Análise do discurso de despedida de Jair Bolsonaro
- Thiarles Sosi
- 2 de nov. de 2022
- 4 min de leitura
Atualizado: 2 de fev. de 2023

Dia primeiro de Novembro de 2022 foi o dia que Bolsonaro apareceu ao público, pelo fim da tarde, para reconhecer o resultado das eleições, ao contrário do que seus apoiadores mais cegos dizem.
A primeira coisa que Bolsonar fez foi agradecer os 58 milhões de votos que recebera no último dia 30 de Outubro, e isto foi evidência de reconhecimento do resultado das eleições. Ciro Nogueira, ministro da casa civil, veio logo em seguida ao seu discurso a dizer que está autorizado a começar a transição do governo com o PT assim que este entrasse em contato.
Bolsonaro autorizara as manifestações de caminhoneiros pacificamente, de maneira ordeira, pondo suas insatisfações com o resultado das eleições, já que isto é um direito do cidadão se manifestar a favor ou contra o que queira. Com estas palavras, agradecera dizendo que o movimento de "direita" está mais forte do que nunca. "A direita surgiu de verdade no Brasil. Nossa robusta representação no Congresso, mostra a força dos nossos valores: Deus, Pátria, Família e Liberdade... nossos sonhos seguem mais vivos do que nunca... ao contrário dos meus acusadores, sempre joguei dentro das quatro linhas da constituição."
O que Jair Bolsonaro chama de "jogar dentro das quatro linhas", eu chamo de aceitar os mandos e desmandos do STF e do Foro de São Paulo que é a maior organização política do continente americano, ainda que ajam eles fora do permitido pela Constituição Federal, como o direito de ir e vir, o direito de se manifestar, o direito de livre expressão das ideias: até hoje o Allan dos Santos e o Terça Livre, não lhes foram restituídos o direito a empreender e a manifestar sua opinião contra o que queiram, e a favor do que queiram, desde que não seja ameaça grave à integridade da pessoa física. Pessoas como Roberto Jefferson, José Trovão, Sara Winter foram injustiçados neste país. Mais recentemente a Jovem Pan e o serviço de streaming Brasil Paralelo também.
No entanto, apesar dos quatro anos do Governo fraco de Jair Messias Bolsonaro, os seus seguidores mais fanáticos continuam achando que ele fará algo ainda hoje, Dia de Finados, dia que celebramos os nossos mortos sagrados, para resolver algum tipo de problema no Brasil, coisa que não acontecerá, porque de um gato morto não se pode esperar um salto repentino. Este último grito dos conservadores, utilizando-se de técnicas de autohipnose para não reconhecer a derrota e o mais óbvio dos óbvios do discurso de Jair Bolsonaro que foi o reconhecimento das eleições e da vitória de Luís Inácio Lula da Silva, é um grito de histeria e gato morto. Bolsonaro dissera que a Direita surgiu de verdade, mas na realidade ela nunca surgiu, estava apenas engatinhando, mas se autoflagelou pelo desgaste político num momento em que precisava amadurecer.
Este autoengano da Direita brasileira foi causado pela auto-hipnose nas redes sociais, que fazem com que alguns mais fanáticos, tidos como grandes analistas políticos, não perceberam o óbvio e ainda obscureçam a autoavaliação dos expectadores, apoiadores e leitores, que apagam sua própria inteligência e seu próprio poder de análise das coisas a fim de seguir pessoas incapazes de reconhecer a derrota, talvez por desespero porque sabem que sua forma de ganhar dinheiro. Porque boa parte do público que segue este pessoal pelas redes sociais, segue porque estão no oba-oba da participação e agitação política, a partir do momento que perceberem que a "revolução foi abortada", então voltarão frios para seus lares e não quererão saber destes que levantaram falsas esperanças.
A culpa desta derrota da direita brasileira é culpa da mesma direita, porque eles aplaudiram todos os atos de Jair Bolsonaro, ignoraram aqueles que eram seus aliados, puseram de traidores apenas pessoas que tinham sinceridade nas suas opiniões, tudo para quê? Preservar seu público, pondo-os na histeria coletiva. Agora vemos esta histeria precisamente nas estradas e nas ruas, de pessoas que não aceitam e nem reconhecem a derrota. Tal situação apenas piora a visão que o povão não-ideológico tem da direita brasileira, de que ela é intolerante ao "sistema democrático".
Mesmo a maior parte deste público que votou no Bolsonaro não é ideológico, não é de direita ou que queira chamá-lo, boa parte deste povo é apenas o cidadão comum que não quer a corrupção governando impune no Brasil. O voto em Bolsonaro foi apenas moral, não ideológico. Mas os que protestam são os ideológicos, ou a massa de histéricos.
Estes caminhoneiros não possuem a menor culpa, ao contrário, eles são os heróis, a casta guerreira deste país, eles é que faziam e fizeram e fariam a coisa acontecer. Mas não há entre eles líderes capazes de organizá-los, pô-los em devida situação de exigir algo, nem há o que exigir, pois a exigência não pode vir se a elite tanto do Estado, e da Esquerda ou Direita não querem ouvir seus apelos. Seu grito se torna apenas um grito de desespero e histeria que não lhes levará a lugar algum.
Escrevi desde o final do ano passado, deixarei alguns links abaixo para o leitor seguir juntando os pontos de como foi realmente a evolução política da direita neste país:
https://charlint865ss.wixsite.com/geopolis/post/uma-poss%C3%ADvel-guerra-civil-se-avizinha-ao-brasil



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