lado é simplesmente o castigo que o Ocidente buscou durante mais de um século de nivelamento moral e intelectual para baixo. É imoral apoiar qualquer lado na guerra neste momento, pois ainda não sabemos se o remédio da reação é melhor ou pior do que o próprio problema que por ora se desenrola.


Algumas informações importantes para este dia 26 de Fevereiro de 2022;

BRUXELAS, 27 de Fevereiro. /TASS/. A União Européia, juntamente com os EUA, Reino Unido e Canadá, congelará os ativos do Banco Central da Rússia e também proibirá os empresários russos de usar seus ativos nos mercados comunitários. O anúncio foi feito na noite de sábado pela chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

NOVA YORK, 27 de fevereiro. /TASS/. O empresário americano Elon Musk anunciou que abriu o acesso ao seu sistema global de comunicação por satélite Starlink na Ucrânia.

"Os serviços Starlink agora são fornecidos na Ucrânia. Novos terminais estão a caminho", ele twittou no sábado.

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O presidente dos EUA, Joe Biden, ordenou "sanções de bloqueio total" contra o Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF) nos próximos dias, disse um alto funcionário dos EUA .


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