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  • Ideologia de Gênero e a Língua Portuguesa

    Queria fazer um artigo diferente dos que venho acompanhando sobre a Ideologia de Gênero e a moda do Pronome Neutro em Língua Portuguesa. Vejo que existe uma certa justiça para aqueles que querem pedir um gênero neutro para eles na língua e gostaria de explicar aos que são contra esta ideologia para entenderem o porquê. É justo fazer exigências quando você se sente ignorado por uma língua que você adquire como fundamentalmente sua. Você a utiliza como meio de comunicação de seu eu, se essa língua não possui tais ferramentas, você possui poucas opções: Ou você abandona a língua e parte para outra que possua, e isto dá muito trabalho, ou você cria uma linguagem e ensina as pessoas a compreendê-la, e isto dá mais trabalho ainda. Quando a língua que você aprende não é o suficiente para se expressar, é necessário aprimorá-la para tornar mais comunicável. A língua explica a língua, quando não conhecemos uma palavra remetemos a outras que explicam aquela, é quase mágico que as palavras façam as pessoas se entenderem, mesmo em se tratando do mesmo idioma, quanto mais em línguas diferentes! Apenas quem não se deu o trabalho de se comunicar e explicar um problema realmente complexo não sabe a dificuldade disto. A Ideologia de Gênero nos trata de um problema realmente grave, as pessoas inseridas neste contexto de gênero não definido realmente sofrem, como haveria de ser repassado tal problema profundo para as demais pessoas que não sofrem disto? Então é preciso realmente criar uma linguagem que comunique esta realidade a todos as outras pessoas. Só que pensando nisto me lembrei também que todas as pessoas possuem realidades incomunicáveis humanamente falando, elas sofrem porque não há linguagem que expresse sua realidade, o que fazer com elas? A Ideologia de Gênero ainda não entendeu que ela não é a única incompreendida, o que se compreende da realidade humana é muito pouco de si mesma. É necessário compreender a natureza humana em profundidade para discutir e criar uma linguagem que torne mais justa tal situação. Que eu saiba, a Filosofia é que cuida desta parte e, também a religião, evidentemente, e elas levam séculos e séculos de paciência. Não ser compreendido no curso da nossa vida é condição para compreender algo que está para além de nós mesmos. Se não podemos agir com pressa, não há condições para criar uma linguagem tão rapidamente, pois quanto mais rápida, mais pueril e artificial. Este é o problema do Pronome Neutro. Antes de querermos encontrar uma linguagem que torne mais justa a comunicação entre as múltiplas identidades dos sujeitos e objetos, temos que compreender a língua que utilizamos para fazer esta comunicação, para assim não cometer outra maior injustiça, o de atropelar a linguagem que já existe aí para a nossa sobrevivência: Se querer cada um criar a sua própria língua e querer ser compreendido, teremos não a compreensão, mas a Torre de Babel, a Confusão das Línguas. Aliás, este trecho da Bíblia é revelador quanto à tendência quase irremediável do homem em mudar a própria língua. O latim, mesmo sendo a língua viva da Cristandade, modificou-se em milhares de línguas e dialetos tão distintos como o Occitano, Romeno, Siciliano e Português. Este último, a Última Flor do Lácio, é um manequim de experimentos linguísticos absurdos, só quem leu textos de séculos diferentes vê o quanto a Língua Portuguesa mudou ao longo dos séculos, uma mesma palavra foi grafada de maneiras distintas em séculos diferentes, regras gramaticais que hoje são inválidas, outrora válidas, e vice-versa. O que acontece? Quem faz as regras da língua, o povo ou a classe dos letrados? Que injustiça é esta? Nenhum dos dois, quem faz a língua é um problema de comunicação; se Latim fosse tão perfeito o povo não o mudaria. Se português fosse tão perfeito, Luís de Camões não criaria a sua linguagem. Mas mesmo ele sendo o maior poeta lusófono, mesmo ele criou a sua linguagem e fez-se compreender pela lusofonia e se tornou no legítimo representante dela. Mas cadê os Camões da Ideologia de Gênero? Eles nem sequer existem! Isto é um absurdo, pois se não há quem compreenda o problema e nem tem uma linguagem com o que se comunicar, como quer fazer os outros entenderem? Existe um problema mais grave ainda; a Ideologia de Gênero parte do pressuposto de que ela é a única que possui um problema a ser resolvido e acha que mudando as regras gramaticais resolverá isto, mas esquece que as regras gramaticais nunca foram soluções, e sim problemas estabilizados momentaneamente. Até hoje eu não sei porquê o português precisa de SS para Cassação, nem porquê não um Z no lugar de S em Casa, muito menos o porquê precisamos de Ç para Caça ao invés de S? Etimologia? Ora bolas, para quê etimologia, o homem sem estudo não utiliza de etimologias para se remeter às palavras, ele se utiliza dos referentes. Basta o alfabeto, mas nem este expressa com total fidelidade a escrita de uma língua. Para falar a verdade, venho estudando vários idiomas, e o que eu mais me intrigo é não ter encontrado um único sistema de escrita que seja 100% de acordo com a suposta pronúncia. O inglês, por exemplo, até desistiu de criar um sistema de escrita e transformou-se uma verdadeira anarquia onde as letras ganham pronúncias quase místicas utilizando-se das mal criadas letras latinas. O Espanhol, a língua mais parecida com o Português (considerando o galego também), possui muitas palavras em comum, mas por que diabos cada uma tem que criar regras gramaticais que parecem que ambas apenas querem se diferenciar uma da outra? Depois disso temos ainda o Regionalismo linguístico, porquê o amazonense tem que criar um linguajar diferente do gaúcho? E o paraibano do portuense (Portugal)? Eu que sou mineiro, sou obrigado a aprender o português culto porque se não, não me faço compreender. Quer dizer, nem sempre serei compreendido. Mas que absurdo! Quem pensam que são para não me entenderem? A minha linguagem expressa o meu eu, por isso a minha linguagem é superior, quero que todos a entendam. Dizem que os americanos são arrogantes por muitos não quererem aprender as línguas dos povos quais eles lhes fazem uma visita, ao contrário, os anfitriões precisam falar inglês muito bem e de preferência sem sotaque. E eles estão certos, errados estão os anfitriões. Todos somos obrigados a aprender a língua um do outro. Se eu não sou superior a você, por que não aprender a sua língua? Mas por que você não aprende a minha? Se você não quer aprender a minha porque não lhe interessa, também não me interessa aprender a sua. Desconheço quem utilize o pronome neutro por necessidade, desconheço quem precise se comunicar neste esquema, não tenho o menor interesse em tal comunidade adepta da Ideologia de Gênero, não vejo o porquê de eu me esforçar por aprender isto. Ao contrário, eu desejo aprender português para me comunicar com quem fala esta língua. É justo saber que assim como eu, todos os falantes de português possuem suas variantes particulares da língua, mas não as impõem a ninguém que não as queiram. É a primeira vez que vejo os interessados numa variante restrita, inutilizável, inadaptável, artificial querer obrigar a todos estes que possuem linguagens distintas a aprender a linguagem deles, quando eles nem sequer dominaram a linguagem comum e a dos outros por primeiro. Nem mesmo a língua universal que é o Português. Para dizer isto, explico-lhes que: O Português possui sim 3 gêneros linguísticos: Masculino, Feminino e NEUTRO! O primeiro trata de objetos e sujeitos masculinos ou analogamente masculino por convenção linguística. O segundo, idem, ao feminino; O terceiro trata dos demais que não possuam gênero definido! O problema do pronome neutro dirigido ao ser humano é o seguinte: Os pronomes masculino são também neutros, tanto por função, quanto pelo objeto, quando assim se faz necessário, e masculino quando também se faz necessário. Quando você encontra um menino e uma menina juntos, você não diz: Dois meninas, mas dois meninos, não é por machismo linguístico, mas porque o gênero linguístico neutro e universal por excelência se confunde pelo gênero linguístico masculino. Na verdade trata-se de uma simplificação linguística, lembra que as pessoas abandonaram o latim para falar mais facilmente? Pois é, um dos problemas que as pessoas abandonaram o latim e criaram uma língua própria foi a existência de três gêneros! Então na língua portuguesa o gênero feminino é privilégio linguístico, talvez o maior de todos os privilégios e não o masculino, este na verdade já anda num bonde que está andando, o neutro. A língua portuguesa é neste sentido, uma língua feminista. Se quiséssemos simplificar a língua de tal forma que todos falassem neutro, não seria necessário criar novas palavras e nem novos pronomes, bastaria todos chamassem exclusivamente pelo gênero neutro que por ora pode ser masculino quando o contexto vier a pedir. Mas alguém pode objetar dizendo que quando falamos "dois meninos" invariavelmente vemos dois homenzinhos à frente, ou pelo menos sabemos que um deles o é. Sim, mas o inverso também é verdadeiro; quando falamos Dois Menines, como sugerido, não enxergamos dois seres humanos assexuados para que sejam neutros! A neutralidade implica que não há diferença entre eles. No caso estamos falando de diferenciação sexual, em se tratando de seres humanos, não existe o ser humano assexuado, este se existisse seria o cabível gênero neutro exclusivo, mas todos invariavelmente possuem dois sexos. Quanto à preferência ou afinidade sexual de cada um, este não é o alvo da língua como função. A língua portuguesa nunca se preocupou em declarar por meio da ortografia como as pessoas podem saber os gostos sexuais umas das outras, se assim fosse, seria impossível a comunicação, pois poderia haver a criação de morfologias próprias para toda a língua a fim de que ficasse claro o gosto dos brasileiros por comer arroz e feijão. Mas isto não precisa ficar implícito em cada vez que você vai conversar com alguém sobre a cirurgia na perna da sua avó. Seria estranho que ao se referir a um dado problema de economia, referíssemos a um economista como alguém que possui o gosto de comer arroz e feijão em sua identidade de gênero. Ou pior, que ele se sentisse no próprio arroz com feijão. Existe um outro problema: A palavra gênero não pode ser remetida ao ser humano ou o que dele se pode dizer como modalidade morfológica de particularidades. Poderíamos falar em gênero humano quando ao lado dele estamos comparando-o com Anjos, Tigres, Orangotangos, não para designar membros da mesma espécie, pois aqui não há dúvidas quanto ao gênero a que pertence, e gênero é sua identidade. O ser humano é uma espécie, e como espécie algo ou é ou não é do gênero humano. Quando você se depara com animais desconhecidos você procura saber por qual gênero ele é, você não faz esta pergunta querendo saber o sexo dele, saber o que ele é é mais importante! Não existe gênero masculino ou feminino na espécie humana, o que existe é o gênero humano que se expressa em dois sexos: masculino e feminino. Não existe Homem que seja masculino e outro que seja feminino, e uma Mulher que seja masculina e outra que seja feminina, se assim fosse, aí sim eles seriam dois gêneros, porquê se tratam de espécies diferentes tal como a Onça e o Tigre os são. A prova de que o homem e a mulher fazem parte da mesma espécie e do mesmo gênero humano é que ao unir o macho homem e a fêmea mulher, haverá a procriação da espécie que se dará em dois tipos de um mesmo ser humano, ou masculino ou feminino. O gênero não cabe aos componentes da espécie humana entre ela mesma, quando falamos em gênero masculino, feminino e neutro não estamos falando de seres humanos, estamos falando de um fenômeno linguístico da língua portuguesa. Quando chamamos os objetos por nomes masculinos, ou neutros como já aprendemos, e femininos não estamos dizendo qual é o sexo de tais objetos. A língua portuguesa não é língua de loucos. Estamos falando de vários fenômenos que concorrem para a morfologia das palavras: Evolução linguística, redução de ambiguidades, concordância nominal, analogia, etc. Quando chamamos uma cadeira de gênero feminino, não estamos dizendo que ela é a fêmea do 'cadeiro'. Uma língua pode ter pronomes neutros, mas todas vão ter palavras que remetam à masculinidade e feminilidade. Nenhuma língua, até onde conheço, chama o homem pelo mesmo nome que chama à mulher, sem que haja distinção entre um e outro, ao menos um elemento de diferença haverá. A existência de pronome neutro nas mais diversas línguas, incluindo no português, baseia-se na ideia de que homem e mulher formam o único gênero humano, não que não haja diferenciação sexual entre eles. Mesmo no mandarim o pronome de terceira pessoa (Ta) é igual para homem e mulher, mas a grafia entre eles é diferente, no Ta masculino há um elemento de Pessoa (assim, neutro mesmo!) e o Ta feminino possui um elemento feminino especificando que se trata de alguém do sexo feminino, não se tratando de objetos assexuados. Isto significa que mesmo no Mandarim, língua de unificação de uma China com muitos dialetos, eles não resolveram o tal do problema de gênero linguístico, ao contrário, para eles o problema é a falta de especificação. E o Mandarim é uma língua com 5 mil anos de história. Se a língua portuguesa peca por não dar a mesma oportunidade de identidade para todas as pessoas com suas identidades, saiba que nenhuma língua dá. Ouvi dizer que o turco não possui gênero, o que querem dizer é que o turco não faz diferenciação morfológica das palavras em gêneros linguísticos distintos a depender do sexo. Por outro lado, o turco possui mil maneiras de crescer as palavras que possivelmente o gosto de uma pessoa por arroz e feijão ficará implícito no formato de todas as suas palavras ou a ele dirigidas! Isto porque o turco pode acumular infindáveis sufixos em cada palavra! Vai encarar aprender turco? Mas isto são brincadeiras da minha parte. No mandarim, por exemplo, as palavras são tão fáceis e pequenas que podem ter mil e uma ambiguidades, que para as diferenciar em seus muitos significados é necessário juntar mais palavras com mesmos significados para ir afunilando até não restar dúvidas, e isto exige uma alta memorização nas formas de utilizar a língua, seria como falar 'andar-caminhando'. No português, a conjugação verbal, embora abundante, ajuda a diminuir a necessidade de explicar as coisas quando elas se dão. Quando você diz "Correu", sabe que não foi eu quem corri, mas alguém que no passado correu. Por isto quando falamos em Ideologia de Gênero, não estamos falando de um problema linguístico, nem de um problema quanto à sexualidade humana, mas estamos lidando, segundo dizem sobre esta ideologia, sobre um problema de identidade. Se existe um problema de identidade humana, esta não está no campo do gênero, pois todos são concordes que independente de sexo, cor, raça ou qualquer outro qualitativo são todos seres humanos, todos do gênero humano. Então se há um problema de gênero, é saber qual o gênero do problema. E o problema é a compreensão humana sobre si mesma. É evidente que se há um problema da realidade humana ao qual não foi compreendido, não se resolverá por questões linguísticas, estas aumentam ainda mais o problema, porquê a língua está e sempre estará em mudança. Querer impor uma linguagem ou recriar uma língua pode dar mais dor de cabeça e nunca, nunca resolverá problemas de injustiça de tratamento. Nenhuma língua é perfeita, todas são línguas em constante evolução, mas estas partem de uma verdadeira evolução das relações humanas e não de imposição artificial de quem não tem amor à própria língua. Você quer modificar a língua portuguesa para melhor lhe atender? Então aprenda o português que já existe a tal ponto de superá-lo, aí terá autoridade para ver o que precisa ser melhorado.

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